Quebrou o punho no trabalho? Você tem direito a indenização da empresa quando a fratura deixa sequela: perda de força, dificuldade de girar ou dobrar a mão, dor ao pegar peso, mão que não firma a ferramenta. E se você vive do trabalho com as mãos, essa sequela pode virar perda do ofício, que é quando o valor mais sobe.

O gesso saiu, o médico disse que “colou”, mas a mão não é mais a mesma. Você não consegue abrir um pote, aperta a chave de boca e ela escapa, carrega uma caixa e o punho reclama a noite toda. E ainda tem gente na empresa dizendo que foi “só uma torção”.

Sou o Welliton Ventura, ultraespecialista em acidente de trabalho há 15 anos. Já são mais de 3.000 casos e mais de R$ 41 milhões recuperados para trabalhadores do Brasil inteiro. Vou te explicar por que o punho engana tanto e o que ele pode valer.

“Acidente de trabalho é o que a gente faz o dia inteiro.” — Dr. Welliton Ventura, advogado ultraespecialista em acidente de trabalho (OAB/PA 18.667-B)

Como o punho quebra no trabalho?

Na maioria das vezes, é o reflexo de se proteger. Você escorrega e a mão vai no chão primeiro. As cenas que mais aparecem:

  • Queda de escada, de andaime ou de um degrau, apoiando a mão no chão
  • Escorregão em piso molhado ou com óleo
  • Mão presa ou torcida numa máquina em movimento
  • Carga que cai em cima do braço
  • Pancada ou prensamento com empilhadeira

Não é coisa rara. Na nossa carteira de clientes de São Paulo, mão, dedo e punho somam 41,2% das lesões (42 de 102 fichas), três vezes mais que a segunda família de lesões. A mão é a ferramenta do operário, e é ela que mais se machuca.

Por que a fratura de punho é tão traiçoeira?

Por causa de um osso pequeno chamado escafoide, que fica na base do polegar. Quando ele quebra, a dor parece de entorse: incha um pouco, dói, mas você ainda mexe a mão. Muita gente volta a trabalhar no dia seguinte.

O problema é que essa fratura muitas vezes não aparece no primeiro raio-X. Sem gesso, o osso não cola. E o escafoide recebe pouco sangue: se a fratura não é tratada, uma parte dele pode ficar sem sangue e morrer. Aí vem dor que não passa, punho duro e, em muitos casos, cirurgia. Por isso, se a dor na base do polegar continua, exija novo exame. “Foi só uma torção” é a frase que mais estraga caso de punho.

Gesso, pino ou placa: muda alguma coisa?

Fratura simples costuma ir para o gesso. Quando o osso saiu do lugar ou quebrou em pedaços, o médico coloca pino, placa ou parafuso. Quanto mais grave a fratura e o tratamento, maior a chance de sequela, e isso pesa no processo. Ferro no corpo não é, sozinho, garantia de valor, mas conta muito na perícia. Explicamos isso no post sobre pinos, placas e parafusos.

E tem um detalhe que muita gente não sabe: osso que colou torto é sequela. O médico do INSS pode dizer que está “consolidado”, mas se o punho ficou desalinhado e perdeu movimento, isso vale indenização. Veja mais em o osso colou torto.

O que a perícia mede no punho?

O perito da Justiça do Trabalho compara o punho machucado com o outro. Ele olha principalmente:

  • Força de preensão: a força de apertar e segurar. Tem aparelho que mede isso.
  • Girar a mão: virar a palma para cima e para baixo, como quem gira uma chave.
  • Dobrar o punho: para frente, para trás e para os lados.
  • Dor ao esforço: pegar peso, martelar, empurrar.

Se você é destro e quebrou o punho direito, o peso é ainda maior: é a mão que faz o seu serviço. Isso está explicado em machucou a mão que trabalha. E quem perdeu firmeza sem ter amputado nada também tem direito, como mostramos em perdi a força da mão sem amputar.

Quando a culpa é da empresa?

Quase sempre tem uma falha por trás do acidente: escada velha ou sem trava, andaime sem guarda-corpo, piso molhado sem sinalização, falta de equipamento de proteção, carga empilhada de qualquer jeito. Quando foi máquina, entra a NR-12, a regra federal que obriga proteção na máquina para a mão não entrar onde não deve. Máquina sem proteção é culpa da empresa, não sua.

E o INSS, o que paga?

Enquanto você está afastado, o certo é receber o benefício do acidente (código 91), que protege o seu emprego quando você volta. Se a empresa não abriu a CAT, você mesmo pode abrir. Depois da alta, se ficou sequela que diminui sua capacidade de trabalhar, você pode ter direito ao auxílio-acidente, pago todo mês junto com o salário. E nada disso impede o processo contra a empresa: são coisas separadas.

📊 Quer ver valor real, não a nossa palavra? Nossa página de valores por estado mostra o que a Justiça vem fixando em cada canto do Brasil.

Passo a passo do que fazer agora

  1. Se a dor continua, volte ao médico e peça novo raio-X ou outro exame do punho.
  2. Confira se a CAT foi aberta. Se não foi, abra você mesmo.
  3. Guarde tudo: raio-X, laudos, receitas, atestados, fotos do gesso e da cirurgia.
  4. Anote nomes de quem viu o acidente.
  5. Faça a fisioterapia até o fim e guarde as fichas de presença.
  6. Fale com um especialista antes de assinar qualquer papel.

O que NÃO fazer

  • Não aceite o “foi só uma torção” sem exame. Escafoide quebrado engana.
  • Não pare a fisioterapia no meio. Além de piorar o punho, a empresa usa isso contra você.
  • Não assine acordo no RH sem calcular o valor real do seu caso.
  • Não esconda a dor para “não dar trabalho”. O que não está no papel não existe no processo.

Perguntas frequentes

Quebrei o punho, mas colou. Ainda tenho direito? Pode ter. Colar não é o mesmo que ficar bom. Se sobrou perda de força, de movimento ou dor ao esforço, isso é sequela e pode ser indenizada.

O primeiro raio-X não mostrou nada. E agora? É comum na fratura do escafoide. Se a dor na base do polegar continua, peça novo exame e guarde os dois resultados. Isso ajuda a provar o que aconteceu.

Voltei a trabalhar com o punho doendo. Perdi o direito? Não. Voltar ao trabalho não apaga a sequela. A perícia vai medir como o punho está hoje.

Caí no piso molhado e quebrei o punho. A culpa não foi minha? Piso molhado sem sinalização ou sem limpeza é falha da empresa. Quem cuida do ambiente de trabalho é ela.

Recebo auxílio-acidente. Posso processar a empresa também? Pode. O INSS paga o benefício; a empresa responde pela indenização. Um não desconta o outro.


Sobre o Ventura Advogados

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Dr. Welliton Ventura

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