Faz tempo que dói. Começou um aperto no ombro, depois subiu pro pescoço, depois desceu pro braço. Não consegue mais dormir do lado dolorido. Pra abrir um vidro, levantar uma criança, segurar a sacola do mercado — tudo dá pontada. Você foi no médico e ele disse: tendinite. E quase certo: causada pelo trabalho.

Mas aí veio o problema: tendinite não tem corte, não tem fratura, não tem sangue. A empresa nega, diz que “todo mundo tem dor”, que “foi de carregar a criança em casa”, que “é da idade”. E te negaram a CAT. E você não sabe como provar.

Pode provar, sim. E recebe indenização. Esse texto te mostra como.

Por que tendinite do ombro é doença do trabalho

Tendinite e bursite no ombro são doenças causadas por movimento repetido com o braço, esforço com peso acima da cabeça, postura ruim por muito tempo, vibração e impacto. Quando o trabalho exige isso — repetidamente, todo dia, por meses ou anos — a Justiça reconhece como doença ocupacional.

Doença ocupacional tem os mesmos direitos do acidente de trabalho comum. Mesma estabilidade, mesma indenização, mesma pensão. Só muda a forma de provar.

Funções que mais geram tendinite de ombro

  • Pedreiro, servente, pintor (braço acima da cabeça o dia todo)
  • Operador de caixa de supermercado (passar produto pelo leitor mil vezes)
  • Carregador, estoquista, ajudante de descarga
  • Operador de linha de produção (movimento repetido)
  • Cabeleireira, barbeiro, manicure (braço levantado horas)
  • Faxineira, diarista, profissional de limpeza
  • Costureira, bordadeira em indústria têxtil
  • Auxiliar de cozinha (panela pesada, fritura, lavar louça)
  • Motorista de caminhão (vibração e descarga)
  • Profissional de saúde (movendo paciente, lavando paciente)

Como provar a tendinite no processo

  1. Atestados médicos — todos. De clínico, ortopedista, fisioterapeuta. Quanto mais antigos, melhor (mostra que vem de tempo).
  2. Ressonância magnética e ultrassom do ombro — mostra o tendão inflamado, a bursa, o supraespinhoso. Vale ouro.
  3. CAT — comunicado de acidente. Se a empresa não emitir, você emite no INSS, grátis. Pra doença, você marca como “doença do trabalho”.
  4. Descrição da função no contrato — quanto mais o contrato descreve movimento, peso, repetição, mais forte.
  5. Testemunhas — colegas que viam você reclamando, que tinham a mesma função, que sabiam do esforço.
  6. Foto e vídeo do trabalho — se conseguir, mostrando a posição, o peso, a repetição.
  7. Receita médica e fisioterapia — todas as consultas, todas as sessões.

Seus direitos com tendinite ocupacional

  • Auxílio acidentário (B91) — pago pelo INSS durante afastamento. FGTS depositado pela empresa.
  • Estabilidade de 12 meses — quando você voltar, não pode ser demitido por 1 ano.
  • Indenização por dano moral — pela dor crônica, pela limitação na vida.
  • Indenização por dano material — fisioterapia, médico particular, exame.
  • Pensão mensal vitalícia — se a tendinite virou sequela permanente (limitação de movimento, dor crônica).
  • Mudança de função na empresa — você pode pedir realocação, e a empresa é obrigada a tentar.

Mas e se a empresa disser que NÃO foi do trabalho?

É exatamente isso que toda empresa diz. “Você sempre teve dor”. “Pega peso em casa”. “Joga futebol no fim de semana”. “É da idade”.

A Justiça olha o conjunto. Se sua função exige movimento repetido com o braço E você desenvolveu tendinite — a relação é provável, e o ônus de PROVAR o contrário fica com a empresa. A perícia médica judicial verifica o tendão, o tipo de lesão, e cruza com a função. Em quase todo caso bem documentado, ganha o trabalhador.

O que NÃO fazer

  • Não esconda a dor. Toda consulta, fala da dor, fala que vem do trabalho. Faz parte do registro médico.
  • Não jogue fora exame, atestado, receita. Tudo vale como prova depois.
  • Não aceite acordo do RH sem advogado. Empresa oferece R$ 3 mil, R$ 5 mil “pelo desconforto”. Caso real do escritório com tendinite de ombro passou de R$ 80 mil.
  • Não peça demissão. Se você pedir, perde estabilidade, perde direito. Se a empresa pressionar, peça tempo.

Veja quanto vale o seu caso

O valor depende da gravidade da tendinite, do tempo de afastamento, da sequela, do salário e do estado. Calcule antes de aceitar qualquer oferta.

Valores médios por estado

O valor varia por região. Veja a tabela de indenização por acidente de trabalho por estado em 2026.

Perguntas frequentes

1. Já tenho tendinite há 2 anos e ainda trabalho. Posso processar?

Pode. Tendinite que persiste é doença caracterizada. Você pode processar ainda trabalhando — e ainda pedir afastamento e mudança de função.

2. A empresa pôs B31 (não acidentário). Posso mudar?

Pode. Na Justiça do Trabalho dá pra reconhecer como B91 (acidentário). Isso garante FGTS no afastamento e estabilidade.

3. Já saí da empresa há 1 ano. Ainda dá?

Dá. Você tem 2 anos depois de sair pra processar. Mesmo se a tendinite só ficou pior depois de sair, conta — se a origem foi o trabalho.

4. Faço fisioterapia particular. Recupera o valor?

Recupera. Guarda recibo, nota fiscal, prescrição. Tudo entra como dano material.

5. Tenho que pagar advogado antes pra processar?

Não. O advogado recebe um percentual no final, e só recebe se você ganhar. Sem entrada, sem mensalidade.


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