Atualizado em 23 de agosto de 2026 — por Dr. Welliton Ventura

Se você perdeu um dedo (ou só a ponta dele) no trabalho, faça isto, nesta ordem: 1) cuide da saúde e guarde tudo do hospital; 2) exija a CAT da empresa em até 1 dia útil — se ela não emitir, você mesmo emite de graça no Meu INSS; 3) dê entrada no auxílio-doença acidentário (B91); 4) junte provas antes que sumam; 5) não assine nada no RH sem orientação; 6) saiba que você tem 12 meses de estabilidade no emprego; 7) calcule quanto vale o seu caso. Abaixo, cada passo explicado em linguagem simples.

Passo 1 — Saúde primeiro, e guarde tudo do hospital

Vá ao pronto-socorro mesmo que o corte pareça “pequeno”. Peça e guarde: a ficha de atendimento, o laudo ou relatório médico, as receitas e os atestados. Tire foto do ferimento ainda no hospital e, se der, do lugar e da máquina onde aconteceu. Esses papéis são a primeira prova de que o acidente foi no trabalho e de como ele aconteceu.

Se a empresa levou você ao hospital, tudo bem — mas os documentos são seus. Peça cópia de tudo.

Passo 2 — A CAT: a empresa é obrigada a emitir em 1 dia útil

A CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) é o documento que registra oficialmente que você se machucou trabalhando. A empresa tem que emitir até o primeiro dia útil depois do acidente. Muitas “esquecem” — porque a CAT abre a porta para o benefício acidentário e para a sua estabilidade.

Se a empresa não emitir, você mesmo emite, de graça, pelo site ou aplicativo Meu INSS (também pode ser o sindicato, o médico ou até um familiar). Não precisa de autorização do chefe. Emita e guarde o número da CAT.

Leia também: o que é o B91 e por que ele protege seu emprego.

Passo 3 — Dê entrada no auxílio-doença acidentário (B91)

Os primeiros 15 dias de afastamento a empresa paga. A partir do 16º dia, quem paga é o INSS — e, por ser acidente de trabalho, o benefício certo é o B91 (acidentário), não o B31 (comum). O B91 não exige tempo mínimo de contribuição, conta como tempo de serviço e garante a estabilidade de 12 meses quando você voltar.

Agende a perícia pelo Meu INSS levando a CAT, os laudos e os atestados. Se a perícia der “B31”, conteste — a diferença muda seus direitos.

Passo 4 — Junte as provas antes que elas sumam

Quem perde o dedo em máquina quase sempre ganha na Justiça — desde que prove como aconteceu. Faça isto ainda nos primeiros dias:

  • Fotos e vídeos da máquina, do local e, se possível, da proteção que faltava (grade, sensor, botão de duas mãos).
  • Nome e telefone de colegas que viram o acidente ou que sabem que a máquina já estava sem proteção.
  • Mensagens de WhatsApp ou e-mail com o encarregado, o RH ou o técnico de segurança (pedidos de conserto, reclamações, ordem para “dar um jeito”).
  • Ordens de serviço, treinamentos e entregas de EPI — se você nunca assinou nada, isso também é prova.
  • Boletim de ocorrência, se houve.

Máquina sem proteção é violação da NR-12 — e a culpa é da empresa. Entenda em: máquina sem proteção amputou meu dedo: o que fazer?

Passo 5 — Não assine nada no RH sem orientação

É comum a empresa oferecer um “acordo” rápido, uma ajuda de custo ou pedir para você assinar um termo dizendo que “foi descuido”. Não assine. Um papel assinado com pressa pode valer muito menos do que o seu direito — e a Justiça costuma pagar, num caso de dedo, dano moral, dano estético, pensão mensal e os gastos que você teve. Quem quiser conversar sobre acordo, que converse com o seu advogado.

Veja: aceitei acordo no RH — ainda posso rever o valor?

Passo 6 — Você tem 12 meses de estabilidade (e outros direitos)

Quem recebe o auxílio-doença acidentário tem estabilidade de 12 meses depois que volta ao trabalho: a empresa não pode demitir sem justa causa. Se demitir, tem que reintegrar ou pagar os salários do período. Além disso, o FGTS continua sendo depositado enquanto você está afastado pelo B91.

Se a lesão reduziu a sua capacidade de trabalho, pode haver auxílio-acidente do INSS (uma indenização mensal vitalícia, mesmo trabalhando) e, na Justiça do Trabalho, pensão vitalícia paga pela empresa.

Passo 7 — Calcule quanto vale o seu caso

A indenização por perda de dedo não é um valor só: somam-se dano moral, dano estético, pensão mensal (pela redução da capacidade) e danos materiais (remédios, prótese, transporte, o que você deixou de ganhar). O dedo perdido, a mão (direita ou esquerda), a sua profissão e a culpa da empresa mudam o número.

Veja os valores reais que a Justiça vem pagando na tabela de indenização por perda de dedo e em quanto é a indenização por perda de um dedo. Polegar? Vale mais — entenda por quê.

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Os prazos que você não pode perder

O quê Prazo Quem faz
CAT até o 1º dia útil após o acidente empresa; se não fizer, você, sindicato ou médico
Pagamento dos 15 primeiros dias do 1º ao 15º dia de afastamento empresa
Auxílio-doença acidentário (B91) a partir do 16º dia de afastamento você agenda a perícia no Meu INSS
Estabilidade no emprego 12 meses depois do fim do B91 direito seu, automático
Ação contra a empresa até 2 anos depois de sair da empresa (cobrando os últimos 5 anos) você, com advogado

Mesmo com 2 anos de prazo, quanto mais cedo as provas forem guardadas, mais forte fica o caso.

Perguntas frequentes

Perdi só a ponta do dedo. Também tenho direito?

Sim. Perda de falange é sequela permanente: gera dano estético, pode gerar dano moral e pensão, e dá direito ao B91 e à estabilidade. O valor é menor do que a perda do dedo inteiro, mas existe.

A empresa diz que a culpa foi minha. E agora?

Quem tem que provar que cumpria todas as normas de segurança (NR-12, EPI, treinamento) é a empresa. Se a máquina estava sem proteção ou você nunca foi treinado, a culpa é dela — mesmo que tenha sido você quem colocou a mão.

Voltei a trabalhar na mesma empresa. Posso processar?

Pode, e com estabilidade. Muita gente processa a empresa trabalhando lá, registrada. O processo é contra a empresa, não contra o seu emprego.

Não tenho carteira assinada. Perdi tudo?

Não. O acidente sem registro dá direito ao reconhecimento do vínculo e a todas as indenizações. O INSS pode ser mais difícil no começo, mas a Justiça do Trabalho reconhece o vínculo e a empresa responde do mesmo jeito.

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Dr. Welliton Ventura

Dr. Welliton Ventura

ULTRA Especialista em Acidente de Trabalho

Advogado com atuação exclusiva em acidente de trabalho e doenças ocupacionais. Mais de 3.000 casos atendidos, 85% de vitórias e nota 5.0 no Google. Atendimento humanizado, 100% digital e sem custo inicial.