Você estava enchendo o pneu ou montando o aro. Do nada, um estouro seco. O aro pulou. O pneu explodiu na sua direção. Em um segundo você levou um golpe que quebrou a mão, o braço, machucou a cara, o olho, ou jogou você longe. E o dono da borracharia falou: “isso acontece, faz parte”. Não faz parte. A borracharia tinha que ter segurança pra isso. Você tem direito.

Borracheiro que levou o aro de caminhão na mão. Trabalhador que pegou a explosão do pneu na cara e perdeu visão. Ajudante atingido pela trava do aro. Funcionário com a mão esmagada na desmontadora. Todos têm o mesmo direito — e muitos não cobraram porque acharam que “estouro de pneu é normal no serviço”.

Explosão de pneu e aro é um dos acidentes mais violentos da borracharia. E paga indenização alta.

Por que a culpa é da borracharia, não sua

Toda borracharia que monta pneu, principalmente de caminhão e ônibus, é obrigada a ter segurança. Isso está nas regras de segurança do trabalho. O patrão tinha que ter:

  • Gaiola de proteção (jaula) pra encher pneu de aro, que segura o aro se estourar
  • Calibrador com mangueira longa, pra você ficar longe na hora de encher
  • Equipamento de montagem e desmontagem em bom estado
  • Óculos e proteção pro rosto contra estilhaços
  • Aros e travas inspecionados, sem ferrugem nem trinca
  • Treinamento de verdade pra montar pneu de aro com segurança

Se faltou qualquer um desses itens — e quase sempre falta — a culpa é da empresa. Não importa se você “fazia daquele jeito há anos”, se “encheu o pneu na pressa” ou se o aro “era velho”. A responsabilidade de dar segurança é da borracharia.

Situações que mais ferem o borracheiro

  • Aro de caminhão que pula ao encher o pneu sem gaiola
  • Explosão do pneu na cara, atingindo olho e rosto
  • Mão esmagada na máquina de montar e desmontar pneu
  • Golpe da trava do aro que solta com força
  • Estouro do pneu que joga o trabalhador longe e quebra ossos
  • Queimadura ao mexer com vulcanização e remendo quente
  • Dedo preso no equipamento ao trocar pneu

O que fazer agora, logo depois do acidente

  1. Procure o pronto-socorro na hora. Golpe de aro e explosão de pneu causam fratura, lesão no olho e trauma na cabeça. Não espere passar.
  2. Exija a CAT. É o comunicado de acidente. A empresa tem 24 horas pra emitir. Se não emitir, você emite direto no INSS, de graça.
  3. Não deixe ninguém arrumar a bagunça. Peça pra alguém tirar foto do aro, do pneu, do local sem gaiola, do jeito que ficou.
  4. Guarde tudo. Atestado, receita, radiografia, laudo do olho, conta de remédio, recibo de transporte.
  5. Anote os colegas que viram. Quem socorreu, quem sabia que não tinha gaiola, quem ouviu o patrão dizer pra encher o pneu assim mesmo.

Seus direitos depois do acidente

  • Auxílio acidentário (B91) — se ficou afastado mais de 15 dias, o INSS paga o benefício acidentário. A empresa continua depositando o FGTS durante todo o afastamento.
  • Estabilidade de 12 meses — quando você voltar do afastamento, a empresa não pode te demitir por 12 meses. Se demitir, paga indenização cheia.
  • Indenização por dano moral — pela dor, pelo trauma, pelo susto, pelo medo de voltar a encher pneu.
  • Indenização por dano estético — cicatriz no rosto, mão deformada, olho machucado: tudo isso paga separado.
  • Pensão mensal vitalícia — se ficou sequela permanente (perda de visão, mão sem força, dedo a menos), você recebe pensão todo mês até o fim da vida.

O que NÃO fazer depois do acidente

  • Não aceite “isso faz parte do serviço”. Não faz. Acidente com pneu é evitável com gaiola e equipamento certo. A falta disso é culpa da empresa.
  • Não aceite acordo do patrão sem advogado. A borracharia costuma oferecer R$ 2 mil, R$ 5 mil pra “encerrar”. Caso real do escritório passou bem disso, chegando perto de R$ 100 mil.
  • Não jogue fora nada. Radiografia, atestado, foto do aro e do local: tudo vira prova.
  • Não assine pedido de demissão. Se o patrão pressionar, peça tempo e procure orientação.

Veja quanto vale o seu caso

O valor depende da gravidade da lesão, se atingiu o olho ou o rosto, da sequela, do tempo de afastamento, do seu salário e do estado. Antes de aceitar qualquer oferta da borracharia, calcule.

Valores médios por estado

O valor das indenizações varia bastante de um estado pra outro. Veja a tabela de indenização por acidente de trabalho por estado em 2026, com base nos casos reais que acompanhamos.

Perguntas frequentes

1. Sempre enchi pneu sem gaiola. Isso tira meu direito?

Não. A borracharia é obrigada a ter a gaiola e a exigir o uso dela. Se nunca teve, isso é falha grave da empresa e pesa a seu favor.

2. O pneu me atingiu no olho e enxergo pior. Tenho direito?

Tem, e o valor sobe. Perda ou redução de visão é sequela permanente grave, com dano estético e moral. É dos casos que mais pagam.

3. O aro era velho e enferrujado. Conta contra a empresa?

Conta, e pesa. Manter aro velho, trincado e enferrujado em uso é falha grave de segurança. Reforça que a culpa é da borracharia.

4. Trabalho em borracharia pequena sem registro. Tenho direito?

Tem. Mesmo sem registro, se você trabalhava ali, tem direito. A falta de registro é mais um erro da empresa que pesa a seu favor.

5. Quanto tempo tenho pra entrar com a ação?

Até 2 anos depois de sair da empresa. Dentro desses 2 anos, dá pra cobrar os últimos 5 anos de direitos.


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