O médico deu alta, mas o osso colou torto, o dedo não fecha, o punho não gira? Fratura “curada” com defeito é sequela permanente, e sequela permanente é indenização. Num caso real do escritório, um carpinteiro com o dedo indicador torto recebeu R$ 587 mil, porque a perícia reconheceu que ele perdeu o ofício.
Você ficou semanas no gesso ou passou por cirurgia. Tirou a tala achando que o pior tinha passado. Aí percebeu: o dedo ficou desviado, a mão não fecha na ferramenta, o punho trava quando você vira a chave. O ortopedista disse que “consolidou”. A empresa disse que você está curado. Mas você sabe que não está.
Sou o Welliton Ventura, ultraespecialista em acidente de trabalho há 15 anos. Já são mais de 3.000 casos e mais de R$ 41 milhões recuperados para trabalhadores do Brasil inteiro. E digo com tranquilidade: osso que colou torto é um dos casos que a empresa mais subestima.
“Acidente de trabalho é o que a gente faz o dia inteiro.” — Dr. Welliton Ventura, advogado ultraespecialista em acidente de trabalho (OAB/PA 18.667-B)
O que é “osso que colou torto”?
Quando um osso quebra, o corpo cola as partes de novo. Se elas não ficaram bem alinhadas, por causa de uma fratura em muitos pedaços, de um gesso mal colocado ou de uma cirurgia que não corrigiu tudo, o osso cola na posição errada. O médico chama isso de consolidação viciosa. Em português: colou, mas colou torto. Para o pronto-socorro, o trabalho acabou. Para a sua vida, o problema está começando.
Mas o médico me deu alta. Acabou meu caso?
Não. Alta quer dizer que o tratamento terminou, não que você voltou a ser quem era. Muitas vezes é na alta que o caso começa, porque é ali que fica claro o que não vai voltar. A Justiça não pergunta se o osso colou. Ela pergunta o que você consegue fazer hoje, comparado com antes do acidente.
No INSS vale a mesma lógica: sequela que reduz sua capacidade de trabalho pode dar direito ao auxílio-acidente, pago todo mês mesmo depois que você volta ao serviço. Muita gente com osso torto nunca pediu porque achou que a alta encerrava tudo.
O caso do Deivid: um dedo torto que valeu R$ 587 mil
O Deivid era carpinteiro em Santa Catarina. Trabalhava na serra circular, e a trava de proteção da máquina falhou. O acidente não amputou nada: deixou o dedo indicador torto. Pedimos R$ 386 mil. A Justiça condenou a empresa em R$ 587 mil, acima do pedido, porque a perícia reconheceu que, com aquele dedo, ele não conseguia mais trabalhar como carpinteiro.
Um dedo torto, na mão de quem vive de serrar, medir e encaixar madeira, acabou com uma profissão. Isso tem nome: perda do ofício, o direito que mais multiplica a indenização. A história completa está no post do carpinteiro com dedo torto em Santa Catarina.
E repare: serra com proteção que não funciona é justamente o que a NR-12, a regra federal que obriga proteção na máquina, proíbe. Se a proteção não estava lá ou não funcionava, a culpa é da empresa, não do seu “descuido”.
Isso é raro?
Nem um pouco. Na nossa carteira de clientes de São Paulo, lesões de mão, dedo e punho são 41,2% dos casos, três vezes mais que a segunda família de lesões. E máquina, prensa ou serra sem proteção é a causa número 1: 29,4% dos acidentes. “Fratura com dedo torto” aparece escrito assim mesmo nas fichas. É o operador de produção com a mão presa na máquina, é o repositor que cortou o tendão no vidro da porta e ficou com um dedo que não estica mais.
Como a perícia mede o “torto”?
O perito não pode só olhar e dizer que está “tortinho”. Ele tem que medir. Saiba o que cobrar:
- Ângulo do movimento: com o goniômetro, um aparelho parecido com um transferidor, ele mede quanto o dedo dobra e estica e quanto o punho gira, comparando com o lado bom.
- Força da mão: o aperto da mão inteira, medido num aparelho próprio.
- Força da pinça: a força entre o polegar e os outros dedos, a que segura prego, parafuso e agulha.
- Raio-X: mostra o ângulo em que o osso colou.
- Uso no dia a dia: o que você deixou de conseguir fazer no serviço e em casa.
Perícia rápida, sem medir nada, pode ser contestada. Leve os exames, o raio-X do dia do acidente e o de hoje, e uma lista honesta do que você não consegue mais fazer. Se a mão ficou rígida, leia também sobre mão sem movimento depois do acidente.
E se precisar operar de novo?
Às vezes o osso torto só se corrige com nova cirurgia: quebrar de novo, realinhar, colocar placa. Isso tem custo, afastamento e risco, e tudo entra na conta, inclusive a cirurgia que o médico já indicou e ainda não aconteceu. A cicatriz nova também conta: dano estético é um dinheiro separado do resto. Se o seu caso começou com um braço quebrado, veja o post quebrei o braço trabalhando.
O que NÃO fazer
- Não assine acordo da empresa achando que alta é cura.
- Não jogue fora nenhum raio-X, nem os antigos: o de antes e o de hoje, lado a lado, provam o desalinhamento.
- Não esconda do médico que o dedo não fecha ou que dói. Peça que ele escreva a limitação no laudo.
- Não deixe para depois: caso com sequela vive de documento, e documento se perde.
Quer ver valor real, não a nossa palavra? A página de valores por estado mostra o que a Justiça vem fixando em cada canto do Brasil.
Perguntas frequentes
O osso colou torto porque o hospital errou. A culpa ainda é da empresa? A empresa responde pelo acidente que aconteceu no trabalho e pelas consequências dele. Um eventual erro médico se analisa junto, mas não apaga a responsabilidade de quem causou o acidente.
Voltei a trabalhar na mesma função. Ainda tenho direito? Tem. Voltar ao serviço não apaga a sequela. A indenização olha para a capacidade que você perdeu.
O dedo torto é da mão que eu não uso pra escrever. Conta? Conta. A mão que trabalha mais costuma pesar mais, mas a outra também segura, apoia e carrega. Quem mede é a perícia.
O osso colou há alguns anos. Ainda dá tempo? Muitos casos antigos seguem vivos, mas cada situação é uma, e caso antigo precisa de documento: CAT, laudo, prontuário ou papel do INSS. Verifique com um especialista antes de desistir.
Sobre o Ventura Advogados
Somos ultraespecialistas em acidente de trabalho. Já atendemos mais de 3.000 trabalhadores e recuperamos mais de R$ 41 milhões em indenizações. Atuamos em todos os estados de forma 100% online.
Sofreu um acidente de trabalho?
Calcule agora quanto você pode receber. Grátis, sem compromisso.
Calcular indenização