Atualizado em 10 de junho de 2026 — por Dr. Welliton Ventura

Sim. Quem perde a mão — ou parte dela — no trabalho tem direito a indenização. Na nossa experiência, os casos graves de mão ficam na faixa de R$ 60 mil a R$ 120 mil só de dano moral e estético, mais uma pensão todo mês pro resto da vida. E se a Justiça reconhecer que você perdeu o seu ofício, a pensão é sobre o salário CHEIO. Vou te explicar tudo, com a conta na frente.

A prensa desceu antes da hora. Ou a serra puxou a luva. Ou o rolo da máquina pegou os dedos e não soltou mais. Em um segundo, a mão que sustentava sua casa virou outra coisa. Você olhou pra ela e soube, na hora, que sua vida tinha mudado.

Agora o fato duro: a mão é a parte do corpo mais atingida em acidente com máquina no Brasil. Mão e dedo somam algo entre 60% e 70% dos acidentes graves de máquina no país. Prensa, serra, guilhotina, injetora, rolo, esteira — todas pegam a mão primeiro. Você não é o único. E você não é o culpado.

Eu sou o Welliton Ventura. Há 15 anos eu cuido de uma coisa só: acidente de trabalho. Não faço divórcio, não faço multa de trânsito. Somos ULTRAESPECIALISTAS em acidente de trabalho: mais de 3.000 casos e mais de R$ 41 milhões recuperados pra trabalhadores como você. Mão esmagada, dedo decepado, mão amputada — é o que eu vejo todo dia. E vou te mostrar, ponto por ponto, o que a empresa te deve.

1 – O que fazer na hora do acidente (e nos primeiros dias)

Se o acidente acabou de acontecer, faz isso na ordem:

  1. Cuida da saúde primeiro. Hospital, cirurgia, curativo. Guarda TODO papel que te derem: ficha de atendimento, receita, atestado, laudo. Tudo.
  2. Exige a CAT. É o documento oficial do acidente. A empresa é obrigada a emitir. Falo dela logo abaixo.
  3. Tira foto da mão. Hoje, amanhã, toda semana. A cicatrização é prova. Foto com data vale ouro.
  4. Tira foto da máquina, se puder. Você ou um colega. Máquina sem proteção, sem botão de emergência — isso decide processo.
  5. Anota o nome de quem viu. Colega do lado, encarregado, qualquer um. Testemunha some com o tempo. Nome e telefone no papel.
  6. Não assina NADA da empresa. Nem acordo, nem “termo de quitação”, nem papel “só pra constar”. Quem assina com pressa recebe migalha.

E não importa se o acidente foi semana passada ou anos atrás. Quem perdeu a mão tempo atrás e nunca processou ainda pode ter direito — explico o prazo na nossa página de acidente de trabalho antigo.

2 – A CAT é obrigatória — e a empresa não pode fugir dela

CAT é a Comunicação de Acidente de Trabalho. É o papel que registra oficialmente que você se machucou trabalhando. A empresa tem até o primeiro dia útil depois do acidente pra emitir. É obrigação, não favor.

Só que muita empresa não emite. Sabe por quê? Porque a CAT abre a porta dos seus direitos: o INSS te reconhece como acidentado, você ganha estabilidade, e fica provado que o acidente foi no trabalho. Sem CAT, a empresa finge que nada aconteceu.

Se a empresa não emitiu, calma: você mesmo pode emitir a CAT. O médico pode. O sindicato pode. Qualquer um desses vale. E a empresa que escondeu a CAT fica em situação ainda pior na Justiça — porque tentou apagar o acidente.

Perdeu a mão e a empresa “esqueceu” a CAT? Anota isso. É mais um tijolo no seu processo.

3 – Os 5 dinheiros que se somam quando você perde a mão

Aqui está o que quase ninguém te conta: a indenização por perda da mão não é um valor só. São cinco, e eles se somam:

  • 1. Dano moral — pela dor, pelo trauma, pelo que você passou. Quanto mais grave a lesão, maior o valor. Perda de mão é caso grave ou gravíssimo.
  • 2. Dano estético — pela marca que ficou. Mão amputada, deformada, com cicatriz — é um valor SEPARADO do moral. Soma em cima.
  • 3. Pensão mensal — um valor todo mês, pro resto da vida, pela capacidade de trabalho que você perdeu. É aqui que a conta cresce. Mostro a tabela já já.
  • 4. Despesas de tratamento — cirurgia, remédio, fisioterapia, e a prótese (com troca pra vida toda — tem capítulo só disso abaixo).
  • 5. Estabilidade de 12 meses — não podem te demitir por 1 ano depois que você volta do INSS. Se demitirem, pagam tudo.

