Sua mão ficou sem movimento depois do acidente de trabalho — não fecha mais totalmente, não segura peso, não faz mais o gesto fino que fazia antes? Isso é sequela permanente com direito a indenização, mesmo sem amputação nenhuma. Nos processos que já conduzimos, casos graves de perda de função da mão ficaram entre R$ 140 mil e R$ 688 mil — somando dano moral, estético e pensão.

Muita gente pensa que só perda de dedo ou de mão inteira gera direito. Não é verdade: mão que perdeu força, que trava, que não fecha o punho, que ficou com dor crônica — tudo isso é sequela que a perícia reconhece e a Justiça indeniza.

Sou o Welliton Ventura. Há 15 anos só faço acidente de trabalho — mais de 3.000 casos, mais de R$ 41 milhões recuperados. Vou te explicar seus direitos.

O que conta como “mão sem movimento” pra Justiça

  • Perda de força de aperto (não segura mais peso como antes)
  • Limitação de movimento do punho ou dos dedos (não fecha totalmente a mão)
  • Lesão de nervo com dormência ou formigamento permanente
  • Dor crônica que impede movimento repetitivo
  • Cicatriz interna que limita a flexão dos dedos

Um caso real que acompanhamos mostra bem esse tipo de sequela: um eletricista sofreu descarga elétrica operando uma rede energizada sem que a empresa desligasse a chave como ele pediu. A mão esquerda, que era a dominante, ficou com lesão grave de nervo, perda de mobilidade permanente e tremor constante. A Justiça reconheceu R$ 688.910,56 de indenização, já paga.

Por que a culpa costuma ser da empresa

  • A máquina, o painel ou a instalação estava em condição segura pra operar?
  • Você recebeu treinamento certificado pra aquele risco específico?
  • O EPI fornecido era o correto pra função, em bom estado?
  • Havia técnico de segurança acompanhando o setor?

Seus direitos

  • Benefício acidentário do INSS (B91) se afastado mais de 15 dias
  • 1 ano de estabilidade ao voltar
  • Dano moral pelo trauma
  • Dano estético se ficou cicatriz ou deformidade
  • Pensão mensal proporcional à perda de função

📊 Quer ver valor real, não a nossa palavra? Nossa página de valores por estado mostra os valores que a Justiça vem fixando em cada canto do Brasil — dado público, atualizado.

Se a mão sem movimento te impede de continuar exercendo a mesma função — soldador que não segura mais o maçarico firme, costureira que não controla mais a agulha — existe a tese da perda do ofício, com pensão sobre o salário cheio.

O que NÃO fazer

  • Não aceite a ideia de que “sem amputação não tem processo” — perda de movimento também gera indenização.
  • Não assine acordo sem laudo médico e sem calcular o valor real.
  • Não jogue fora exame, laudo neurológico ou fisioterapia.

Passo a passo

  1. Faça todos os exames indicados — eletroneuromiografia, ressonância, o que o médico pedir.
  2. Exija a CAT.
  3. Guarde todo laudo e receituário.
  4. Anote quem viu o acidente.
  5. Você tem até 2 anos depois de sair da empresa pra processar.

O abandono depois do acidente também conta no processo

Muita gente sente que foi abandonada pela empresa depois do acidente. É um padrão que vemos direto: a empresa leva você pro hospital, paga a primeira consulta, às vezes emite a CAT — e depois some. Não liga pra saber como você está. Não paga fisioterapia. Não acompanha a reabilitação. Te devolve pro INSS e desaparece. Por lei, a empresa tem obrigação de prestar socorro continuado: pagar tratamento médico completo, fisioterapia, acompanhamento psicológico quando necessário e cuidar da sua readaptação até você voltar — ou indenizar direito pelo que não voltou. Quando a empresa abandona o trabalhador depois do acidente, isso vira mais um argumento no processo, e juiz valoriza muito esse ponto.

Dá medo de processar? Entenda por que você pode

Muito trabalhador não processa porque tem medo de “ficar marcado” no mercado, ou acha que processo é coisa de gente rica. Nenhum dos dois é verdade. A empresa não pode te marcar nem espalhar seu nome pra outras empresas — isso é proibido por lei e ainda gera mais indenização se acontecer. E você não paga nada pra começar: o advogado só recebe se você ganhar o processo. Dá até pra processar ainda trabalhando na mesma empresa, sem precisar pedir demissão — explicamos isso com detalhe no post sobre processar a empresa mesmo recebendo benefício do INSS.

Perguntas frequentes

O médico disse que a lesão “não tem cura, mas também não é grave”. Ainda tenho direito? Tem. Qualquer perda permanente de movimento, força ou sensibilidade é sequela indenizável, independentemente do grau.

Faço fisioterapia e melhorei um pouco. Isso tira meu direito? Não. Melhora parcial não apaga a sequela permanente que ficou — a perícia avalia o que restou, não o que era antes.

A perda de movimento é mais na mão que eu menos uso. Tenho direito do mesmo jeito? Tem, mas o valor tende a ser maior quando a mão afetada é a dominante — a que você mais usa pra trabalhar.

Quanto tempo tenho pra processar? Até 2 anos depois de sair da empresa, cobrindo os últimos 5 anos de direitos.


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Dr. Welliton Ventura

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