Você estava abastecendo e o combustível pegou fogo. Uma faísca, um carro com problema, um cliente fumando, um vazamento. A bomba explodiu, a roupa queimou, a pele queimou. Ou você respirou vapor de gasolina o dia todo e começou a passar mal. O dono do posto disse: “graças a Deus não foi pior”. Foi grave sim. Você se acidentou no trabalho. E você tem direito.

Frentista que se queimou numa labareda da bomba. Funcionário que respirou vapor de combustível e teve tontura e enjoo todo dia. Quem ajudou a apagar fogo de um carro no posto. Quem se cortou ou caiu correndo de uma explosão. Trabalhar com combustível é um dos serviços mais perigosos que existe. E muitos frentistas nunca cobram, porque acham que “faz parte do trabalho”.

Explosão e queimadura no posto é acidente de trabalho grave. E paga indenização alta.

O que conta como acidente no posto

Qualquer coisa que te machuca trabalhando com combustível conta como acidente. A explosão da bomba. A labareda que queimou a mão ou o rosto. A queda fugindo do fogo. O vapor de gasolina que você respira todo dia e que faz mal pro corpo. Até o susto e o trauma de ver fogo perto de você conta.

Queimadura é uma das lesões que mais paga, porque deixa marca, dói muito e muitas vezes precisa de cirurgia e enxerto de pele. E respirar combustível por anos pode dar problema no sangue, no fígado e no pulmão.

Tipos de acidente do frentista

  • Explosão da bomba ou do tanque
  • Labareda na hora de abastecer — faísca, carro defeituoso, fumante
  • Queimadura na mão, braço, rosto
  • Queimadura grave que precisa de enxerto de pele
  • Intoxicação por respirar vapor de gasolina e diesel
  • Queda fugindo do fogo — fratura, torção
  • Lesão na audição por estouro
  • Problema no pulmão e no sangue por anos respirando combustível

O que a empresa era obrigada a fazer

O posto é obrigado a dar pra você:

  • Uniforme que não pega fogo fácil (antichama)
  • Luva e calçado certos
  • Extintor por perto e em dia
  • Treinamento de combate a incêndio
  • Placa proibindo fumar e celular na pista
  • Equipamento da bomba revisado
  • Adicional de periculosidade no salário (trabalhar com combustível é perigoso)

Se faltou qualquer um, a culpa é da empresa. E o adicional de periculosidade você pode cobrar mesmo que nunca tenha tido acidente.

Como provar o acidente no processo

  1. Atendimento médico — pronto-socorro no dia da queimadura. Isso prova a gravidade e a data.
  2. CAT — comunicado de acidente. A empresa tem 24h pra emitir. Se não emitir, você emite direto no INSS, grátis.
  3. Foto da queimadura — tira foto da lesão em todas as fases (fresca e cicatrizando).
  4. Testemunhas — colega, cliente, quem viu a explosão e o fogo.
  5. Boletim de ocorrência ou registro do corpo de bombeiros — se vieram apagar.
  6. Foto do local — extintor vazio, bomba sem manutenção, sem placa de aviso.

Seus direitos depois do acidente

  • Auxílio acidentário (B91) — se ficou afastado mais de 15 dias, o INSS paga benefício acidentário, não comum. A empresa continua depositando FGTS durante o afastamento.
  • Estabilidade de 12 meses — quando você voltar do afastamento, a empresa não pode te demitir por 12 meses. Se demitir, paga indenização cheia.
  • Indenização por dano moral — pela dor da queimadura, pelo medo, pelo trauma do fogo.
  • Indenização por dano estético — pela marca que ficou na pele. Queimadura paga isso separado.
  • Indenização por dano material — cirurgia, enxerto, remédio, curativo, tudo que gastou.
  • Pensão mensal vitalícia — se ficou sequela permanente (marca, perda de movimento, problema de pulmão), você recebe pensão todo mês até o fim da vida.

O que NÃO fazer depois do acidente

  • Não cuide da queimadura só em casa. Queimadura infecciona e piora. Vá ao médico e guarde o atendimento.
  • Não jogue fora atestado, receita, foto da queimadura. Tudo vira prova.
  • Não aceite acordo do RH sem advogado. Empresa costuma oferecer pouco. Caso real do escritório passou de R$ 90 mil. Vale conferir antes.
  • Não assine “pedido de demissão”. Se o posto pressionar depois do acidente, peça tempo e procure orientação.

Veja quanto vale o seu caso

O valor depende da gravidade da queimadura, da marca que ficou, do tempo de afastamento, do seu salário e do estado. Casos de queimadura grave chegam a até R$ 100 mil. Antes de aceitar qualquer oferta do posto, calcule.

Valores médios por estado

O valor das indenizações varia bastante de um estado pra outro. Veja a tabela de indenização por acidente de trabalho por estado em 2026, com base nos casos reais que acompanhamos.

Perguntas frequentes

1. A queimadura foi leve e já sarou. Ainda tenho direito?

Tem. Queimadura é acidente mesmo que sare. Se ficou qualquer marca, ainda dá pra pedir dano estético. E o dano moral pela dor e pelo susto paga de qualquer jeito.

2. A explosão foi por causa de um cliente fumando. A culpa é minha?

Não. O posto é responsável por ter placa de proibição, extintor, treinamento e equipamento seguro. Se o posto não preveniu o risco, a culpa é dele.

3. Eu recebo periculosidade. Posso cobrar mesmo assim?

Pode. A periculosidade é por trabalhar perto do perigo. A indenização é por causa do acidente que aconteceu. São coisas diferentes, você tem direito às duas.

4. Respiro gasolina há anos e ando passando mal. Isso conta?

Conta. Respirar vapor de combustível por anos pode dar problema no sangue, fígado e pulmão. Isso é doença do trabalho. Faça exame e guarde o resultado.

5. Quanto tempo tenho pra entrar com a ação?

Até 2 anos depois de sair da empresa. Dentro desses 2 anos, dá pra cobrar os últimos 5 anos de direitos.


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