Você estava carregando a chapa de vidro, montando o box ou instalando a vitrine. O vidro escorregou da mão. A folha trincou de repente. A placa quebrou e a lasca afiada entrou fundo no seu braço. Em um segundo o sangue jorrou. Talvez tenha cortado o tendão, o nervo, a artéria. A mão ficou sem força ou dormente. E o patrão falou: “você não segurou direito”. Não foi falta de jeito seu. O serviço é que tinha que ser seguro. Você tem direito.

Vidraceiro que cortou o pulso quando o vidro quebrou na mão. Quem teve o tendão do dedo cortado pela lasca. Quem levou corte fundo carregando a chapa sem ventosa. Quem furou o braço no caco da vitrine que estilhaçou. Todos têm o mesmo direito — e muitos não cobraram porque acharam que a culpa era deles.

Corte profundo de vidro é acidente grave. Atinge tendão e nervo. E paga indenização alta.

Por que a culpa é da empresa, não sua

Toda vidraçaria e empresa é obrigada a manter o serviço seguro. Isso está na lei de segurança do trabalho. O patrão tinha que ter:

  • Luva de proteção contra corte pra quem mexe com vidro
  • Ventosa e suporte certo pra carregar chapa de vidro
  • Equipe suficiente pra peça grande — nunca uma pessoa só
  • Carrinho próprio de transporte de vidro, não na mão
  • Vidro com a borda lapidada antes de você pegar
  • Treinamento de verdade antes de você manusear e instalar

Se faltou qualquer um desses itens — e quase sempre falta em vidraçaria — a culpa é da empresa. Não importa se você “estava com pressa”, se “sempre carregou na mão mesmo”, ou se você fazia daquele jeito há anos. A responsabilidade de manter tudo seguro é do patrão.

Situações de vidraceiro que mais cortam a mão

  • Chapa de vidro que trinca e corta o braço ao carregar
  • Vidro que escorrega da mão e quebra cortando os dedos
  • Lasca que entra fundo e corta o tendão ou o nervo
  • Box de banheiro que estilhaça na hora da instalação
  • Vitrine que quebra e o caco corta o pulso
  • Corte na borda não lapidada da folha de vidro
  • Vidro temperado que explode sozinho na manipulação
  • Espelho pesado que cai e quebra sobre a mão

O que fazer agora, logo depois do acidente

  1. Procure o pronto-socorro na hora. Corte de vidro pode atingir tendão e artéria. Precisa de cirurgia rápida pra não perder o movimento. Não espere passar.
  2. Exija a CAT. É o comunicado de acidente. A empresa tem 24 horas pra emitir. Se não emitir, você emite direto no INSS, de graça.
  3. Tire foto de tudo. O vidro quebrado, o local, a falta de ventosa, o jeito que a mão ficou.
  4. Guarde tudo. Atestado, receita, exame, laudo, conta de remédio, recibo de transporte.
  5. Anote os colegas que viram. Quem socorreu, quem sabia que faltava luva ou ventosa, quem ouviu o patrão mandar “ir fazendo assim mesmo”.

Seus direitos depois do acidente

  • Auxílio acidentário (B91) — se ficou afastado mais de 15 dias, o INSS paga o benefício acidentário. A empresa continua depositando o FGTS durante todo o afastamento.
  • Estabilidade de 12 meses — quando você voltar do afastamento, a empresa não pode te demitir por 12 meses. Se demitir, paga indenização cheia.
  • Indenização por dano moral — pela dor, pelo trauma, pela mão que nunca mais vai ser a mesma, pelo medo de voltar a mexer com vidro.
  • Indenização pela mão (dano estético) — mão com cicatriz grande, dedo torto, marca funda: tudo isso paga separado.
  • Pensão mensal vitalícia — se a mão ficou com sequela permanente (tendão cortado, dedo sem dobrar, perda de força), você recebe uma pensão todo mês até o fim da vida.

O que NÃO fazer depois do acidente

  • Não diga “a culpa foi minha”. Mesmo se você carregou o vidro na mão, foi pra dar conta do serviço que o patrão cobrava. A culpa de manter tudo seguro é da empresa.
  • Não aceite acordo do patrão sem advogado. A vidraçaria costuma oferecer R$ 3 mil, R$ 5 mil pra “ajudar e encerrar”. Caso real do escritório com tendão cortado chegou perto de R$ 100 mil.
  • Não jogue fora nada. Exame, atestado, foto do vidro: tudo vira prova.
  • Não assine pedido de demissão. Se o patrão pressionar, peça tempo e procure orientação.

Veja quanto vale o seu caso

O valor depende da gravidade do corte, se atingiu tendão ou nervo, da sequela, do tempo de afastamento, do seu salário e do estado. Antes de aceitar qualquer oferta do patrão, calcule.

Valores médios por estado

O valor das indenizações varia bastante de um estado pra outro. Veja a tabela de indenização por acidente de trabalho por estado em 2026, com base nos casos reais que acompanhamos.

Perguntas frequentes

1. Eu estava sem luva. Perco o direito?

Não. A empresa é obrigada a fornecer a luva contra corte e cobrar o uso. Se você estava sem, foi falta dela. A culpa continua sendo da vidraçaria.

2. Trabalho em vidraçaria pequena, sem registro certinho. Tenho direito?

Tem. Mesmo sem registro ou com registro errado, se você trabalhava ali, tem direito. A falta de registro é mais um erro da empresa que pesa a seu favor.

3. O vidro quebrou sozinho na minha mão. Conta contra a empresa?

Conta, e muito. Mandar carregar vidro na mão, sem ventosa e sem equipe, é falha grave. Vidro que quebra sozinho mostra falta de segurança. Isso reforça que a culpa é da empresa.

4. Meu corte sarou mas o dedo não dobra direito. Tenho direito?

Tem. Dedo que não dobra, perda de força e dormência são sequela permanente. Mesmo com a ferida fechada, isso paga pensão e indenização.

5. Quanto tempo tenho pra entrar com a ação?

Até 2 anos depois de sair da empresa. Dentro desses 2 anos, dá pra cobrar os últimos 5 anos de direitos.


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