Sim, o acidente no caminho de casa pro trabalho — ou na volta — conta como acidente de trabalho. Não importa se você ia a pé, de moto, de carro, de ônibus ou de carona: se machucou indo ou voltando do serviço, a lei te trata igual a quem se acidentou dentro da empresa. Isso te dá direito ao benefício do INSS e ao 1 ano de emprego garantido quando você voltar. E mais: a empresa é obrigada a fazer o papel do acidente (a CAT) também nesse caso.

Aqui você vai entender, em palavras simples, por que o caminho conta, o que você tem direito a receber, e o que fazer se a empresa disser que “no trajeto não é com ela”. Eu adianto: muita gente perde dinheiro achando que acidente fora da empresa não vale nada. Vale, e muito.

Me machuquei indo pro trabalho. Isso conta mesmo?

Conta. A lei chama isso de acidente de trajeto — no juridiquês é “acidente in itinere”, que significa só “acidente no caminho”. Esqueça o nome difícil: o que importa é que o acidente que acontece no percurso normal entre a sua casa e o seu trabalho (ida ou volta) vale como acidente de trabalho.

E não importa o transporte. Vale se você bateu de moto, se o ônibus que você pegava capotou, se você caiu da bicicleta, se foi atropelado a pé ou se estava de carona com um colega. O caminho é o caminho — o jeito que você faz ele não muda o seu direito.

A reforma trabalhista acabou com o acidente de trajeto?

Não. Essa é a dúvida que mais aparece, e a resposta é clara: o acidente de trajeto continua valendo. Muita gente ouviu falar que a reforma “acabou” com esse direito e nem foi atrás. Errado — e esse erro fez muito trabalhador deixar dinheiro na mesa.

O que vale pra você é simples: se você se machucou no caminho do serviço, ficou afastado e o INSS reconheceu, você tem o mesmo direito de sempre. Se alguém da empresa, do RH ou até um conhecido te disser que “no trajeto não conta mais”, desconfie e procure quem entende antes de aceitar.

Quais são os meus direitos no acidente de trajeto?

Sendo acidente de trabalho, você tem direito a um pacote de coisas. Os principais são:

  1. O benefício do acidente que o INSS paga (aquela grana mensal com o código 91, o chamado “B91”), enquanto você estiver afastado;
  2. O 1 ano de emprego garantido quando você voltar — por 12 meses a empresa não pode te mandar embora sem justa causa;
  3. A empresa fazer o papel do acidente (a CAT) — é obrigação dela registrar, mesmo o acidente tendo sido na rua;
  4. Indenização pela dor e pela marca que ficou, se o acidente deixou sequela;
  5. Se você não conseguir mais trabalhar como antes, uma grana do INSS todo mês depois que volta (o auxílio-acidente), além do que a empresa pode ter que pagar.

E atenção a uma coisa importante: o que o INSS te paga não desconta o que a empresa pode dever. São coisas separadas. Receber o benefício do INSS não tira o seu direito de cobrar mais na Justiça quando há sequela.

E quem paga os primeiros dias parado?

Funciona assim, igual a qualquer acidente de trabalho:

  1. Os 15 primeiros dias afastado, quem paga é a empresa — seu salário cai normal;
  2. A partir do 16º dia, quem assume é o INSS, com o benefício do acidente (o B91);
  3. Quando você melhora e volta, começa a contar o seu 1 ano de emprego garantido.

Por isso o registro certo importa tanto. Se a empresa fizer o papel do acidente (a CAT) e marcar como acidente de trajeto, o INSS já entra com o benefício do acidente — e não com um auxílio comum, que te dá menos direito.

A empresa disse que “no trajeto não é com ela”. Como fica?

É comum a empresa tentar se livrar dizendo que “o acidente foi na rua, não dentro daqui”. Não é bem assim. A obrigação de fazer o papel do acidente (a CAT) é da empresa também no trajeto. Se ela se recusa a registrar, você mesmo, o sindicato ou o médico podem fazer a CAT — e isso não derruba o seu direito.

O que segura o seu caso é a prova: boletim de ocorrência da batida, foto do local, atendimento no hospital ou no SAMU, conversa no celular avisando que ia ou voltava do serviço, e testemunha. Junte tudo o que puder. Quanto mais prova de que você estava no caminho do trabalho, mais forte fica.

O exemplo do Cláudio

Cláudio era operador numa fábrica e ia todo dia de moto pro serviço. Numa manhã de chuva, um carro fechou ele a duas quadras da empresa. Quebrou a perna, ficou 4 meses afastado. A empresa disse que “não tinha nada a ver, foi acidente de trânsito”. Errado. Era acidente de trajeto. Cláudio tinha direito ao benefício do acidente do INSS, ao 1 ano de emprego garantido quando voltou, e à indenização pela perna que ficou com sequela. Ele quase não foi atrás porque acharam que “na rua não conta”.

