Atualizado em 10 de junho de 2026 — por Dr. Welliton Ventura
Sim, mão dormente de noite por movimento repetido no serviço é túnel do carpo — doença do trabalho reconhecida, com direito a indenização. Caso leve paga R$ 15 a 30 mil; com cirurgia ou perda do ofício, chega a R$ 200 mil.
Você é caixa de supermercado, digitador, costureira, açougueira, empacotador, recepcionista. Acorda de madrugada com a mão dormente, formigando. Daí derruba copo na cozinha. Daí dói pra abrir vidro de palmito.
Diagnóstico do neurologista: Síndrome do Túnel do Carpo (CID G56.0). Compressão do nervo mediano no punho. Causa direta na sua função: movimento repetitivo da mão por horas seguidas todos os dias.
É doença ocupacional reconhecida desde 1991 no Brasil. E você tem direito a indenização — mesmo que ainda esteja trabalhando.
Como provar que veio do trabalho
O nexo causal é fácil de fechar quando você tem:
1. Eletroneuromiografia confirmando compressão do nervo mediano (exame padrão, R$ 200-400 ou pelo SUS).
2. CTPS ou contracheque comprovando ao menos 1 ano em função de risco.
3. Lista oficial: NTEP do INSS reconhece nexo automático para caixa, digitador, costureira, montador, embalador, operador de telemarketing.
4. CAT — você emite no Meu INSS.
5. Atestados médicos sucessivos pedindo afastamento.
6. Testemunhas do setor.
Os 4 direitos do trabalhador com túnel do carpo
1. Auxílio-doença acidentário (B91) — durante todo o afastamento, com FGTS continuando a ser depositado.
2. Dano moral — R$ 10-30 mil em caso leve; R$ 30-80 mil em caso com cirurgia ou sequela.
3. Pensão proporcional se a função tornou-se inviável (Art. 950 CC).
4. Estabilidade de 12 meses no retorno após benefício B91.
Quanto a Justiça vem pagando
| Gravidade do caso | O que envolve | Faixa de indenização |
|---|---|---|
| Caso leve | afastamento curto, sem cirurgia, retorno completo | R$ 15 a 30 mil |
| Caso médio | cirurgia de liberação do túnel, sequela parcial, dor crônica | R$ 30 a 80 mil |
| Caso grave | cirurgia bilateral, perda do ofício, incapacidade para função similar | R$ 80 mil a R$ 200 mil (moral + pensão em parcela única) |
Caso leve (afastamento curto, sem cirurgia, retorno completo): R$ 15-30 mil.
Caso médio (cirurgia para liberação do túnel, sequela parcial, dor crônica): R$ 30-80 mil.
Caso grave (cirurgia bilateral, perda do ofício, incapacidade para função similar): R$ 80 mil a R$ 200 mil somando dano moral + pensão vitalícia em parcela única.
Mulheres tendem a ganhar mais (jurisprudência reconhece maior frequência nelas e majora pelo impacto na rotina doméstica).
Entenda como calcular a indenização por acidente de trabalho passo a passo. E quando a lesão tira de vez a função da mão, veja o guia de indenização por perda de mão no trabalho.
Erros comuns que destroem o caso
1. Aceitar B31 sem questionar — peça revisão pra B91, dobra o valor da indenização.
2. Voltar antes da hora — dor piora, recidiva acontece, e a empresa pode argumentar “você voltou e não reclamou”.
3. Não juntar exames antigos — eles mostram a progressão e blindam o caso.
4. Aceitar acordo de R$ 5-10 mil em caso que vale 5-10x mais.
O que fazer agora
O primeiro passo é simples. Calcule sua indenização na calculadora (2 minutos) ou fale comigo direto. Para ver quanto a Justiça vem condenando no seu estado, consulte os valores por estado.
Perguntas frequentes
Tô empregada ainda. Posso entrar com ação sem ser demitida?
Pode. Estabilidade acidentária protege contra demissão por entrar com ação (seria represália punível). E entrar antes da demissão dá vantagem: empresa fica nervosa e oferece acordo melhor.
Operei pelo SUS. Tem direito mesmo assim?
Tem. SUS é gratuito, mas você teve fisioterapia, transporte, salário não integral durante afastamento, dores. Tudo entra como dano material e moral.
E se eu fiz hidroginástica/exercício e o ortopedista disse que ajuda?
Tratamento por conta própria não tira o nexo. O nexo é entre a função e a doença. O fato de você buscar tratamento mostra esforço pra continuar trabalhando — favorece o caso.
Trabalhei 5 anos numa empresa e 3 anos em outra. Quem responde?
As duas, proporcional ao tempo. Você processa as duas; o juiz divide a indenização. Cada empresa paga pela parte de progressão durante seu período.
Posso usar prótese ou aparelho? Empresa paga?
Imobilizadores noturnos, órteses, fisioterapia continuada — tudo entra como dano material. Empresa repõe. Em casos graves, pensão paga por toda vida útil pra cobrir tratamentos crônicos.
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