Na nossa experiência, só o moral + estético em caso de mão fica na faixa de R$ 60 mil a R$ 120 mil. A pensão mensal vem POR FORA — e acumulada ao longo da vida, ela costuma ser o maior dinheiro de todos.

📊 Quer ver valor real, não minha palavra? Nossa página de valores por estado mostra os valores que a Justiça vem fixando — dado público, atualizado.

4 – Tabela: quanto vale a perda da mão (incapacidade e pensão mensal)

A perícia da Justiça usa uma tabela oficial de incapacidade. É ela que define o tamanho da sua pensão mensal. Veja como fica pra quem ganha R$ 2.000 por mês (com 13º e férias na conta, a base sobe pra cerca de R$ 2.222):

Tipo de perda % de incapacidade (tabela da perícia) Pensão mensal estimada (salário R$ 2.000) O que mais se soma
Mão inteira (amputação) 65% a 70% (perda total do membro superior) ~R$ 1.444 a R$ 1.555/mês, vitalício Dano moral gravíssimo + estético + prótese vitalícia
Mão dominante (a que você trabalha) 65% a 70% — mas com perda do ofício, a Justiça pode mandar pagar sobre o salário CHEIO Pode chegar a ~R$ 2.222/mês (100% da base), vitalício Dano moral gravíssimo + estético + prótese + readaptação
Parte da mão (3+ dedos) 25% a 30% (2 ou mais dedos) — ou mais, conforme a perícia ~R$ 555 a R$ 666/mês, vitalício Dano moral grave + estético + possível perda do ofício
Esmagamento com sequela (sem amputação) 5% a 15% (fratura com sequela) ~R$ 111 a R$ 333/mês, vitalício Dano moral + estético se houver deformidade
Perda de movimento/força da mão 5% a 15% — a perícia mede o quanto a mão deixou de funcionar ~R$ 111 a R$ 333/mês, vitalício Dano moral + perda do ofício se a mão era sua ferramenta

Repara numa coisa: pensão vitalícia acumula. R$ 1.444 por mês, durante 35 anos (420 meses), dá mais de R$ 606 mil somando tudo ao longo da vida. Não é um cheque de uma vez — é o acumulado. Mas é dinheiro que entra todo mês, sem falhar, porque a empresa tirou sua mão.

Quer a conta do SEU caso, com o seu salário? Calcule grátis em 2 minutos na nossa calculadora. E se quiser entender a fórmula por trás, temos um guia completo de como calcular a indenização por acidente de trabalho.

5 – Mão dominante vale mais — e o motivo é o seu ofício

Você é destro e perdeu a mão direita? Ou canhoto e perdeu a esquerda? Então presta atenção: seu caso vale mais. E não é detalhe — é um dos pontos que mais pesam na sentença.

O motivo é simples: a mão dominante é a mão do seu ganha-pão. É ela que segura a ferramenta, aperta o parafuso, opera a máquina, assina o nome. Quando a perícia avalia um destro que perdeu a mão direita, ela não vê “uma mão a menos”. Ela vê um trabalhador que não consegue mais exercer a profissão dele.

Na prática, isso muda três coisas:

  • O dano moral sobe — a Justiça reconhece que o impacto na sua vida foi maior;
  • A perícia tende a reconhecer incapacidade maior pro seu trabalho específico;
  • Abre a porta da perda do ofício — a regra de ouro que explico agora.

Se alguém te disser que “mão é mão, tanto faz qual” — essa pessoa não entende de acidente de trabalho. A Justiça faz diferença, e faz diferença grande.

6 – Perda do ofício: a regra de ouro que multiplica sua pensão

Essa é a parte MAIS IMPORTANTE do artigo. Lê devagar.

A perícia pode dizer que você perdeu “65% da capacidade”. Mas pergunta de verdade: o operador de prensa que perdeu a mão consegue operar prensa de novo? Não. Nunca mais. Pra prensa, ele não perdeu 65%. Perdeu 100%.

