Pino, placa e parafuso no corpo são prova de que o acidente foi grave. Fratura que precisou de ferro quase nunca volta a ser o que era: fica perda de força, de movimento, dor no frio. É essa limitação que a indenização paga. Na nossa carteira de clientes de São Paulo, mão, dedo e punho somam 41,2% das lesões.
“Tenho 30 pinos e 3 placas no braço.” “Botei 9 parafusos e uma placa na perna.” “Fiquei com 2 pinos na tíbia.” “Coloquei prótese no quadril.” É o assunto que mais aparece nos comentários das nossas redes. Gente que mostra a cicatriz, conta os parafusos e pergunta a mesma coisa: isso vale alguma coisa? Vale. E muitas vezes vale mais do que a pessoa imagina.
Sou o Welliton Ventura, ultraespecialista em acidente de trabalho há 15 anos. São mais de 3.000 casos e mais de R$ 41 milhões recuperados para trabalhadores, muitos deles com placa e parafuso no corpo. Vou te mostrar como transformar esse ferro em prova.
“Acidente de trabalho é o que a gente faz o dia inteiro.” — Dr. Welliton Ventura, advogado ultraespecialista em acidente de trabalho (OAB/PA 18.667-B)
Operei. Isso já mostra que foi grave?
Mostra. Fratura simples às vezes se resolve com gesso. Quando o médico precisou abrir, colocar placa e parafusar o osso, é porque a lesão não ia colar sozinha. Para quem julga, cirurgia com material é sinal claro de acidente sério. E acidente sério costuma deixar marca: o punho que não gira inteiro, o joelho que trava, a perna que incha no fim do dia, a dor quando o tempo esfria.
Na nossa carteira de clientes de São Paulo, a máquina, prensa ou serra sem proteção é o mecanismo número 1 de acidente, com 29,4% dos casos. São operadores de máquina, caldeireiros, soldadores. As cenas se repetem nas fichas: a prensa acionada por um colega enquanto a mão ainda estava lá dentro, a máquina que liga sozinha na hora da limpeza. Existe uma regra federal que obriga a empresa a ter proteção e trava na máquina, a NR-12. Faltou a proteção, a culpa é dela.
Por que o raio-X é a minha prova número 1?
Porque o ferro aparece em toda imagem, e imagem não esquece nem muda de versão. A empresa pode dizer que foi “só um machucado”. O raio-X com placa e parafuso desmente na hora. Peça ao hospital cópia de tudo:
- Raio-X e tomografia do dia do acidente, de depois da cirurgia e das revisões.
- Relatório da cirurgia, que descreve o que foi colocado no seu corpo.
- Receitas, atestados e as folhas da fisioterapia.
- Fotos da cicatriz, tiradas por você, com data.
Que limitação o médico precisa escrever?
O ferro prova a gravidade. Mas o dinheiro maior vem da limitação, ou seja, do que você não consegue mais fazer: fechar a mão, pegar peso, ficar muito tempo em pé, subir escada, segurar a ferramenta. Peça ao seu ortopedista que escreva isso no relatório, com todas as letras. “Paciente evolui bem” não ajuda em nada. “Perda de força e de movimento do punho direito, sem previsão de melhora” ajuda muito.
Na perícia, conte sem vergonha e sem exagero o que mudou na sua vida. Se você era operador de máquina e hoje não aguenta o turno, isso tem nome e tem valor.
E se eu precisar operar de novo no futuro?
Placa às vezes incomoda, solta ou precisa ser retirada. Prótese tem tempo de vida. Isso entra na conta: a cirurgia futura, o tempo parado, o remédio e a fisioterapia podem ser cobrados da empresa culpada. Guarde o relatório em que o médico fala da chance de nova cirurgia. E o que você já gastou do próprio bolso também volta, como explicamos no post sobre reembolso de despesas médicas pelo empregador.
A cicatriz vale dinheiro separado?
Vale. A cicatriz da cirurgia, a perna marcada, o braço que ficou com outro formato: isso é o dano estético, e ele não se confunde com o resto. O dano moral paga a dor e o sofrimento. A pensão paga o que você deixou de ganhar. O dano estético paga a marca que ficou no corpo. São três dinheiros diferentes, e todos podem ser pedidos juntos. Se o osso chegou a sair pela pele, o caso pesa ainda mais, como mostramos no post sobre fratura exposta no trabalho.
A empresa sumiu depois da cirurgia?
É o padrão: a empresa leva no hospital, às vezes abre a CAT, e depois some. Não paga a fisioterapia, não liga, te joga pro INSS e esquece. A empresa tem obrigação de cuidar do tratamento até o fim. Quando ela abandona o trabalhador, isso vira mais um argumento no processo, e pesa a seu favor.
O que NÃO fazer
- Não aceite o “você já está bom” sem um laudo que diga o que ficou.
- Não jogue fora nenhum exame antigo, nem os que parecem repetidos.
- Não aceite acordo sem antes saber quanto vale a sua limitação.
- Não falte à fisioterapia: a falta vira desculpa pra empresa.
📊 Quer ver valor real? Nossa página de valores por estado mostra o que a Justiça vem fixando em cada canto do Brasil.
Perguntas frequentes
Já tirei a placa. Perdi o direito? Não. O acidente aconteceu, a cirurgia aconteceu e a limitação que ficou continua sendo sequela. Tirar o material não apaga nada disso.
Voltei a trabalhar com os pinos. Ainda tenho direito? Tem. Voltar ao serviço não tira a indenização pela sequela, mesmo que você tenha mudado de função.
Tenho prótese no quadril por causa do acidente. Conta? Conta, e é uma das sequelas mais pesadas, porque mexe com andar, ficar em pé e carregar peso para o resto da vida.
Quanto vale cada pino? Não existe tabela por pino. O valor depende da limitação, da culpa da empresa, do seu salário e da sua idade.
Não tenho mais o raio-X. E agora? O hospital guarda o prontuário e as imagens. Peça uma cópia por escrito: é direito seu.
Sobre o Ventura Advogados
Somos ultraespecialistas em acidente de trabalho. Já atendemos mais de 3.000 trabalhadores e recuperamos mais de R$ 41 milhões em indenizações. Atuamos em todos os estados de forma 100% online.
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