Você foi tirar a peça presa no molde. A porta de segurança estava travada aberta — ou nem tinha sensor. A injetora fechou com a sua mão dentro. O molde prensou, queimou, esmagou os dedos. E o encarregado disse: “era só ter esperado o ciclo”. Tem direito sim. Mão prensada na injetora costuma pagar entre R$ 38 mil e R$ 82 mil de indenização, mais o benefício do acidente (código 91) e 1 ano de emprego garantido quando você voltar.

Operador de injetora que prensou a mão tirando rebarba. Ajudante que enfiou a mão pra soltar peça agarrada. Ferramenteiro que estava trocando o molde quando a máquina ciclou sozinha. Operador queimado pelo plástico derretido que espirrou. Todos têm o mesmo direito — e a fábrica quase sempre tenta jogar a culpa no trabalhador.

Por que a culpa é da fábrica, não sua

Injetora de plástico é máquina de alto risco. A norma de segurança de máquinas (a NR-12) obriga a fábrica a ter:

  • Porta de segurança com sensor que impede a máquina de fechar com a mão dentro
  • Dupla trava: se um sensor falhar, o outro segura o ciclo
  • Botão de emergência ao alcance da mão
  • Bloqueio da máquina na troca de molde e na manutenção
  • Proteção contra o plástico quente que espirra
  • Treinamento registrado antes de você operar aquela injetora

Se a porta estava travada com fita, se o sensor estava “batizado” pra máquina não parar produção, se ninguém te treinou — a culpa é da empresa. Não importa se você “colocou a mão no lugar errado”. Máquina segura não fecha com mão dentro. Ponto.

Situações que mais prensam a mão na injetora

  • Mão prensada pelo molde ao tirar peça agarrada
  • Máquina que cicla sozinha com sensor desligado ou “batizado”
  • Mão prensada na troca de molde sem bloqueio
  • Queimadura com plástico derretido que vaza ou espirra
  • Dedo esmagado na rosca ou no funil de alimentação
  • Mão presa no robô extrator de peças
  • Prensagem no fechamento da placa em máquina sopradora

Seus direitos depois da mão prensada

  • Auxílio do INSS pelo acidente (B91) — afastou mais de 15 dias, recebe o benefício acidentário. A fábrica continua depositando o FGTS o afastamento inteiro.
  • 1 ano de emprego garantido — quando voltar, não podem te demitir por 12 meses. Se demitirem, pagam indenização cheia. Entenda melhor no post sobre estabilidade depois do acidente de trabalho.
  • Indenização pela dor (dano moral) — pelo trauma, pelos meses parado, pelo medo de voltar pra frente da máquina.
  • Indenização pela marca que ficou (dano estético) — dedo amputado, mão deformada, queimadura com cicatriz: paga separado.
  • Pensão todo mês — se ficou sequela permanente (perda de força, dedo a menos, mão que não fecha), a lei garante pagamento mensal que pode ir até o fim da vida.

Somando tudo, mão prensada com sequela costuma ficar entre R$ 38 mil e R$ 82 mil — e amputação de mais de um dedo ou do polegar passa disso. Confira a tabela de valores de indenização por dedo pra ver quanto vale cada lesão.

E se a mão não voltar a ter força pra operar máquina, a Justiça olha pra sua profissão inteira: operador que não pode mais operar tem direito a pensão mensal até morrer, além da indenização. Quase ninguém sabe disso.

Dá medo de processar? Entenda por que você pode

A empresa não pode te “marcar” nem te colocar em lista suja — isso é proibido e gera mais indenização pra você. E você não paga nada pra começar: o advogado só recebe se você ganhar. Dá inclusive pra processar enquanto ainda recebe o benefício — veja o post posso processar a empresa mesmo recebendo benefício do INSS.

O que NÃO fazer depois do acidente

  • Não diga “a culpa foi minha”. Se dava pra colocar a mão na injetora ligada, a máquina não era segura. A obrigação de impedir isso era da fábrica.
  • Não aceite acordo sem saber o valor real. O RH costuma oferecer R$ 5 mil, R$ 10 mil pra fechar o assunto. Mão prensada com sequela vale muito mais.
  • Não jogue fora nada. Radiografia, laudo, foto do sensor batizado: tudo vira prova.
  • Não assine pedido de demissão. Se pressionarem, peça tempo e procure orientação antes de assinar qualquer papel.

E repare numa outra coisa: depois do acidente, a fábrica custeou seu tratamento? Acompanhou as cirurgias? Pagou a fisioterapia da mão? A lei obriga a empresa a acompanhar o seu tratamento até o fim — consulta, fisioterapia, remédio, readaptação. Quando ela te leva pro hospital no dia e depois some, esse abandono é mais um erro dela que aumenta a indenização. Juiz valoriza muito esse ponto.

Veja quanto vale o seu caso

O valor depende da gravidade da prensagem, de quantos dedos foram atingidos, da sequela, do seu salário e do estado. Antes de aceitar qualquer acordo do RH, calcule.

O que fazer agora, passo a passo

  1. Procure o pronto-socorro na hora. Prensagem com queimadura precisa de atendimento rápido.
  2. Exija a CAT. É o papel do acidente. A empresa tem 24 horas pra emitir. Se não emitir, você emite direto no INSS, de graça.
  3. Peça pra alguém fotografar a injetora. O sensor desligado, a porta travada, a fita na trava. Antes que a manutenção “conserte” tudo.
  4. Guarde tudo. Atestado, radiografia, laudo, receita, conta de remédio.
  5. Anote quem viu. Quem socorreu, quem sabia que o sensor estava batizado, quem ouviu a chefia cobrar produção.
  6. Fique de olho no prazo. Você tem até 2 anos depois de sair da empresa pra entrar com a ação.

Valores médios por estado

O valor das indenizações varia bastante de um estado pra outro. Veja a tabela de indenização por acidente de trabalho por estado em 2026, com base nos casos reais que acompanhamos.

Perguntas rápidas

O sensor da injetora estava desligado pra não parar produção. Isso ajuda meu caso? Ajuda muito. Sensor “batizado” é prova de que a empresa escolheu produção no lugar da sua segurança. A Justiça já condenou fábrica de plástico em caso igual.

Eu coloquei a mão pra tirar a peça com a máquina ligada. Perco o direito? Não. Se dava pra colocar a mão com a máquina ligada, a máquina não era segura. A obrigação de impedir isso era da empresa.

A queimadura do plástico derretido também entra na conta? Entra. Queimadura paga dano moral e estético além da prensagem. Cada lesão soma na indenização.

Quanto tempo tenho pra entrar com a ação? Até 2 anos depois de sair da empresa. Dentro desses 2 anos, dá pra cobrar os últimos 5 anos de direitos.


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Dr. Welliton Ventura

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