Quem trabalha em plataforma de petróleo da Bacia de Campos, em estaleiro de Niterói ou em obra na capital fluminense sabe: mão e dedo são o maior volume de acidente de trabalho do Brasil. Em setor offshore, esse número vem junto com queimadura, queda e esmagamento.

Em abril de 2025, a plataforma Cherne-1 da Petrobras (Bacia de Campos, 130 km de Macaé) pegou fogo com 176 pessoas a bordo — 32 feridos, 14 com queimaduras. Esse é só um exemplo grande. Os pequenos, que acontecem todo dia e nunca viram notícia, são os que mais chegam no meu escritório.

Meu nome é Welliton Ventura, advogado trabalhista há 15 anos com foco em acidente de trabalho. Atuo em todos os 24 TRTs do Brasil e o Rio de Janeiro está entre os estados de maior volume dos meus processos. Este artigo é pra você, trabalhador fluminense de plataforma, naval, refinaria ou obra — e quer entender o que fazer antes de assinar qualquer acordo.


Quanto a Justiça do RJ paga por acidente

Um dedo amputado: entre R$ 60 mil e R$ 120 mil. Polegar paga mais (25% da função da mão). Indicador vem logo atrás.

Queimadura extensa com sequela estética: dano moral + dano estético chegam facilmente a R$ 100 mil no TRT-1.

Acidente grave em plataforma com invalidez: os valores sobem muito. A Petrobras foi condenada em julho de 2024 a pagar R$ 1 milhão a uma vítima de acidente de trabalho — é precedente público (ConJur).

Perda da capacidade para o ofício: quando você era mergulhador, soldador de plataforma, caldeireiro ou operador e não pode mais voltar à função, a pensão mensal vitalícia é calculada sobre o salário cheio.

> 📊 Quer ver valor real, não minha palavra? Nossa página de valores por estado mostra em tempo real os valores que a Justiça do RJ vem fixando — nº de casos, duração média, taxa de sucesso, valor por tipo de lesão.


Casos e precedentes que valem pro seu caso

Petrobras — indenização de R$ 1 milhão (TST/TRT-1, julho 2024)

Vítima de acidente de trabalho em plataforma da Petrobras recebeu condenação de R$ 1 milhão. Decisão mantida pelo TST. Precedente importante: mesmo com cláusula de exclusividade de função pública, a atividade de petróleo é atividade de risco e gera responsabilidade objetiva.

Incêndio na Plataforma Cherne-1 (abril/2025, Bacia de Campos)

Explosão seguida de incêndio em plataforma a 130 km de Macaé. 32 feridos, 14 com queimaduras. Caso em fase inicial — cada trabalhador tem direito a acionamento individual da empresa contratante, da operadora e da Petrobras (tomadora), com pedidos de dano moral, dano estético, dano material e pensionamento.

Acidente com queda de avião levando petroleiro (TST/TRT-1)

Empresa aérea contratada para transportar trabalhadores de plataforma foi condenada a responder por morte de petroleiro. Precedente firme: em atividade offshore, toda a cadeia responde — operadora, contratante, transportadora, terceirizada.

Plataformas da Bacia de Campos — dados de acidentalidade

Estudo publicado na SciELO mostra taxa de frequência de 17,3 acidentes com afastamento por milhão de horas trabalhadas em plataformas da Bacia de Campos. Isso é muito alto — e é prova estatística de que o setor é de risco, o que gera responsabilidade objetiva automática.


O que mais causa acidente no RJ

Em plataforma (offshore — Bacia de Campos, Bacia de Santos)

Em estaleiro (Niterói, Itaguaí, Angra)

Em obra de construção civil (capital e Baixada)


NR-12, NR-34, NR-35 — o que a empresa violou

No RJ, quatro normas são especialmente cobradas na Justiça:

NR-12 — Segurança em Máquinas e Equipamentos

Cobre torno, serra, esmerilhadeira, guincho, ponte rolante. Itens mais violados:

NR-34 — Construção e Reparação Naval

Específica pro setor de estaleiro. Obriga: sinalização de área de risco, sistema de exaustão em corte/solda, EPI específico pra serviço em espaço confinado, treinamento por equipamento.

NR-35 — Trabalho em Altura

Acima de 2 metros = trabalho em altura. Obriga: análise de risco, cinto paraquedista, talabarte, linha de vida, treinamento com carga horária mínima de 8 horas. Violação gera culpa direta da empresa.

