Você solda o dia inteiro. A fagulha respinga na pele. A luz queima a vista. O metal quente cai na bota e no braço. Respira fumaça que ninguém vê. Hoje você tem cicatriz de queimadura, vista que arde e embaça, e às vezes uma tosse que não passa. E o chefe falou: “soldador é assim mesmo”. Não é pra ser assim. A empresa tinha que te proteger. Você tem direito.
Soldador de estrutura. Soldador de oficina. Quem solda em altura, em espaço apertado, dentro de tanque. Ajudante de solda. Todos enfrentam fagulha, luz forte e fumaça tóxica todo dia — e muitos têm sequela escondida sem saber que dá pra cobrar.
Queimadura, lesão no olho e problema de respiração por causa da solda podem ser acidente de trabalho. E pagam indenização.
Por que o serviço de solda é de risco
Soldar junta vários perigos ao mesmo tempo: fogo, luz que cega, metal derretido e fumaça que faz mal ao pulmão. A empresa é obrigada por lei a proteger o soldador. Ela tinha que ter dado:
- Máscara de solda com filtro certo pra luz
- Avental, luva e mangote de raspa contra fagulha
- Bota e perneira pra metal quente não cair na pele
- Exaustor ou ventilação pra tirar a fumaça
- Máscara de respiração contra os gases
- Treinamento de segurança e pausa de descanso
Se faltou qualquer um — e quase sempre falta — a culpa é da empresa. Não importa se “soldador veterano nem usa máscara direito”. Era a empresa que tinha que dar o equipamento certo, exigir o uso e ventilar o lugar.
O que mais machuca o soldador no trabalho
- Queimadura de fagulha e metal quente no braço, na perna e no pé
- Vista queimada pela luz da solda (a famosa “vista de solda”)
- Perda de visão aos poucos por luz forte repetida
- Problema de pulmão por respirar fumaça e gás
- Choque elétrico do equipamento mal aterrado
- Queda quando solda em altura sem cinto
- Perda de audição pelo barulho da oficina
Funções de solda mais expostas
- Soldador de estrutura metálica e construção
- Soldador de oficina mecânica e funilaria
- Soldador industrial e de caldeiraria
- Ajudante de solda
- Serralheiro que solda portão e grade
- Soldador de tubulação e tanque
- Soldador de estaleiro e plataforma
O que fazer agora, logo depois do acidente
- Procure o pronto-socorro. Queimadura precisa de curativo certo. Vista queimada precisa de oftalmologista. Não trate em casa.
- Exija a CAT. É o comunicado de acidente. A empresa tem 24 horas pra emitir. Se não emitir, você emite direto no INSS, de graça.
- Peça exames. Da vista, do pulmão, da audição. Eles mostram a sequela que a solda foi deixando.
- Guarde tudo. Atestado, receita, foto da queimadura, laudo, conta de remédio.
- Anote os colegas que viram. Quem sabia que faltava exaustor, máscara ou avental, quem trabalhava do seu lado.
Seus direitos como soldador acidentado
- Auxílio acidentário (B91) — se ficou afastado mais de 15 dias, o INSS paga o benefício acidentário. A empresa continua depositando o FGTS durante o afastamento.
- Estabilidade de 12 meses — quando você voltar do afastamento, a empresa não pode te demitir por 12 meses. Se demitir, paga indenização cheia.
- Indenização por dano moral — pela dor da queimadura, pela vista que mudou, pelo medo de continuar soldando.
- Indenização por dano estético — pelas cicatrizes de queimadura que ficaram marcadas na pele.
- Adicional de insalubridade — soldador costuma ter direito ao adicional pelo barulho, calor e fumaça. Muitas empresas não pagam, e dá pra cobrar atrasado.
- Pensão mensal vitalícia — se ficou sequela permanente (perda de visão, problema de pulmão, perda de audição), você recebe pensão todo mês até o fim da vida.
O que NÃO fazer depois do acidente
- Não diga “soldador é assim mesmo”. Sequela de solda não é normal. É falha de proteção da empresa.
- Não aceite acordo do RH sem advogado. A empresa costuma oferecer R$ 3 mil, R$ 6 mil pra “encerrar”. Caso real do escritório com soldador chegou perto de R$ 90 mil somando indenização e insalubridade atrasada.
- Não deixe de fazer os exames. Vista, pulmão e audição mostram a sequela que garante a pensão.
- Não jogue fora atestado, laudo, foto. Tudo vira prova.
Veja quanto vale o seu caso
O valor depende da gravidade da queimadura, da sequela na vista ou no pulmão, da insalubridade não paga, do tempo de afastamento, do seu salário e do estado. Antes de aceitar qualquer oferta, calcule.
Valores médios por estado
O valor das indenizações varia bastante de um estado pra outro. Veja a tabela de indenização por acidente de trabalho por estado em 2026, com base nos casos reais que acompanhamos.
Perguntas frequentes
1. A queimadura foi pequena e sarou. Vale processar?
Vale. Mesmo queimadura pequena gera dor, dano moral e, se deixou cicatriz, dano estético. E ainda dá pra cobrar a insalubridade não paga, que costuma ser valor alto.
2. Minha vista arde sempre da luz da solda. Isso conta?
Conta. Luz de solda repetida vai queimando a vista aos poucos. Faça exame oftalmológico. Se houver perda, paga pensão e indenização.
3. A empresa nunca pagou insalubridade. Posso cobrar?
Pode. Soldador costuma ter direito ao adicional pelo calor, barulho e fumaça. Dá pra cobrar os últimos 5 anos que a empresa deixou de pagar.
4. Trabalho com solda há anos e agora apareceu problema de pulmão. Dá?
Dá. Doença de pulmão por respirar fumaça de solda por anos é tratada como acidente de trabalho. Faça exame e guarde o laudo.
5. Quanto tempo tenho pra entrar com a ação?
Até 2 anos depois de sair da empresa. Dentro desses 2 anos, dá pra cobrar os últimos 5 anos de direitos, inclusive a insalubridade não paga.
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