A motosserra rebateu. O galho cedeu, a corrente pulou, a máquina voltou contra você. Em um segundo, o corte abriu a perna, o braço ou a mão até o fundo. Sangue demais, socorro longe — porque acidente de motosserra quase sempre acontece no mato, na roça, longe de tudo. E o patrão ainda disse: “motosserra é assim mesmo”. Não é. Você tem direito. Corte grave de motosserra costuma pagar entre R$ 50 mil e R$ 172 mil de indenização, mais o benefício do acidente (código 91) e 1 ano de emprego garantido.

Trabalhador rural derrubando árvore. Operador de motosserra em madeireira ou serraria. Ajudante de poda da empresa de energia ou da prefeitura. Trabalhador de reflorestamento cortando eucalipto. Todos têm o mesmo direito — e a maioria trabalhava sem a calça de proteção anti-corte, que custa menos que um dia de faturamento do patrão.

Por que a culpa é da empresa, não sua

Motosserra é uma das ferramentas mais perigosas que existe, e a lei trata ela assim. A empresa era obrigada a dar:

  • Calça e perneira anti-corte (a fibra trava a corrente antes de chegar na perna)
  • Luva, bota com biqueira, capacete com viseira e protetor de ouvido
  • Motosserra com freio de corrente e trava de segurança funcionando
  • Treinamento de verdade: técnica de corte, risco de rebote, direção de queda da árvore
  • Trabalho em dupla — nunca sozinho no mato, sem ninguém pra socorrer
  • Comunicação e plano de socorro pra área afastada

Se você cortava sem a calça anti-corte, se a motosserra estava sem freio de corrente, se nunca teve treinamento, se estava sozinho no mato — a culpa é da empresa. Não importa se “sempre foi assim na roça”. A obrigação de te proteger era do patrão.

Acidentes de motosserra que mais acontecem

  • Rebote da máquina que corta o rosto, o ombro ou o braço
  • Corte na perna ou no joelho ao derrubar ou traçar tora
  • Corte na mão ao segurar o galho perto da corrente
  • Árvore ou galho que cai em cima do trabalhador
  • Corrente que pula ou arrebenta e chicoteia
  • Acidente na poda em altura, perto da rede elétrica

Seus direitos depois do corte de motosserra

  • Auxílio do INSS pelo acidente (B91) — afastado mais de 15 dias, recebe o benefício acidentário, com FGTS depositado o afastamento inteiro.
  • 1 ano de emprego garantido na volta — não podem te demitir por 12 meses. Se demitirem, pagam indenização cheia.
  • Indenização pela dor (dano moral) — pelo pavor, pela cirurgia, pelos meses sem andar direito.
  • Indenização pela marca que ficou (dano estético) — cicatriz grande de motosserra, músculo afundado, perna deformada: paga separado.
  • Pensão todo mês — se ficou sequela (perna sem força, mão que não fecha, tendão cortado, amputação), a lei garante pagamento mensal que pode ir até o fim da vida.

Corte grave com sequela costuma ficar entre R$ 50 mil e R$ 172 mil — e amputação de mão ou perna passa disso. Se atingiu dedos, veja também a tabela de valores de indenização por dedo.

E tem mais: muito trabalhador rural corta madeira sem registro na carteira. Isso não tira seu direito. Trabalhou, se machucou no serviço, tem direito igual — explicamos no post acidente de trabalho sem carteira assinada.

Dá medo de processar? Entenda por que você pode

O patrão não pode te marcar na região nem impedir você de arrumar outro serviço — isso é proibido e gera mais indenização. E você não paga nada pra começar: o advogado só recebe se você ganhar. O processo corre mesmo você morando longe, porque hoje tudo é online.

O que NÃO fazer depois do acidente

  • Não diga “a culpa foi minha”. Mesmo que você tenha cortado do jeito que sempre cortou, era o patrão que tinha que dar a calça anti-corte e o treinamento.
  • Não aceite acordo sem saber o valor real. Na roça o patrão oferece uns trocados e a conta do hospital pra “resolver”. Corte grave com sequela vale dezenas de vezes isso.
  • Não jogue fora nada. Laudo da cirurgia, foto do corte, a roupa comum que você usava: tudo vira prova.
  • Não assine pedido de demissão. Se pressionarem, peça tempo e procure orientação antes de assinar qualquer papel.

E repare numa outra coisa: depois do acidente, o patrão pagou seu tratamento até o fim? Custeou a fisioterapia? Ou te deixou na mão do SUS e sumiu? A lei obriga a empresa a acompanhar o seu tratamento até o fim — consulta, fisioterapia, remédio, readaptação. Quando ela te leva pro hospital no dia e depois some, esse abandono é mais um erro dela que aumenta a indenização. Juiz valoriza muito esse ponto.

Veja quanto vale o seu caso

O valor depende da profundidade do corte, da sequela, do tempo parado, do seu salário e do estado. Antes de aceitar qualquer “ajuda” do patrão, calcule.

O que fazer agora, passo a passo

  1. Procure o hospital na hora. Corte de motosserra é fundo e suja fácil — infecção piora a sequela.
  2. Exija a CAT. É o papel do acidente. A empresa tem 24 horas pra emitir. Se não emitir, você emite direto no INSS, de graça — mesmo sem carteira assinada.
  3. Fotografe tudo. A motosserra, o local, a roupa comum que você usava no lugar da calça anti-corte.
  4. Guarde os papéis. Atestado, laudo da cirurgia, receita, conta de remédio, recibo do transporte até a cidade.
  5. Anote quem viu. O colega que socorreu, quem sabia que não tinha equipamento, quem trabalhava do mesmo jeito.
  6. Fique de olho no prazo. Você tem até 2 anos depois de sair do serviço pra entrar com a ação.

Valores médios por estado

O valor das indenizações varia bastante de um estado pra outro. Veja a tabela de indenização por acidente de trabalho por estado em 2026, com base nos casos reais que acompanhamos.

Perguntas rápidas

Trabalhava na roça sem carteira assinada. Tenho direito? Tem. Sem registro o direito continua — a Justiça reconhece o vínculo e a falta de registro ainda pesa contra o patrão.

A motosserra era minha, não da empresa. Muda algo? Não muda o principal: quem manda no serviço responde pela segurança. Se você usava sua ferramenta pro serviço dele, a responsabilidade continua do patrão.

O corte sarou mas a perna ficou dormente e fraca. Ainda dá? Dá. Tendão e nervo cortados deixam sequela permanente mesmo com a ferida fechada. Isso paga indenização e pensão.

Quanto tempo tenho pra entrar com a ação? Até 2 anos depois de sair do serviço. Dentro desses 2 anos, dá pra cobrar os últimos 5 anos de direitos.


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Dr. Welliton Ventura

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