É isso que a Justiça chama de perda do ofício: quando o acidente acaba com a SUA profissão, a profissão que você construiu a vida inteira. E quando isso acontece, a regra muda: a pensão deixa de ser uma porcentagem e passa a ser sobre o salário CHEIO. Não é 65% de R$ 2.222 — é R$ 2.222 inteiro, todo mês, pro resto da vida. Em 35 anos, isso soma mais de R$ 933 mil acumulados — e é a conta da Justiça, não promessa minha.

  • Operador de prensa sem a mão → nunca mais opera prensa → ofício perdido;
  • Pedreiro que não segura mais colher e tijolo → ofício perdido;
  • Mecânico que não segura mais ferramenta → ofício perdido;
  • Costureira sem o movimento fino da mão → ofício perdido.

“Ah, mas você pode ser vigia, pode ser porteiro.” A Justiça não aceita esse argumento da empresa. Ela olha pra sua vida profissional inteira destruída, não só pra mão. Esse tema é tão decisivo que tem página própria: perda do ofício no acidente de trabalho — leia se a sua profissão dependia da mão.

7 – Prótese vitalícia: a empresa paga — e troca quando precisar

Pouca gente sabe disso, e as empresas rezam pra você nunca descobrir: quem causou o acidente paga a prótese. Não é o SUS, não é você — é a empresa.

E não é uma prótese só, uma vez na vida. Prótese desgasta, quebra, perde o encaixe, e a tecnologia melhora. A condenação certa inclui:

  • A prótese adequada ao seu caso — não a mais barata da prateleira;
  • As trocas pela vida inteira — toda vez que precisar substituir;
  • A manutenção e os ajustes;
  • A fisioterapia e a readaptação pra você aprender a usar.

Uma prótese de mão boa custa caro — e trocando várias vezes ao longo da vida, vira um valor enorme que sai do bolso da empresa, não do seu. Por isso a empresa tenta te empurrar acordo rápido ANTES de você saber disso. Quem assina acordo de balcão abre mão da prótese pro resto da vida sem nem saber.

8 – A culpa é da empresa: o que a NR-12 obriga (e quase ninguém cumpre)

Existe uma norma federal de segurança de máquinas, a NR-12. Ela é a lei da máquina. E ela diz, preto no branco, o que TODA máquina precisa ter pra você operar:

  • Proteção fixa — uma barreira que impede sua mão de chegar na parte que corta, prensa ou esmaga. Se a sua mão alcançou a lâmina, a proteção não existia ou foi tirada;
  • Parada de emergência — botão ao alcance que desliga TUDO na hora. Quantos segundos a máquina continuou rodando com a sua mão dentro?
  • Comando bimanual em prensa — a prensa só desce se as DUAS mãos estiverem nos botões, longe da área de risco;
  • Treinamento obrigatório — o item 12.135 da norma obriga a empresa a te dar capacitação de verdade, com carga horária, conteúdo e certificado, ANTES de você operar aquela máquina específica. “O colega te mostra como faz” NÃO é treinamento.

Agora pensa na máquina que pegou a sua mão. Ela tinha proteção fixa? Tinha botão de emergência perto? Você recebeu treinamento com certificado? Se a resposta for “não” pra qualquer uma dessas, a culpa do acidente é da empresa — e é isso que a Justiça vai enxergar.

Máquina sem proteção não é azar. É economia da empresa em cima do seu corpo.

9 – EPI, treinamento e técnico de segurança: as três perguntas que ganham processo

Quando o caso chega na minha mesa, eu faço três perguntas. Responde elas aí na sua cabeça:

  • Você chegou a VER o técnico de segurança no chão de fábrica? Ou ele só existia no papel, num escritório, e aparecia uma vez por ano?
  • Você recebeu treinamento DE VERDADE pra operar aquela máquina específica? Com instrutor, apostila, certificado assinado? Ou te colocaram na máquina no segundo dia e “aprende olhando”?
  • Você ganhou o EPI certo, novo, no tamanho certo? Ou uma luva velha, furada, herdada do colega que saiu?

Se você respondeu “não” em qualquer uma, a empresa falhou. E falha de segurança comprovada é culpa da empresa no processo. EPI vencido, treinamento de mentira e técnico de segurança fantasma são o trio que mais aparece nos meus 3.000+ casos.