NR-33 — Espaços Confinados

Plataforma, tanque, porão de navio — todo espaço confinado. Obriga monitoramento atmosférico, autorização de entrada, vigia externo. Violações em plataforma são frequentes e geram condenação pesada.

Também aplicam: NR-6 (EPI), NR-18 (construção civil), NR-10 (eletricidade).


EPI, treinamento e técnico de segurança — 3 perguntas

No setor offshore especialmente, responda:

  1. Você recebeu EPI adequado pra serviço em plataforma (macacão retardante à chama, capacete com jugular, óculos ampla visão)?
  2. Teve o curso CBSP (Curso Básico de Segurança de Plataforma) atualizado?
  3. Havia brigada de emergência, vigia de espaço confinado, análise preliminar de risco (APR) do serviço?

Se qualquer resposta for “não”, a empresa violou NR e tem responsabilidade direta.


A empresa te abandonou depois do acidente?

Em setor offshore é ainda pior. Você se acidenta a 100 km da costa, é resgatado de helicóptero, fica no hospital uns dias — e quando sai, a empresa desaparece. Não paga fisioterapia, não paga tratamento psicológico (o que é crítico em vítima de incêndio/explosão), não acompanha cirurgia reparadora.

Isso é ilegal. Art. 19 da Lei 8.213/91 + Código Civil obrigam a empresa a prestar socorro continuado:

Abandono = dano moral majorado por omissão de socorro. TRT-1 valoriza muito essa tese.


Perda do ofício — a tese que multiplica a indenização

Era mergulhador de saturação, soldador de alta pressão, caldeireiro naval, operador de perfuração? E hoje não pode mais?

A Justiça olha pra sua vida profissional inteira destruída. Redução de capacidade fixada em 100% pro ofício original = pensão mensal cheia, vitalícia.

São os casos que mais fechamos contrato e melhor resultado entregamos — exatamente porque o trabalhador offshore tem salário alto, então a pensão cheia representa muito dinheiro por mês, pelo resto da vida.


Cidades do RJ onde atuamos

Capital e Grande Rio: Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São Gonçalo, Niterói, São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis.

Norte Fluminense (onde tá o offshore): Macaé, Campos dos Goytacazes, Rio das Ostras, São Fidélis.

Baixada Fluminense: Magé, Itaboraí, Maricá.

Serrana: Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo.

Sul Fluminense (CSN, metalurgia): Volta Redonda, Resende, Barra Mansa.

Região dos Lagos: Cabo Frio, Armação dos Búzios, Arraial do Cabo.

Atendimento 100% online. Presença obrigatória só no dia da audiência e da perícia.


Quanto tempo dura o processo no TRT-1

Em casos graves (amputação, queimadura extensa, invalidez, morte), a gente pede antecipação de tutela logo na inicial. Começa a receber a pensão em 60-90 dias.


Perguntas que a gente mais ouve

Trabalho em plataforma da Petrobras mas sou terceirizado. Posso processar a Petrobras? Pode. Em atividade de risco (petróleo, offshore), a Petrobras responde solidariamente junto com a terceirizada. Precedente firme no TRT-1 e TST.

Sou estrangeiro ou de outro estado trabalhando no RJ. Tenho os mesmos direitos? Sim. O critério é onde o trabalho aconteceu, não onde você mora. O TRT-1 é competente.

A empresa alegou que eu estava fora do turno no momento do acidente. Mesmo em folga a bordo de plataforma, o trabalhador está sob ordem da empresa. Tudo o que acontece em plataforma conta como acidente de trabalho. Precedente pacífico.

Perdi a audição por barulho constante em plataforma. É acidente? Sim — é doença ocupacional equiparada a acidente. PAIR (Perda Auditiva Induzida por Ruído) é muito comum em offshore e naval. Gera indenização igual a acidente típico.

O CBSP vencido é culpa minha? Não. É responsabilidade da empresa manter os trabalhadores com certificação em dia. Se ela te mandou pra plataforma sem CBSP válido ou treinamento atualizado, a culpa é dela.

Como sei se o valor que me ofereceram é justo? Consulte a página de valores por estado. Compare com o que a Justiça tem fixado.


Próximo passo

Três coisas pra fazer hoje:

  1. Vê o valor real que a Justiça do RJ está fixando na página de valores por estado.
  2. Simula o valor do seu caso na calculadora de indenização.
  3. Entende todos os seus direitos na página Acidente de Trabalho.

Depois disso, se o caso se encaixa, a gente leva pro TRT-1. Há 15 anos é isso que a gente faz.


Leia também