Você se machucou no trabalho, ficou afastado e o INSS te deu um benefício. Mas qual: o 91 ou o 31? Essa letrinha muda tudo. O B91 é o benefício certo de quem se acidentou no trabalho: paga por volta de 90% da média dos seus salários, a empresa continua depositando seu FGTS e você ganha 1 ano de emprego garantido quando voltar. E se o acidente deixou sequela, a indenização na Justiça costuma ficar entre R$ 38 mil e R$ 82 mil só nos casos de mão e dedo.

O problema: muita empresa empurra o trabalhador pro B31 (auxílio comum, “doença que não tem nada a ver com o trabalho”) de propósito. Porque o B31 não dá estabilidade, não obriga a depositar FGTS e não deixa rastro do acidente. Se isso aconteceu com você, dá pra corrigir.

B91 x B31: a diferença que vale dinheiro

  • B91 (acidentário) — pra quem se machucou no trabalho ou pegou doença por causa do trabalho. A empresa continua depositando o FGTS todo mês do afastamento. Quando você volta, não podem te demitir por 12 meses.
  • B31 (comum) — pra doença que não tem ligação com o trabalho. Sem FGTS durante o afastamento. Sem emprego garantido na volta. A empresa pode te demitir no dia seguinte à alta.

Os dois pagam parecido por mês. A diferença está no que vem junto: FGTS, estabilidade e a prova de que o seu problema veio do trabalho — que é a porta de entrada da indenização.

Quanto o B91 paga por mês

O INSS faz uma média dos seus salários e paga em torno de 91% dessa média (respeitando o teto do INSS). Na prática: quem ganha R$ 2.000 recebe algo perto de R$ 1.800 por mês. Não é o salário cheio — e é por isso que a indenização contra a empresa importa tanto: ela cobre o que o INSS não paga.

Quem tem direito ao B91

  • Quem se machucou dentro da empresa (máquina, queda, corte, queimadura, esmagamento)
  • Quem se machucou no trajeto de casa pro trabalho ou do trabalho pra casa
  • Quem desenvolveu doença por causa do serviço (tendinite do trabalho, coluna, perda de audição)
  • Quem ficou mais de 15 dias afastado por causa do acidente — os primeiros 15 dias quem paga é a empresa

Como pedir o B91, passo a passo

  1. Exija a CAT. É o papel do acidente. A empresa tem 24 horas pra emitir. Se ela se recusar, você mesmo emite de graça no site ou app do INSS — o sindicato e o médico também podem emitir.
  2. Junte os papéis do médico. Atestado dizendo que a lesão veio do trabalho, exames, radiografia, receitas.
  3. Agende a perícia pelo Meu INSS (site, app ou telefone 135).
  4. Na perícia, conte a verdade e mostre tudo. Diga que foi acidente de trabalho e leve a CAT. É isso que garante o código 91.
  5. Confira a carta de concessão. Se vier escrito B31, dá pra pedir revisão.

O INSS negou ou deu B31 no lugar do B91. E agora?

Acontece todo dia — e tem conserto:

  • Peça reconsideração no próprio INSS em até 30 dias, juntando a CAT e os laudos.
  • Converta o B31 em B91. Se ficar provado que a lesão veio do trabalho, o benefício muda de código — e você recupera o FGTS que a empresa deixou de depositar e ganha a estabilidade.
  • Se a empresa se recusou a emitir a CAT, isso pesa contra ela no processo. Recusar CAT é esconder acidente.
  • Na Justiça, dá pra corrigir o benefício e ainda cobrar a indenização pelo acidente ao mesmo tempo.

Importante: receber o B91 não te impede de processar a empresa. O benefício é do INSS; a indenização é da empresa que deixou faltar segurança. São dois direitos separados que se somam — explicamos em detalhe no post posso processar a empresa mesmo recebendo benefício do INSS.

Erros que mais custam caro no B91

  • Não contar na perícia que foi acidente de trabalho. Tem trabalhador que esconde com medo da empresa — e sai com B31, perdendo FGTS e estabilidade. Conte a verdade e leve a CAT.
  • Aceitar o “não precisa de CAT” do RH. Precisa. Sem CAT o INSS tende a dar o código errado, e a empresa sabe disso.
  • Voltar a trabalhar antes da alta porque a empresa pediu. Isso pode derrubar o benefício e piorar a lesão.
  • Assinar acordo ou pedido de demissão no meio do afastamento. É nesse momento que a empresa tenta se livrar da estabilidade. Não assine sem orientação.

E repare numa outra coisa: durante o afastamento, a empresa acompanhou seu tratamento? Pagou fisioterapia, remédio, consulta com especialista? A lei obriga a empresa a cuidar de você até o fim da recuperação — quando ela te entrega pro INSS e some, esse abandono aumenta a indenização na Justiça.

Veja quanto vale o seu caso

Se o acidente deixou sequela — mão sem força, dedo a menos, coluna travada, marca no corpo — você tem direito a indenização além do B91. O valor depende da lesão, do tempo parado, do salário e do estado.

Direitos que vêm junto com o B91

  • FGTS depositado todo mês do afastamento, como se você estivesse trabalhando.
  • 1 ano de emprego garantido depois da alta — não podem te demitir por 12 meses. Se demitirem, pagam indenização cheia. Veja o post sobre estabilidade depois do acidente de trabalho.
  • Contagem de tempo pra aposentadoria durante o afastamento.
  • Uma grana do INSS todo mês depois que voltar — se ficou sequela que reduz sua capacidade, existe outro benefício (auxílio-acidente) pago junto com o salário.
  • Indenização na Justiça — dano moral, dano estético e pensão, se ficou marca ou sequela. Mão e dedo costumam ficar entre R$ 38 mil e R$ 82 mil.

Valores médios por estado

O valor das indenizações varia bastante de um estado pra outro. Veja a tabela de indenização por acidente de trabalho por estado em 2026, com base nos casos reais que acompanhamos.

Perguntas rápidas

Estou no B31 mas me machuquei no trabalho. Dá pra mudar pro 91? Dá. Com a CAT e os laudos médicos, o benefício pode ser convertido — e você recupera o FGTS não depositado e ganha a estabilidade de 1 ano.

A empresa não quis emitir a CAT. Perco o B91? Não. Você mesmo emite a CAT de graça no site do INSS. O sindicato e até o médico podem emitir. E a recusa da empresa pesa contra ela na Justiça.

Recebendo o B91 eu posso processar a empresa? Pode. O benefício é do INSS e a indenização é da empresa. Um não anula o outro — eles se somam.

Voltei do B91 e fui demitido em seguida. E agora? Demissão dentro dos 12 meses de estabilidade é ilegal. Você tem direito aos salários do período inteiro ou à reintegração, além da indenização pelo acidente. O prazo pra agir é de até 2 anos depois de sair da empresa.


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Dr. Welliton Ventura

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