Cortei o tendão da mão no trabalho: tenho direito a indenização?
Sim. Quem corta o tendão ou um nervo da mão num acidente de trabalho tem direito a indenização, mesmo sem perder o dedo. Isso porque a mão pode ficar com menos força, sem sentir ou sem mexer direito — e isso atrapalha o trabalho do mesmo jeito. Casos assim costumam ficar na faixa de R$ 42 mil a R$ 82 mil, podendo passar disso quando a sequela é grande e perto do teto que costumamos trabalhar, de R$ 100 mil.
Cortar tendão ou nervo é acidente de trabalho?
É, sim — quando acontece de repente, no serviço: a faca escorregou, a chapa cortou, o vidro estourou, a serra pegou. Esse é o que chamamos de acidente de verdade (um trauma, uma pancada, um corte na hora). É diferente de uma doença que vem devagar com o tempo.
Mesmo que o dedo continue no lugar, o estrago pode ser grande: tendão cortado significa que o dedo não dobra ou não estica direito; nervo cortado significa que a mão fica dormente ou sem força. Tudo isso conta na hora da indenização.
Quanto vale a indenização por tendão ou nervo cortado?
Não tem valor fixo. O que pesa é o quanto a mão ficou comprometida depois do conserto (cirurgia e fisioterapia). Pra ter uma ideia das faixas:
- Lesão na mão com sequela leve a média: por volta de R$ 42 mil a R$ 82 mil.
- Sequela maior, com perda de movimento ou de força importante: pode chegar à faixa de R$ 72 mil a R$ 155 mil somando tudo.
Num caso julgado pelo TRT da 4ª Região, um trabalhador que teve a mão lesionada por uma máquina foi indenizado pela empresa, mesmo nos casos em que parte da mão foi preservada (veja a notícia oficial do TRT-4).
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O que você pode receber?
- Dano moral: pela dor, pela cirurgia e pelo tempo parado.
- Dano estético: se ficou cicatriz ou o dedo ficou torto.
- Pensão: se a mão perdeu força ou movimento que você precisa pro trabalho.
- Despesas: cirurgia, fisioterapia, remédios e transporte.
Como provar que cortou no trabalho?
Junte tudo que puder:
- CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) — peça pra empresa emitir;
- Atendimento no hospital ou pronto-socorro no dia;
- Fotos do corte e do local;
- Nomes de colegas que viram;
- Laudo do médico depois da cirurgia, mostrando a sequela.
Se a empresa se recusar a emitir a CAT, isso pesa contra ela. Veja mais no guia de acidente de trabalho e na página de valores por estado.
Perguntas frequentes
1. O dedo ficou no lugar. Mesmo assim tenho direito?
Tem. O que importa é a perda de função (força, sensibilidade, movimento), não só perder o dedo.
2. Fiz cirurgia e melhorou. Ainda recebo?
Pode receber. Mesmo melhorando, costuma ficar alguma sequela, e você passou pela dor, pela cirurgia e pelo tempo parado.
3. E se foi uma doença de esforço, não um corte?
Aí é outra situação. Este texto fala de corte de repente (acidente). Se for desgaste com o tempo, fale com a gente que avaliamos separado.
4. Recebo do INSS. Posso processar a empresa também?
Pode. O INSS é uma coisa; a indenização da empresa é outra. Uma não cancela a outra.
5. Quanto custa pra começar?
Em geral nada. O acerto é feito sobre o que você ganhar no final.
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