E atenção: mesmo a luva certa não livra a empresa quando a máquina não tinha proteção — EPI não substitui proteção de máquina, a norma é clara nisso. Se o seu acidente envolveu equipamento de proteção errado ou ausente, leia nossa página sobre acidente de trabalho por falta de EPI.

10 – A empresa te abandonou depois do acidente? Isso aumenta a indenização

O roteiro é sempre o mesmo. Eu já vi centenas de vezes:

A empresa te leva pro hospital. Paga a primeira consulta. Emite a CAT (quando emite). Te afasta pelo INSS. E depois… some. Não liga pra saber da cirurgia. Não paga a fisioterapia. Não pergunta da dor. Não oferece readaptação. Você, que deu seus anos pra ela, vira um número desligado da folha.

Guarda essa informação: o abandono depois do acidente AUMENTA a sua indenização. A Justiça enxerga isso como um segundo dano — a empresa te machucou e ainda te largou machucado. O dano moral sobe quando fica provado que a empresa:

  • Não acompanhou seu tratamento;
  • Não pagou fisioterapia, remédio, transporte pra consulta;
  • Não tentou te readaptar em outra função;
  • Cortou contato como se você nunca tivesse existido.

Então anota tudo: as ligações que não vieram, as mensagens sem resposta, a fisioterapia que saiu do seu bolso. Cada recibo de remédio que VOCÊ pagou é prova do abandono — e dinheiro de volta no processo.

11 – Estabilidade de 12 meses: não podem te mandar embora

Depois que você volta do afastamento do INSS por acidente, a empresa não pode te demitir por 12 meses. É garantia de lei, não favor de patrão.

E o que as empresas fazem? Esperam você voltar e te mandam embora na primeira semana, apostando que você não vai atrás. Com quem não procura advogado, dá certo. Com quem procura, a conta chega:

  • Reintegração no emprego (te pegar de volta), OU
  • Pagamento de todos os salários dos 12 meses da estabilidade;
  • + FGTS de todo esse período;
  • + a multa de 40% em cima.

E olha o detalhe que muita gente perde: a estabilidade é um direito SEPARADO da indenização. Você pode receber a indenização pela mão E os salários da estabilidade. Um não desconta o outro. Foi demitido depois do acidente? Não assina nada e guarda o papel da demissão — isso vai junto no processo.

12 – INSS (auxílio-acidente) e ação contra a empresa: pode os dois ao mesmo tempo

Esse é o engano que mais rouba dinheiro de trabalhador: achar que, se o INSS paga, a empresa não deve nada. Mentira. São dois direitos diferentes, e você pode receber os dois ao mesmo tempo.

O INSS te deve (porque você contribuiu):

  • Auxílio por incapacidade enquanto você não pode trabalhar;
  • Auxílio-acidente: um valor mensal vitalício quando você volta ao trabalho com sequela. Quem perdeu a mão ou parte dela e ficou com sequela tem direito — e dá pra acumular com o salário;
  • Aposentadoria por incapacidade, nos casos mais graves.

A empresa te deve (porque causou o acidente):

  • Dano moral + dano estético;
  • Pensão mensal vitalícia;
  • Prótese e tratamento;
  • Estabilidade.

O INSS é seguro social. A indenização é responsabilidade de quem te machucou. Um não anula o outro, um não desconta do outro. A empresa adora dizer “você já recebe do INSS, não tem mais nada pra receber”. Quando ouvir isso, sorri — porque a pessoa acabou de confessar que sabe que te deve.

13 – Esmaguei a mão mas não amputou: também dá direito

Muita gente com a mão esmagada acha que “como não perdeu nada, não tem direito”. Errado. Sequela é dano — com ou sem amputação.

Esmagamento de mão costuma deixar exatamente o tipo de sequela que a perícia reconhece:

  • Dedos que não dobram ou não esticam mais;
  • Perda de força — você não segura mais peso, não aperta mais ferramenta;
  • Dor crônica, principalmente no frio;
  • Deformidade — a mão mudou de formato;
  • Perda do movimento de pinça (pegar objeto pequeno).

Na tabela da perícia, fratura com sequela fica entre 5% e 15% de incapacidade — o que, pra um salário de R$ 2.000, significa pensão mensal vitalícia de R$ 111 a R$ 333, fora o dano moral e o estético se ficou marca. E se a sequela te tirou do SEU ofício (o mecânico que perdeu a força da mão, por exemplo), entra a regra da perda do ofício e a conta muda de patamar.