(Cláudio é um exemplo pra você entender. Cada caso tem seu valor, que depende da gravidade e da prova.)

Isso acontece de verdade na Justiça?

Acontece todo dia. Os Tribunais do Trabalho (TRTs) reconhecem que o acidente no caminho do serviço é acidente de trabalho, e mandam a empresa pagar e respeitar o emprego garantido. Foi o que decidiu o Tribunal do Trabalho de São Paulo (TRT-2): uma trabalhadora que se machucou no caminho do serviço teve o acidente reconhecido como de trabalho e voltou ao emprego — processo nº 1002275-23.2024.5.02.0602.

E a gente ganha acidente de trabalho de todo tipo: o Lucas André, um rapaz de 20 anos que teve o braço amputado por uma colhedora de café na Bahia, fechou com a gente um acordo de R$ 400 mil (processo nº 0000573-67.2025.5.05.0561, TRT-5/Bahia).

O Dr. Welliton Ventura e a equipe já atenderam mais de 3.000 trabalhadores acidentados pelo Brasil, com R$ 41 milhões+ recuperados. Acidente de trabalho é o que a gente faz o dia inteiro.

Como saber quanto VOCÊ tem direito?

Não dá pra saber no chute — depende do seu salário, do tempo de afastamento e da gravidade da sequela. O jeito rápido e de graça é usar a nossa calculadora: você responde 6 perguntas simples e já tem uma ideia do valor.

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Perguntas frequentes

Acidente de moto indo pro trabalho conta como acidente de trabalho?

Conta. Moto, carro, ônibus, bicicleta, a pé ou de carona — se foi no caminho normal de casa pro serviço ou na volta, é acidente de trajeto e vale como acidente de trabalho.

A reforma trabalhista acabou com o acidente de trajeto?

Não. O acidente de trajeto continua valendo. Quem se machuca no caminho do serviço tem os mesmos direitos de sempre: benefício do INSS e 1 ano de emprego garantido.

A empresa é obrigada a fazer a CAT no acidente de trajeto?

Sim. O papel do acidente (a CAT) é obrigação da empresa também no trajeto. Se ela não fizer, você, o sindicato ou o médico podem fazer — e isso não tira o seu direito.

Quem paga enquanto eu fico afastado?

Os 15 primeiros dias quem paga é a empresa. Do 16º dia em diante, quem assume é o INSS, com o benefício do acidente (o B91).

Posso processar a empresa mesmo recebendo o INSS?

Pode. O benefício do INSS é uma coisa; a indenização da empresa é outra. Receber um não tira o direito do outro, principalmente quando ficou sequela.

Vou ter que pagar advogado adiantado?

Não. Você só paga se ganhar. A primeira conversa é de graça.

Perguntas Frequentes

Acidente de trajeto dá direito a indenização trabalhista?

Sim, quando houver culpa da empresa, como no fornecimento de transporte em más condições. Caso contrário, o trabalhador tem direito apenas aos benefícios previdenciários: auxílio-doença acidentário (B91), estabilidade de 12 meses e FGTS durante o afastamento, conforme a Lei 8.213/91.

Qualquer caminho para o trabalho é considerado trajeto?

Não. Deve ser o percurso habitual entre a residência e o local de trabalho, sem desvios significativos. Pequenas paradas são toleradas, mas longos desvios para fins pessoais descaracterizam o acidente de trajeto, conforme a jurisprudência do TST e o entendimento da Previdência Social.

Acidente em transporte fornecido pela empresa é de trabalho?

Sim, é equiparado a acidente de trabalho típico. Quando a empresa fornece transporte aos funcionários, o período de deslocamento é considerado tempo à disposição do empregador, gerando responsabilidade direta pela segurança e direito integral às indenizações em caso de acidente.

O trabalhador tem estabilidade após acidente no trajeto?

Sim. Se o afastamento for superior a 15 dias e houver concessão do auxílio-doença acidentário (B91), o trabalhador tem estabilidade de 12 meses garantida pelo art. 118 da Lei 8.213/91, conforme reconhecido pela Súmula 378 do TST.

Como provar o acidente de trajeto na Justiça?

Com Boletim de Ocorrência, CAT, atestado médico, fotos do local, testemunhas e comprovante de residência. O trabalhador deve demonstrar que estava no percurso habitual, em horário compatível com o trabalho, sem desvios que descaracterizem o trajeto residência-trabalho.

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Dr. Welliton Ventura

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