A serra cortou seus dedos no trabalho? Num caso público de uma madeireira do Paraná, um trabalhador jovem perdeu 3 dedos numa serra e a Justiça condenou a empresa em R$ 400 mil. Serra circular, serra-fita e serra de madeira estão entre as máquinas que mais amputam dedo e mão no Brasil — e a culpa quase sempre é da falta de proteção, não sua.
Marceneiro, carpinteiro, madeireiro, açougueiro: todo mundo que trabalha perto de lâmina girando corre esse risco todo dia. E a maioria não processa porque acha que “trabalhar com serra é perigoso mesmo, faz parte”. Não faz. A lei exige proteção.
Sou o Welliton Ventura, ultraespecialista em acidente de trabalho há 15 anos. Mais de 3.000 casos, mais de R$ 41 milhões recuperados. Vou te mostrar o caso real e seus direitos.
O caso real: 3 dedos numa serra de madeireira, R$ 400 mil
Um trabalhador jovem de uma madeireira do interior do Paraná teve 3 dedos amputados operando uma serra sem a proteção que a norma exige. A Justiça do Trabalho reconheceu a gravidade da lesão e condenou a empresa em R$ 400 mil. Casos assim mostram que amputação múltipla numa serra tem valor alto — e que a Justiça reconhece isso quando a prova está bem montada.
Por que a culpa é da máquina, não do trabalhador
A NR-12 exige que toda serra circular ou serra-fita tenha proteção do disco ou da lâmina, dispositivo de parada de emergência ao alcance da mão e treinamento certificado pra quem opera. Se a serra que te cortou não tinha isso, ou se “a trava de proteção falhou” (motivo comum nesses acidentes), a responsabilidade é da empresa.
- A serra tinha proteção do disco ou lâmina funcionando de verdade?
- Existia botão de parada de emergência perto da sua mão?
- Você recebeu treinamento certificado pra operar aquela serra específica?
- A empresa fazia manutenção regular ou a máquina estava “na gambiarra”?
Seus direitos depois do corte de dedos na serra
- Benefício acidentário do INSS (B91) se afastado mais de 15 dias
- 1 ano de estabilidade ao voltar
- Dano moral e dano estético
- Pensão mensal, que pode ser sobre o salário cheio se a Justiça reconhecer perda do ofício
Veja também a tabela de valores por dedo pra entender quanto vale cada dedo amputado.
📊 Quer ver valor real, não a nossa palavra? Nossa página de valores por estado mostra os valores que a Justiça vem fixando em cada canto do Brasil — dado público, atualizado.
Marceneiro, carpinteiro e serrador que perdem dedos numa serra costumam se qualificar pra perda do ofício — a mão que segurava a madeira não segura mais do mesmo jeito, e a pensão passa a ser calculada sobre o salário cheio.
O que NÃO fazer
- Não diga que “foi descuido seu” — a proteção da serra deveria impedir o acesso à lâmina.
- Não assine acordo sem calcular quanto o caso vale.
- Não jogue fora atestado, radiografia nem foto da serra.
Passo a passo
- Trate a lesão — cirurgia, curativo, o que for preciso.
- Exija a CAT em 24 horas.
- Fotografe a serra sem proteção, se possível.
- Guarde todo papel médico.
- Anote quem viu o acidente.
- Você tem até 2 anos depois de sair da empresa pra processar.
O abandono depois do acidente também conta no processo
Muita gente sente que foi abandonada pela empresa depois do acidente. É um padrão que vemos direto: a empresa leva você pro hospital, paga a primeira consulta, às vezes emite a CAT — e depois some. Não liga pra saber como você está. Não paga fisioterapia. Não acompanha a reabilitação. Te devolve pro INSS e desaparece. Por lei, a empresa tem obrigação de prestar socorro continuado: pagar tratamento médico completo, fisioterapia, acompanhamento psicológico quando necessário e cuidar da sua readaptação até você voltar — ou indenizar direito pelo que não voltou. Quando a empresa abandona o trabalhador depois do acidente, isso vira mais um argumento no processo, e juiz valoriza muito esse ponto.
Dá medo de processar? Entenda por que você pode
Muito trabalhador não processa porque tem medo de “ficar marcado” no mercado, ou acha que processo é coisa de gente rica. Nenhum dos dois é verdade. A empresa não pode te marcar nem espalhar seu nome pra outras empresas — isso é proibido por lei e ainda gera mais indenização se acontecer. E você não paga nada pra começar: o advogado só recebe se você ganhar o processo. Dá até pra processar ainda trabalhando na mesma empresa, sem precisar pedir demissão — explicamos isso com detalhe no post sobre processar a empresa mesmo recebendo benefício do INSS.
Perguntas frequentes
A serra era emprestada de outro setor, não era “minha” função. Isso muda alguma coisa? Muda a favor do seu caso. Te colocar numa máquina sem treinamento específico, fora da sua função registrada, é agravante.
Cortei o dedo mas não amputei totalmente. Tenho direito? Tem. Corte profundo com sequela — perda de sensibilidade, de movimento ou cicatriz — também gera indenização, mesmo sem amputação total.
A empresa disse que vai me indenizar “por fora”, sem processo. Devo aceitar? Não sem calcular antes. Acordo informal costuma ser bem menor do que o caso vale na Justiça, e não garante estabilidade nem benefício do INSS.
Quanto tempo tenho pra processar? Até 2 anos depois de sair da empresa, cobrindo os últimos 5 anos de direitos.
Sobre o Ventura Advogados
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