Mão esmagada que “ficou boa mas nunca mais foi a mesma” é caso de indenização. Ponto.

14 – Quanto tempo demora o processo

Vou ser direto, porque você merece a verdade e não promessa de vendedor:

  • Caso com acordo: pode resolver em meses. Empresa com culpa evidente (máquina sem proteção, sem CAT) muitas vezes prefere pagar logo a apanhar na frente do juiz;
  • Caso que vai até a sentença: em geral 1 a 2 anos, contando a perícia médica — que é a etapa que mais segura o processo;
  • Se a empresa recorrer: pode esticar mais, mas a maioria dos casos de mão com culpa clara não chega lá — a empresa sabe que vai perder.

E aqui vai o que importa: quem espera “pra ver se melhora” só perde. Testemunha esquece, máquina é consertada às pressas, documento some. O processo do trabalhador que agiu rápido é sempre mais forte que o de quem deixou pra depois. Quanto antes começa, antes o dinheiro chega.

15 – Documentos que você precisa juntar

Não precisa ter tudo — eu consigo muita coisa pela Justiça. Mas quanto mais você tiver, mais rápido e mais forte o caso:

  • CAT (se foi emitida — se não foi, isso também é prova, contra a empresa);
  • Todos os papéis médicos: ficha do hospital, laudo da cirurgia, atestados, receitas, exames, raio-X;
  • Fotos da mão — do dia do acidente até hoje;
  • Fotos ou vídeos da máquina — principalmente mostrando que não tinha proteção;
  • Carteira de trabalho e contracheques (pra calcular a pensão);
  • Comprovantes do INSS — afastamento, perícia, benefício;
  • Recibos do que VOCÊ pagou: remédio, fisioterapia, transporte;
  • Nome e contato das testemunhas.

Sem carteira assinada? Ainda há caso — o vínculo se prova com testemunha, mensagem, foto no serviço. Não deixa de buscar seu direito por isso.

16 – Como provar a culpa da empresa: fotos da máquina e testemunhas

Processo de acidente com máquina se ganha com duas armas: imagem e gente.

Fotos e vídeos da máquina. Uma foto da prensa sem proteção fixa vale mais que dez páginas de argumento. Se você ainda tem acesso ao local, fotografa. Se não tem, pede pra um colega de confiança. Foto da máquina, do botão de emergência longe (ou inexistente), da placa de identificação. As empresas costumam “arrumar” a máquina dias depois do acidente — a foto de ANTES da arrumação é ouro puro. E se a máquina foi consertada depois, testemunha conta isso ao juiz: o conserto às pressas é quase uma confissão.

Testemunhas. O colega que viu o acidente. O que trabalhava na mesma máquina e sabia que a proteção tinha sido tirada. O que nunca recebeu treinamento, igual a você. A Justiça do Trabalho ouve trabalhador — e colega que conta a verdade na audiência derruba o papelório bonito do RH.

E tem a prova que a própria empresa entrega: documento de treinamento que não existe, ficha de EPI sem assinatura, manutenção da máquina sem registro. No processo, a empresa é obrigada a mostrar esses papéis. Quando não tem — e quase nunca tem — a culpa dela fica escancarada.

17 – Caso real na Justiça: 4 dedos em Campinas = R$ 100 mil

Pra você ver que não é teoria, um caso público, que qualquer pessoa pode conferir:

Campinas/SP: um trabalhador perdeu 4 dedos em parte, numa máquina. A Justiça do Trabalho de Campinas condenou a empresa a pagar R$ 100 mil de indenização.

Quatro dedos em parte: R$ 100 mil. Agora pensa: a mão INTEIRA é mais grave que isso. Na tabela da perícia, 2 ou mais dedos são 25-30% de incapacidade — a mão inteira é 65-70%. Mais que o dobro. E em outros casos públicos, a Justiça da Bahia fixou R$ 35 mil por um dedo na prensa, a do RS R$ 50 mil por dois dedos, a de MG R$ 60 mil por um dedo em máquina de madeira. A régua sobe com a gravidade — e perda de mão está no topo da régua.

