A perícia do INSS é o exame com um médico do governo que decide se você recebe benefício depois do acidente de trabalho — e qual benefício. Ela define seu dinheiro, sua estabilidade e seu FGTS. Segundo o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho (OIT/MPT, 2025), o Brasil registrou 8,8 milhões de acidentes de trabalho entre 2012 e 2024.
Você não está sozinho nessa fila. Se a sua perícia já está marcada, respira. Este guia mostra o passo a passo, o que levar e os erros que derrubam benefício todo dia. É o tipo de conversa que temos com trabalhador acidentado toda semana aqui no escritório — já passamos por mais de 3.000 casos como o seu.
Como funciona a perícia do INSS depois de um acidente de trabalho?
Funciona assim: você se machucou e ficou mais de 15 dias sem conseguir trabalhar. A partir do 16º dia, quem paga não é mais a empresa. É o INSS. Mas o INSS só paga depois que um médico dele olha você. Esse exame é a perícia.
No dia marcado, você vai até a agência do INSS. Chega com antecedência. Entra numa sala com o médico perito. Ele lê seus documentos, faz perguntas sobre o acidente e sobre a dor, e examina a região machucada. Tudo isso dura pouco. Muitas vezes, menos de 15 minutos.
E é aí que mora o perigo. O perito não te conhece. Ele não viu o acidente. Ele não sabe da sua noite mal dormida. Ele só vê o que está na papelada e o que você mostra ali, naquele momento. Perícia não é consulta de tratamento. É uma avaliação que decide se o benefício sai ou não — e de que tipo. Essa diferença de tipo muda tudo, como você vai ver mais abaixo. Para entender o cenário completo, veja os 4 benefícios do INSS em acidente de trabalho.
O que levar no dia da perícia?
Perícia se ganha com papel. O perito acredita em documento, não em palavra. Leve tudo, mesmo que ache repetido:
- Documento com foto e CPF — sem isso, você nem entra.
- CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) — o papel que liga o machucado ao trabalho. Se a empresa não emitiu, o sindicato ou o próprio médico podem emitir. Corra atrás antes da perícia.
- Todos os laudos e atestados médicos — com CID (o código da doença), data e assinatura do médico. Atestado sem CID vale muito pouco.
- Exames de imagem — raio-X, ressonância, tomografia, ultrassom. Leve o laudo E as imagens.
- Receitas de remédio — mostram que você está em tratamento de verdade.
- Comprovantes de fisioterapia e consultas — cada sessão conta uma história.
- Relatório do seu médico — peça um relatório dizendo o que você tem, desde quando, e por que não pode trabalhar. É o documento mais forte de todos.
- Carteira de trabalho ou contracheque — prova o vínculo com a empresa.
Organize tudo numa pasta, do mais recente para o mais antigo. Perito com pressa lê o que está por cima. Facilite a vida dele — a seu favor.
O que NÃO dizer na perícia?
Aqui é onde muito trabalhador honesto perde o benefício. Não é mentir. É não se derrubar sozinho. Veja os erros que vemos se repetir:
- “Já estou melhorzinho.” O trabalhador fala por educação, por orgulho, por costume. O perito escreve: “paciente refere melhora”. Benefício negado. Se você ainda sente dor, diga que sente dor.
- Minimizar a dor. “Ah, dói só um pouco quando pego peso.” Você pega peso o dia inteiro no serviço. Fale a verdade completa: “não consigo pegar peso, e meu trabalho é pegar peso”.
- Dizer que “dá pra ir levando”. Pro perito, isso significa que você pode trabalhar. Se cada dia de serviço é sofrimento, é isso que ele precisa ouvir.
- Ir sem laudos. “Ah, o INSS já tem tudo no sistema.” Não conte com isso. Sem papel na mão, é a sua palavra contra a caneta do perito.
- Esconder que o machucado foi no trabalho. Alguns têm medo de “prejudicar a empresa” ou de perder o emprego. Resultado: o benefício sai como doença comum, sem os direitos do acidente. Você paga a conta do silêncio.
