Ninguém tem que ficar sem renda. A empresa paga seu salário nos primeiros 15 dias de afastamento. Do 16º dia em diante, quem paga é o INSS, pelo auxílio por incapacidade. E se foi acidente de trabalho, o benefício certo é o B91 — que ainda garante seu FGTS e estabilidade no emprego.

Essa é a regra geral. Mas na prática aparece muita dúvida. A empresa some. O INSS demora. O valor cai. E você, machucado, com conta chegando, sem saber a quem cobrar.

Vamos por partes. Sem juridiquês.

Quem paga os primeiros 15 dias?

A empresa. É lei.

Segundo a Lei 8.213/91 (art. 60, § 3º), durante os primeiros 15 dias consecutivos de afastamento, a empresa é obrigada a pagar seu salário integral. Não é favor. Não é adiantamento. É obrigação dela.

Isso vale a partir do atestado médico. Você se machucou, o médico afastou você por mais de 15 dias? Os 15 primeiros são por conta da empresa, com salário cheio, como se você estivesse trabalhando.

Nesse período, a empresa também tem outro dever: emitir a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho). É esse documento que registra oficialmente que o afastamento veio de um acidente no trabalho. Se a empresa se recusar a emitir, você não fica na mão: o próprio trabalhador, o sindicato ou o médico podem emitir a CAT.

E do 16º dia em diante?

Do 16º dia em diante, quem paga é o INSS.

O nome do benefício é auxílio por incapacidade temporária — o antigo auxílio-doença. Só que aqui tem um detalhe que muda tudo: existem dois tipos, e muita gente recebe o errado.

  • B31 (comum): para doença ou acidente que não tem ligação com o trabalho. Sem FGTS, sem estabilidade.
  • B91 (acidentário): para acidente de trabalho ou doença causada pelo trabalho. Mantém o depósito do FGTS e garante estabilidade de 12 meses quando você voltar.

Se você se machucou no trabalho ou no caminho dele, o certo é o B91. E tem mais uma vantagem: segundo o INSS (gov.br, 2026), no acidente de trabalho não existe carência. Ou seja, você tem direito ao benefício mesmo que tenha começado a contribuir há pouco tempo. No B31 comum, a regra geral exige 12 meses de contribuição.

Quer entender esse benefício a fundo? Temos um guia completo aqui: auxílio-doença acidentário (B91): o que é e quanto paga.

Quanto o INSS paga? É o salário inteiro?

Não. E é aqui que muita família aperta o cinto.

Segundo a Lei 8.213/91 (art. 61), o auxílio por incapacidade — inclusive o do acidente de trabalho — corresponde a 91% do salário de benefício. E salário de benefício não é o seu último salário: é uma média dos seus salários de contribuição ao longo do tempo.

Na prática, isso quer dizer que o valor que cai na conta costuma ser menor do que você ganhava trabalhando. Quem recebia com horas extras, adicional noturno, insalubridade ou comissão sente ainda mais, porque a média nem sempre reflete tudo isso.

Agora guarde esta informação, porque ela vale dinheiro: essa diferença entre o seu salário e o que o INSS paga pode entrar na conta da indenização contra a empresa. Se o acidente aconteceu por falha dela — máquina sem proteção, falta de EPI, treinamento que nunca existiu — ela responde pelo prejuízo que causou. E o prejuízo inclui o que você deixou de ganhar enquanto esteve afastado.

Ou seja: o INSS paga o benefício. A empresa, quando teve culpa, paga a indenização. São duas coisas diferentes, e uma não anula a outra.

E o FGTS e as férias durante o afastamento?

Aqui o tipo de benefício faz toda a diferença.

Com o B91 (acidentário), a empresa é obrigada a continuar depositando seu FGTS todo mês, durante todo o afastamento. Mesmo você em casa, se recuperando, o fundo continua crescendo.

Com o B31 (comum), esse depósito para. Por isso tanta empresa “esquece” de emitir a CAT: sem CAT, o INSS tende a classificar o benefício como comum — e a empresa economiza o FGTS e escapa da estabilidade. Não aceite isso calado.

Sobre as férias: o período afastado pelo INSS não conta como tempo trabalhado para férias novas. E se o afastamento passar de 6 meses dentro do mesmo período aquisitivo, aquele período zera — você começa a contar de novo quando voltar. As férias que você já tinha ganhado antes do acidente continuam suas.

O B91 é só um dos direitos de quem se acidenta. Veja os outros aqui: os 4 benefícios do INSS em acidente de trabalho.

A empresa pode simplesmente parar de pagar tudo?

Não pode. Mas algumas tentam.

Os golpes mais comuns são estes:

  • Não pagar os 15 primeiros dias. É obrigação legal. Se não pagou, você cobra na Justiça do Trabalho — com tudo que vier junto.
  • Não emitir a CAT. Sem CAT, seu benefício vira B31 e você perde FGTS e estabilidade. Emita por conta própria ou pelo sindicato.
  • Demitir durante ou logo depois do afastamento. Quem recebeu B91 tem 12 meses de estabilidade após o retorno. Demissão nesse período gera direito a reintegração ou indenização.
  • Pressionar você a voltar antes da hora. Quem decide se você está apto é o médico, não o chefe.

Se qualquer uma dessas coisas aconteceu com você, isso não é “azar”. É violação de direito. E direito violado vira indenização.

Nós somos ultraespecialistas em acidente de trabalho, com mais de 3.000 casos atendidos — e esse roteiro de empresa que corta pagamento, esconde CAT e demite acidentado, a gente conhece de cor. Inclusive quanto cada tipo de caso costuma pagar em cada região do país: veja os valores de indenização por estado.

Perguntas frequentes

Quanto tempo demora para o INSS começar a pagar?

Depende da perícia. Você faz o pedido pelo Meu INSS ou pelo telefone 135, envia o atestado e aguarda a análise ou a perícia médica. Enquanto isso, os 15 primeiros dias já são da empresa. Se o INSS aprovar, ele paga desde o 16º dia de afastamento, mesmo que a análise tenha demorado — o valor vem retroativo.

E se a empresa não pagar os 15 primeiros dias?

Guarde o atestado, os holerites e qualquer conversa por escrito. Essa dívida pode ser cobrada na Justiça do Trabalho, junto com os demais direitos do seu caso. Empresa que corta o salário de trabalhador acidentado costuma ter outras falhas — e todas entram na mesma ação.

Recebi o B31, mas foi acidente de trabalho. E agora?

Isso é mais comum do que parece, principalmente quando a empresa não emitiu a CAT. Dá para pedir a conversão do B31 em B91 no próprio INSS ou na Justiça. Convertendo, você recupera o FGTS do período e ganha a estabilidade de 12 meses. Vale a pena correr atrás.

Posso ser demitido enquanto estou afastado?

Durante o afastamento pelo INSS, seu contrato fica suspenso — a empresa não pode te demitir sem justa causa. E se o benefício foi o B91, a proteção continua por 12 meses depois que você voltar. Demitiu mesmo assim? Você pode ter direito a reintegração ou a receber os salários de todo o período de estabilidade.

O INSS negou meu benefício. O que eu faço?

Não desista na primeira negativa. Você pode pedir reconsideração, entrar com recurso no próprio INSS ou discutir na Justiça. Muita negativa cai por documentação incompleta ou perícia mal feita. Junte laudos, exames e a CAT, e procure orientação antes de aceitar o “não”.

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Dr. Welliton Ventura

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