Esses números são de dano moral e estético. A pensão mensal vitalícia vem por fora — e somada ao longo dos anos, como mostrei na tabela, costuma passar dos valores acima. Se o seu caso for de dedo e não de mão, temos páginas específicas: quanto é a indenização por perda de um dedo e a tabela de valores de indenização por dedo.

18 – Perguntas frequentes sobre perda de mão no trabalho

Perdi a mão mas a empresa diz que a culpa foi minha. E agora?

É o discurso padrão de toda empresa — e quase nunca cola na Justiça. Quem é obrigada a garantir máquina protegida, treinamento e EPI é a empresa, não você. Se a máquina deixou sua mão chegar na área de risco, a falha de segurança é dela. “Culpa do trabalhador” sem prova de treinamento e proteção é conversa pra você desistir.

Esmaguei a mão mas não amputou. Tenho direito?

Tem. Sequela é dano: perda de força, dedo que não dobra, dor crônica, deformidade. A perícia mede a incapacidade (em geral 5% a 15% em fratura com sequela) e isso vira pensão mensal vitalícia, além do dano moral. Não precisa ter amputado pra ter direito.

Quanto vale a perda da mão direita pra quem trabalha com ela?

É o caso mais valioso de todos. Mão dominante perdida costuma significar perda do ofício — e aí a pensão pode ser sobre o salário cheio, vitalícia, e não só uma porcentagem. Somando dano moral, estético, pensão acumulada e prótese, é um caso de centenas de milhares de reais ao longo da vida. Calcule o seu na calculadora grátis.

A empresa tem que pagar minha prótese?

Tem — e não é só uma. A condenação correta inclui a prótese adequada, as trocas pela vida inteira, a manutenção e a fisioterapia pra adaptação. Quem causou o dano paga o reparo do dano, pra sempre.

Perdi a mão há anos. Ainda posso processar?

Em muitos casos, sim — o prazo tem regras e exceções que dependem da data, da CAT e do afastamento, e muita gente acha que “perdeu o prazo” sem ter perdido. Antes de desistir, leia nossa página de acidente de trabalho antigo e confira sua situação.

Posso ser demitido depois do acidente?

Não, por 12 meses depois que você volta do afastamento do INSS — é a estabilidade acidentária. Se a empresa demitir nesse período, deve te reintegrar ou pagar todos os salários do período, com FGTS e multa. E isso não desconta da indenização: são direitos separados.

Recebo auxílio do INSS. Ainda posso processar a empresa?

Pode — e deve, se houve culpa da empresa. O INSS é seguro social que você pagou; a indenização é responsabilidade da empresa que causou o acidente. Os dois se acumulam, um não desconta do outro.

Eu estava sem carteira assinada. Tenho direito?

Tem. O vínculo de trabalho se prova com testemunhas, mensagens, fotos no serviço, controle de ponto. Na mesma ação, dá pra reconhecer o vínculo E cobrar a indenização pelo acidente. Trabalho sem registro não apaga seu direito — agrava a situação da empresa.

A empresa ofereceu um acordo por fora. Aceito?

Não assina nada antes de saber quanto seu caso vale. Acordo de balcão costuma ser uma fração do direito — e vem com “quitação total”, ou seja, você abre mão da pensão vitalícia e da prótese sem saber. Primeiro calcula, depois decide: faça o cálculo grátis em 2 minutos.

Foi no seu estado? Veja a página da sua região

A Justiça do Trabalho funciona um pouco diferente em cada estado — valores, setores que mais machucam e tempo de processo. Temos guias específicos:

O próximo passo é seu — e leva 2 minutos

Você leu até aqui. Então agora você sabe mais sobre o seu direito do que 90% dos trabalhadores que perdem a mão — e do que muito chefe de RH que vai tentar te enrolar.

A mão que a máquina levou não volta. Mas a conta disso não é sua. É da empresa que economizou na proteção, no treinamento, no técnico de segurança — e agora vai pagar pelo que economizou.

Faz assim, na ordem:

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Dr. Welliton Ventura

Dr. Welliton Ventura

ULTRA Especialista em Acidente de Trabalho

Advogado com atuação exclusiva em acidente de trabalho e doenças ocupacionais. Mais de 3.000 casos atendidos, 85% de vitórias e nota 5.0 no Google. Atendimento humanizado, 100% digital e sem custo inicial.