A máquina não levou só um dedo. Levou dois, três, ou a mão quase toda. A prensa, a serra, a engrenagem, a fresadora. Em um segundo a sua mão ficou sem os dedos e a sua vida virou de cabeça pra baixo. Como vai segurar uma ferramenta, abotoar a camisa, pegar o filho no colo do mesmo jeito? E ainda ouviu o chefe dizer: “foi descuido”. Não foi descuido seu. A máquina é que tinha que ter proteção. Você tem direito — e direito grande.

Operador que perdeu três dedos na prensa. Marceneiro que perdeu os dedos na serra. Trabalhador de fábrica que teve a mão puxada pela engrenagem. Operário que perdeu metade da mão na máquina. Todos têm o mesmo direito — e perder vários dedos é dos casos que mais pagam.

Quanto mais dedos perdidos, maior a perda da mão — e maior a indenização.

Por que perder vários dedos vale mais

A mão é uma das partes mais importantes pra trabalhar. A indenização olha o quanto a sua capacidade de trabalho e de vida diminuiu. Perder vários dedos pesa mais porque:

  • A perda de força e de movimento é muito maior do que com um dedo só
  • O polegar e o indicador, quando atingidos, prejudicam quase tudo que a mão faz
  • A mão fica com aparência muito alterada (dano estético maior)
  • A dificuldade pra voltar ao mesmo serviço é grande, às vezes impossível
  • O trauma psicológico costuma ser mais pesado

Por isso, a perda de vários dedos costuma somar pensão mensal, dano moral e dano estético em valores bem maiores do que a perda de um dedo só.

Por que a culpa é da empresa, não sua

Toda máquina que prensa, corta ou tem parte que gira é obrigada a ter proteção. A empresa tinha que ter:

  • Proteção fixa ou grade que impede a mão de entrar na zona de perigo
  • Comando que só liga a máquina com as duas mãos longe do risco
  • Sensor que para a máquina quando a mão se aproxima
  • Botão de emergência fácil de alcançar
  • Trava que impede a máquina de ligar sozinha na limpeza e manutenção
  • Treinamento de verdade antes de você operar

Se faltou qualquer um desses itens — e quase sempre falta — a culpa é da empresa. Não importa se você “estava com pressa”, se a proteção “foi tirada pra produzir mais”, ou se a máquina era velha. A responsabilidade de manter a máquina segura é da empresa.

O que fazer agora, logo depois do acidente

  1. Procure o pronto-socorro na hora. Em alguns casos dá pra reimplantar dedo se levar rápido. Guarde a parte amputada no gelo e corra pro hospital.
  2. Exija a CAT. É o comunicado de acidente. A empresa tem 24 horas pra emitir. Se não emitir, você emite direto no INSS, de graça.
  3. Não deixe ninguém mexer na máquina. Peça pra alguém tirar foto da máquina sem proteção, com sangue, do jeito que ficou.
  4. Guarde tudo. Atestado, receita, radiografia, laudo da cirurgia, conta de remédio, recibo de transporte.
  5. Anote os colegas que viram. Quem socorreu, quem sabia que a proteção estava quebrada, quem ouviu o chefe mandar tirar a grade.

Seus direitos depois de perder vários dedos

  • Auxílio acidentário (B91) — se ficou afastado mais de 15 dias, o INSS paga o benefício acidentário. A empresa continua depositando o FGTS durante todo o afastamento.
  • Estabilidade de 12 meses — quando você voltar do afastamento, a empresa não pode te demitir por 12 meses. Se demitir, paga indenização cheia.
  • Indenização por dano moral — pela dor, pelo trauma, pela mão que nunca mais vai ser a mesma, por tudo que mudou na sua vida.
  • Indenização por dano estético — vários dedos a menos deixam a mão muito alterada. Isso paga separado e em valor maior.
  • Pensão mensal vitalícia — perda de vários dedos é sequela permanente que reduz muito a capacidade de trabalho. Você recebe pensão todo mês, podendo ser até o fim da vida.

O que NÃO fazer depois do acidente

  • Não diga “a culpa foi minha”. Mesmo se a proteção estava tirada, foi pra produzir mais, do jeito que a empresa cobrava. A culpa de manter a máquina segura é da empresa.
  • Não aceite acordo do RH sem advogado. A empresa costuma oferecer R$ 5 mil, R$ 10 mil pra “encerrar”. Perder vários dedos vale muito mais. Caso real do escritório chegou perto de R$ 100 mil.
  • Não jogue fora nada. Radiografia, laudo da cirurgia, foto da máquina: tudo vira prova.
  • Não assine pedido de demissão. Se a empresa pressionar, peça tempo e procure orientação.

Veja quanto vale o seu caso

O valor depende de quantos dedos foram perdidos, de quais dedos (polegar e indicador pesam mais), da sequela, do tempo de afastamento, do seu salário e do estado. Antes de aceitar qualquer oferta da empresa, calcule.

Valores médios por estado

O valor das indenizações varia bastante de um estado pra outro. Veja a tabela de indenização por acidente de trabalho por estado em 2026, com base nos casos reais que acompanhamos.

Perguntas frequentes

1. Perder dois ou três dedos vale mais do que perder um?

Vale. Quanto mais dedos perdidos, maior a perda de força e movimento da mão e maior o dano estético. Isso aumenta a pensão e as indenizações.

2. Perdi o polegar. Isso pesa mais?

Pesa, e bastante. O polegar é o dedo mais importante da mão. Sem ele, quase tudo fica difícil. A perda do polegar costuma aumentar bem o valor.

3. Reimplantaram um dedo mas ele não funciona direito. Tenho direito?

Tem. Dedo reimplantado que não tem força nem movimento normal continua sendo sequela permanente. Isso paga pensão e indenização.

4. Não vou mais conseguir fazer o meu serviço. E agora?

Quando a sequela impede de voltar à mesma função, isso pesa muito a seu favor. A indenização e a pensão são calculadas justamente por essa perda de capacidade.

5. Quanto tempo tenho pra entrar com a ação?

Até 2 anos depois de sair da empresa. Dentro desses 2 anos, dá pra cobrar os últimos 5 anos de direitos.


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