A serra estava girando. A pedra escorregou. A sua mão foi junto. Em um segundo o disco abriu um corte fundo na sua mão, decepou um dedo ou cortou os tendões. Sangue, dor, desespero. E o dono da marmoraria falou: “tinha que estar prestando atenção”. Não foi falta de atenção sua. A máquina é que tinha que ter proteção. Você tem direito.

Marmorista que cortou a mão na serra de bancada. Ajudante de marmoraria que pegou o dedo no disco. Serralheiro ferido na policorte. Trabalhador da serra de fita que perdeu os dedos. Todos têm o mesmo direito — e muitos não cobraram porque acreditaram que a culpa era deles.

Corte de serra na mão é um dos acidentes mais graves da marmoraria e da serralheria. E paga indenização alta.

Por que a culpa é da empresa, não sua

Toda serra, disco e máquina de corte é obrigada a ter proteção. Isso está na lei de segurança de máquinas. A empresa tinha que ter:

  • Proteção (coifa) sobre o disco da serra
  • Empurrador e guia pra mão nunca chegar perto do disco
  • Botão de emergência fácil de alcançar
  • Bancada firme, com a pedra bem apoiada e travada
  • Freio que para o disco rápido quando desliga
  • Treinamento de verdade antes de você usar a serra

Se faltou qualquer um desses itens — e quase sempre falta — a culpa é da empresa. Não importa se você “estava com pressa”, se “tiraram a coifa porque atrapalhava”, ou se a serra era velha. A responsabilidade de manter a máquina segura é da empresa.

Situações que mais cortam a mão na marmoraria e serralheria

  • Mão que escorrega pro disco da serra de bancada
  • Pedra que pula e leva a mão pro corte
  • Dedo preso na serra de fita
  • Corte na policorte e na serra mármore portátil
  • Disco que se solta e atinge a mão
  • Esmerilhadeira (lixadeira) que pula e corta
  • Mão prensada ao levantar chapa de granito pesada
  • Corte ao limpar a máquina ainda ligada

O que fazer agora, logo depois do acidente

  1. Procure o pronto-socorro na hora. Corte de serra precisa de cirurgia rápida pra salvar tendão, nervo e dedo. Não espere.
  2. Exija a CAT. É o comunicado de acidente. A empresa tem 24 horas pra emitir. Se não emitir, você emite direto no INSS, de graça.
  3. Não deixe ninguém mexer na máquina. Peça pra alguém tirar foto da serra sem proteção, com sangue, do jeito que ficou.
  4. Guarde tudo. Atestado, receita, radiografia, laudo, conta de remédio, recibo de transporte.
  5. Anote os colegas que viram. Quem socorreu, quem sabia que a coifa estava tirada, quem ouviu o patrão mandar trabalhar sem proteção.

Seus direitos depois do corte na mão

  • Auxílio acidentário (B91) — se ficou afastado mais de 15 dias, o INSS paga o benefício acidentário. A empresa continua depositando o FGTS durante todo o afastamento.
  • Estabilidade de 12 meses — quando você voltar do afastamento, a empresa não pode te demitir por 12 meses. Se demitir, paga indenização cheia.
  • Indenização por dano moral — pela dor, pelo trauma, pela mão que nunca mais vai ser a mesma, pelo medo de voltar pra serra.
  • Indenização pela mão (dano estético) — mão deformada, dedo a menos, cicatriz grande: tudo isso paga separado.
  • Pensão mensal vitalícia — se a mão ficou com sequela permanente (perda de força, dedo amputado, tendão cortado, sem movimento), você recebe uma pensão todo mês até o fim da vida.

O que NÃO fazer depois do acidente

  • Não diga “a culpa foi minha”. Mesmo se a coifa estava tirada, foi pra produzir mais, do jeito que a empresa cobrava. A culpa de manter a máquina segura é da empresa.
  • Não aceite acordo do patrão sem advogado. A empresa costuma oferecer R$ 3 mil, R$ 5 mil pra “encerrar o assunto”. Caso real do escritório com mão cortada chegou perto de R$ 100 mil.
  • Não jogue fora nada. Radiografia, atestado, foto da máquina: tudo vira prova.
  • Não assine pedido de demissão. Se o patrão pressionar, peça tempo e procure orientação.

Veja quanto vale o seu caso

O valor depende da gravidade do corte, de quantos dedos foram afetados, da sequela, do tempo de afastamento, do seu salário e do estado. Antes de aceitar qualquer oferta da empresa, calcule.

Valores médios por estado

O valor das indenizações varia bastante de um estado pra outro. Veja a tabela de indenização por acidente de trabalho por estado em 2026, com base nos casos reais que acompanhamos.

Perguntas frequentes

1. A coifa da serra estava tirada. Perco o direito?

Não. A empresa é obrigada a manter a proteção e a não deixar trabalhar sem ela. Se a coifa estava tirada, isso pesa contra a empresa, não contra você.

2. Cortei um dedo só. Vale a pena processar?

Vale, e muito. Um dedo a menos ou um tendão cortado é perda permanente, dano estético e dano moral. Casos do escritório com perda de um dedo passaram de R$ 40 mil.

3. A serra era velha e improvisada. Conta contra a empresa?

Conta, e pesa. Manter serra velha, improvisada e sem proteção funcionando é falha grave. Isso reforça que a culpa é da empresa.

4. Minha mão sarou mas o dedo não dobra mais. Tenho direito?

Tem. Dedo que não dobra, perda de força e dormência são sequela permanente. Mesmo com a ferida fechada, a sequela paga pensão e indenização.

5. Quanto tempo tenho pra entrar com a ação?

Até 2 anos depois de sair da empresa. Dentro desses 2 anos, dá pra cobrar os últimos 5 anos de direitos.


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