Sim. Quem fratura costela no trabalho tem direito a indenização — casos do escritório passaram de R$ 30 mil (uma costela) a mais de R$ 65 mil, além de afastamento e estabilidade. Veja como funciona:
Você estava carregando peso. Saco, caixa, móvel, máquina, cilindro de gás, garrafão. Sentiu o estouro no peito. Doeu fundo. Foi pro pronto-socorro e a radiografia mostrou: fratura de costela. Agora você está em casa, deitado de lado, sem conseguir tossir sem chorar de dor.
A empresa disse que “passa em 30 dias”. Talvez nem tenha feito CAT. Talvez tenha falado em “atestado normal”. Talvez tenha pedido pra você voltar antes da hora.
Costela quebrada carregando peso É acidente de trabalho. Você tem direito a indenização, estabilidade no emprego e auxílio acidentário.
Por que costela quebrada conta como acidente
Carregar peso acima do limite, sem ajuda, sem equipamento adequado, sem treinamento de levantamento — é situação clássica de acidente de trabalho. A empresa é obrigada a:
- Limitar carga individual (a regra geral é até 23kg, e ainda menos em condição ruim)
- Fornecer equipamento de carga (carrinho, paleteira, ponte rolante)
- Treinar a forma certa de pegar peso
- Ter outro funcionário pra ajudar quando o peso é maior
- Fazer pausa de descanso programada
Se faltou qualquer um — e quase sempre falta — a culpa é da empresa.
Funções que mais sofrem fratura de costela
- Ajudante de carga e descarga em caminhão
- Estoquista em supermercado e atacadão
- Pedreiro e servente carregando saco de cimento
- Entregador de gás e água
- Carregador em mudança e transportadora
- Operador de empilhadeira que tem que ajudar manual
- Trabalhador rural que carrega saco de adubo e ração
- Operador de máquina que faz manutenção pesada
- Profissional de limpeza que move móvel e equipamento pesado
Como provar a fratura no processo
- CAT — comunicado de acidente. Empresa tem 24h. Se não emitir, você emite no INSS, grátis.
- Radiografia e laudo — do pronto-socorro, da consulta, do ortopedista. Mostra a fratura.
- Atestado médico — com tempo de afastamento. Guarde todos.
- Testemunhas — colega que viu, que ajudou a levantar, que sabia do peso que você carregava.
- Foto do peso ou do equipamento que você carregava (se conseguir).
- Histórico de queixa anterior — se já tinha reclamado de dor nas costas, no peito, no peso, ainda mais forte.
Seus direitos com a fratura
- Auxílio acidentário (B91) — se ficou afastado mais de 15 dias. A empresa continua depositando FGTS. Se a empresa pôs como B31 (auxílio comum), dá pra corrigir.
- Estabilidade de 12 meses — quando voltar da alta, empresa não pode demitir por 12 meses. Se demitir, paga indenização cheia.
- Indenização por dano moral — pela dor, pelo sofrimento, pela noite sem dormir, pela impossibilidade de tossir, rir, deitar de lado.
- Indenização por dano material — gastos com remédio, consulta, transporte, diferença de salário.
- Pensão mensal vitalícia — se ficou sequela permanente (dor crônica, redução de força, problema respiratório).
O que NÃO fazer
- Não volte ao trabalho antes da alta médica. Costela demora a colar. Forçar antes só piora.
- Não aceite acordo do RH sem advogado. Empresa costuma oferecer R$ 2 mil, R$ 5 mil pra “encerrar”. Caso real do escritório com fratura de costela passou de R$ 65 mil.
- Não jogue fora radiografia, atestado, receita. Tudo vira prova.
- Não diga “fui eu que peguei o peso”. Pegar o peso era o seu trabalho. A culpa é da empresa que não deu equipamento ou ajudante.
Veja quanto vale o seu caso
O valor depende da quantidade de costelas, do tempo de afastamento, da sequela, do seu salário e do estado. Calcule antes de aceitar qualquer oferta.
Valores médios por estado
O valor varia por região. Veja a tabela de indenização por acidente de trabalho por estado em 2026.
Perguntas frequentes
1. Quebrei só 1 costela. Vale a pena processar?
Vale. Mesmo 1 costela quebrada gera afastamento, dor intensa, dano moral. Casos do escritório com 1 costela passaram de R$ 30 mil.
2. A empresa disse que eu peguei sozinho porque quis.
A empresa é obrigada a controlar e a ter ajudante disponível. Se você “pegou sozinho”, foi porque era do seu trabalho e não tinha quem ajudasse. A culpa continua sendo da empresa.
3. Já recebi alta mas ainda dói pra respirar. Tem direito?
Tem. Alta do INSS não é cura completa. Se sobrou dor crônica, perda de força, problema respiratório, dá pra processar e pedir nova perícia na Justiça.
4. INSS pôs B31 (não é acidentário). Posso mudar?
Pode. Dá pra entrar com pedido pra mudar B31 pra B91 (acidentário) na Justiça. Isso garante FGTS no afastamento e estabilidade de 12 meses.
5. Quanto tempo tenho pra processar?
Até 2 anos depois de sair da empresa. Dentro desses 2 anos, dá pra cobrar os últimos 5 anos.
Sobre o Ventura Advogados
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