- Exagerar ou inventar. Perito é treinado para perceber teatro. Se ele desconfiar, joga seu caso inteiro no lixo. Verdade completa, sem aumentar e sem diminuir. É isso.
Perícia deu B31 em vez de B91: por que isso te prejudica?
Essa é a pegadinha mais cara da perícia. Os dois benefícios pagam parecido por mês. Mas são mundos diferentes.
O B31 é o auxílio-doença comum. O INSS diz: “você está doente, mas isso não tem a ver com o trabalho”. Você recebe enquanto está afastado e pronto. Acabou o benefício, a empresa pode te mandar embora no dia seguinte.
O B91 é o auxílio-doença acidentário. O INSS reconhece: “você se machucou por causa do trabalho”. E isso muda sua vida:
- Estabilidade de 12 meses — quando você voltar, a empresa não pode te demitir sem justa causa por 1 ano.
- FGTS depositado — a empresa continua depositando seu FGTS durante todo o afastamento. No B31, não deposita nada.
- Porta aberta para a indenização — o B91 é o reconhecimento oficial de que houve acidente de trabalho. Ele fortalece seu pedido de indenização contra a empresa na Justiça.
E aqui vai o alerta: o perito pode dar B31 num caso que é claramente de acidente. Acontece quando falta a CAT, quando o trabalhador não fala que foi no serviço, ou por avaliação apressada. Muita gente recebe o B31, vê dinheiro caindo na conta e acha que está tudo certo. Não está. Você está perdendo estabilidade e FGTS calado. Entenda em detalhe o que é o B91 e quanto ele paga — e se recebeu B31 num caso de acidente, dá para pedir a conversão.
E se o perito negar?
Primeiro: negativa de perícia não é o fim. É comum — e tem saída.
Você pode entrar com recurso administrativo no prazo de 30 dias, pelo Meu INSS. Pode também fazer um pedido de reconsideração com documentos novos, como um laudo mais completo do seu médico. E se o INSS insistir no erro, dá para entrar na Justiça. Lá, quem examina você é um perito judicial, que costuma olhar o caso com mais calma.
Importante: benefício negado ou cortado cedo demais não apaga seus outros direitos. A indenização contra a empresa é um caminho separado, que corre na Justiça do Trabalho. Trabalhador com sequela de acidente pode ter direito a valores que variam bastante pelo país — veja os valores de indenização por estado. Somos ultraespecialistas em acidente de trabalho: é só isso que fazemos, o dia inteiro, todos os dias.
Perguntas frequentes
Quanto tempo demora a perícia do INSS?
O exame em si é rápido: em geral de 10 a 20 minutos. O que demora é a fila para conseguir a data. Por isso, agende assim que completar os 15 dias de afastamento e chegue com todos os documentos prontos.
Posso levar acompanhante na perícia?
Pode, e em muitos casos vale a pena. Se você tem dificuldade para andar, falar ou lembrar detalhes, o acompanhante ajuda. A entrada dele na sala depende do perito, mas ele pode esperar do lado de fora com seus documentos organizados.
O que acontece se eu faltar na perícia?
O pedido pode ser arquivado e o benefício, negado por falta. Se tiver um motivo justo — internação, por exemplo — dá para justificar e remarcar. Mas evite: faltar atrasa tudo em semanas ou meses.
A empresa fica sabendo do resultado da perícia?
Ela fica sabendo do seu afastamento e do tipo de benefício, porque isso afeta as obrigações dela — como o FGTS no B91. Mas o benefício é um direito seu. A empresa não pode te punir por buscar o INSS.
Recebi B31, mas meu caso é acidente de trabalho. E agora?
Você pode pedir a conversão do B31 em B91, provando a ligação entre o machucado e o trabalho — com CAT, laudos e relatórios. A conversão garante estabilidade de 12 meses e FGTS do período. Um advogado que vive disso acelera muito esse caminho.
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