Amputou o dedo indicador numa máquina do trabalho? A perícia trabalhista reconhece 15% de incapacidade da mão só pra esse dedo. Em processo público que acompanhamos, um técnico eletricista que perdeu 3 dedos — incluindo o indicador — numa hélice de exaustor recebeu R$ 146 mil em 1ª instância, e o recurso pra aumentar o valor ainda está em andamento.
Indicador é o dedo que aponta, que aperta gatilho, que segura ferramenta fina — perdê-lo muda o jeito de trabalhar de quase qualquer profissão manual. Serra, prensa, esteira, hélice de ventilador ou exaustor: são as causas mais comuns desse tipo de acidente.
Sou o Welliton Ventura, ultraespecialista em acidente de trabalho há 15 anos. Mais de 3.000 casos, mais de R$ 41 milhões recuperados. Vou te mostrar o caso real e o que fazer no seu.
O caso real: eletricista perdeu 3 dedos numa hélice
Um técnico eletricista de Pernambuco estava instalando um exaustor quando a hélice da máquina amputou os dedos indicador, médio e anular da mão esquerda, além de fraturar a fíbula. A empresa não conseguiu provar que ofereceu proteção adequada na hélice. Resultado: sentença de R$ 146 mil reconhecendo que ele perdeu 100% da capacidade pra função que exercia — e o próprio escritório está recorrendo pra aumentar ainda mais o valor no tribunal.
Esse caso mostra uma coisa importante: eletricista também se acidenta por via mecânica, não só por choque elétrico. Qualquer máquina com peça giratória sem proteção — hélice, disco, rolo, engrenagem — é risco de amputação de dedo.
Por que a culpa costuma ser da empresa
A norma de máquinas (NR-12) exige que qualquer peça giratória tenha proteção física, e que a máquina tenha botão de emergência ao alcance da mão. Se você foi mexer numa máquina ligada porque “sempre foi assim”, ou nunca recebeu treinamento específico pra aquele equipamento, a responsabilidade é da empresa.
- A hélice, disco ou rolo tinha grade de proteção?
- Você recebeu treinamento certificado pra aquela máquina específica?
- Existia técnico de segurança acompanhando o setor?
- O EPI fornecido era o certo pra função, ou uma luva qualquer?
Seus direitos depois de perder o indicador
- Benefício acidentário do INSS (B91) se o afastamento passou de 15 dias
- 1 ano de estabilidade no emprego ao voltar
- Dano moral pela dor e pelo trauma
- Dano estético pela marca que ficou
- Pensão mensal, calculada sobre o percentual de incapacidade — ou sobre o salário cheio, se ficar provado que você perdeu o ofício
Veja a tabela completa de valores por dedo pra comparar o percentual do indicador com os demais e entender a conta da pensão.
📊 Quer ver valor real, não a nossa palavra? Nossa página de valores por estado mostra os valores que a Justiça vem fixando em cada canto do Brasil — dado público, atualizado.
O que NÃO fazer
- Não aceite dizer que “foi descuido seu” mexer na máquina ligada — a proteção deveria impedir o acesso.
- Não assine acordo sem calcular quanto o caso realmente vale.
- Não jogue fora radiografia, atestado, laudo ou foto da máquina.
E fica atento: a empresa acompanhou sua recuperação até o fim, pagou fisioterapia e prótese, ou levou você pro hospital e sumiu? Esse abandono depois do acidente também vira argumento no processo.
O que fazer agora, passo a passo
- Trate a lesão — cirurgia, curativo, fisioterapia.
- Exija a CAT em até 24 horas; se a empresa não emitir, emita você mesmo no INSS.
- Fotografe a máquina sem proteção, se conseguir.
- Guarde todo papel médico.
- Anote quem viu o acidente ou sabia do risco.
- Você tem até 2 anos depois de sair da empresa pra processar.
O abandono depois do acidente também conta no processo
Muita gente sente que foi abandonada pela empresa depois do acidente. É um padrão que vemos direto: a empresa leva você pro hospital, paga a primeira consulta, às vezes emite a CAT — e depois some. Não liga pra saber como você está. Não paga fisioterapia. Não acompanha a reabilitação. Te devolve pro INSS e desaparece. Por lei, a empresa tem obrigação de prestar socorro continuado: pagar tratamento médico completo, fisioterapia, acompanhamento psicológico quando necessário e cuidar da sua readaptação até você voltar — ou indenizar direito pelo que não voltou. Quando a empresa abandona o trabalhador depois do acidente, isso vira mais um argumento no processo, e juiz valoriza muito esse ponto.
Dá medo de processar? Entenda por que você pode
Muito trabalhador não processa porque tem medo de “ficar marcado” no mercado, ou acha que processo é coisa de gente rica. Nenhum dos dois é verdade. A empresa não pode te marcar nem espalhar seu nome pra outras empresas — isso é proibido por lei e ainda gera mais indenização se acontecer. E você não paga nada pra começar: o advogado só recebe se você ganhar o processo. Dá até pra processar ainda trabalhando na mesma empresa, sem precisar pedir demissão — explicamos isso com detalhe no post sobre processar a empresa mesmo recebendo benefício do INSS.
Perguntas frequentes
Fraturei o indicador mas não amputei. Tenho direito mesmo assim? Tem. Fratura com sequela — dedo que não fecha mais totalmente, perda de força ou de sensibilidade — também gera indenização, mesmo sem amputação.
A empresa disse que vai pagar minha cirurgia e ficar por isso. É suficiente? Não. Tratamento médico é obrigação da empresa, não é a indenização. Dano moral, dano estético, pensão e estabilidade são direitos separados.
Meu caso é parecido com o do eletricista. Vale o mesmo valor? Não necessariamente — cada caso depende do seu salário, da gravidade da sequela e da prova reunida. O caso real mostra o tipo de reconhecimento que a Justiça já deu, não uma promessa de valor igual.
Ainda estou afastado pelo INSS. Posso processar a empresa agora? Pode. Receber benefício do INSS não impede processar a empresa — são direitos diferentes, e um não anula o outro.
Sobre o Ventura Advogados
Somos ultraespecialistas em acidente de trabalho. Já atendemos mais de 3.000 trabalhadores e recuperamos mais de R$ 41 milhões em indenizações. Atuamos em todos os estados de forma 100% online.
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