Você tem direito a indenização, afastamento pago e 1 ano de emprego garantido na volta. Perder a visão de um olho é sequela permanente: casos do escritório passaram de R$ 80 mil, mais um salário da empresa todo mês pela sequela que ficou.
Alguma coisa entrou no seu olho no trabalho. Um estilhaço de ferro. Um respingo de produto químico. A luz da solda sem máscara. Uma fagulha da esmerilhadeira. Doeu, ardeu, escureceu. Hoje você enxerga embaçado, vê manchas, ou perdeu a visão de um olho. E o chefe falou: “você não usou o óculos”. O óculos de proteção era obrigação da empresa. Você tem direito.
Esmerilhador que pegou estilhaço no olho. Soldador que ficou com a visão queimada da luz. Trabalhador da limpeza que respingou produto químico. Operário de torno que não tinha óculos. Todos têm o mesmo direito — e muitos perderam visão calados, achando que “foi azar”.
Acidente no olho é dos mais graves, porque a visão não volta. E paga indenização alta.
Por que a culpa é da empresa, não sua
Todo serviço que solta fagulha, estilhaço, poeira ou respingo é risco pros olhos. A empresa é obrigada por lei a proteger você. Ela tinha que ter dado:
- Óculos de proteção do tipo certo pra cada serviço
- Máscara de solda com filtro pra luz
- Protetor facial pra respingo químico
- Treinamento de uso e fiscalização do uso
- Máquina com proteção que segura o estilhaço
- Lava-olhos perto, pra emergência química
Se faltou qualquer um — e quase sempre falta — a culpa é da empresa. Não importa se “você não estava usando o óculos”. Era a empresa que tinha que dar o óculos certo, exigir o uso e não deixar você trabalhar sem ele.
Funções que mais sofrem acidente no olho
- Soldador e ajudante de solda
- Esmerilhador e operador de lixadeira
- Torneiro mecânico e operador de torno
- Serralheiro e funileiro
- Pedreiro que quebra parede e laje
- Trabalhador de limpeza com produto químico forte
- Operário de indústria química e galvanoplastia
- Marceneiro e operador de serra
- Trabalhador rural que aplica veneno e defensivo
- Mecânico que mexe com bateria e ácido
O que fazer agora, logo depois do acidente
- Lave o olho e corra pro pronto-socorro. Respingo químico precisa ser lavado na hora. Estilhaço precisa ser tirado por médico. Não espere.
- Exija a CAT. É o comunicado de acidente. A empresa tem 24 horas pra emitir. Se não emitir, você emite direto no INSS, de graça.
- Peça exame com oftalmologista. Ele mede o quanto da visão você perdeu. Guarde o laudo.
- Guarde tudo. Atestado, receita, exame de vista, conta de remédio e de cirurgia.
- Anote os colegas que viram. Quem socorreu, quem sabia que faltava óculos, quem ouviu o chefe mandar trabalhar sem proteção.
Seus direitos depois do acidente no olho
- Auxílio acidentário (B91) — se ficou afastado mais de 15 dias, o INSS paga o benefício acidentário. A empresa continua depositando o FGTS durante o afastamento.
- Estabilidade de 12 meses — quando você voltar do afastamento, a empresa não pode te demitir por 12 meses. Se demitir, paga indenização cheia.
- Indenização por dano moral — pela dor, pelo medo de ficar cego, pela visão que mudou pra sempre.
- Indenização por dano estético — se o olho ficou marcado, branco, ou com aparência diferente.
- Pensão mensal vitalícia — se perdeu visão de um olho ou ficou com a vista reduzida, você recebe uma pensão todo mês até o fim da vida. Visão é perda que não volta.
O que NÃO fazer depois do acidente
- Não diga “eu não usei o óculos”. Era a empresa que tinha que dar o óculos certo e não deixar você trabalhar sem. A culpa é dela.
- Não aceite acordo do RH sem advogado. A empresa costuma oferecer R$ 3 mil, R$ 6 mil pra “encerrar”. Caso real do escritório com perda de visão chegou perto de R$ 100 mil.
- Não deixe de fazer o exame de vista. É ele que mostra o quanto você perdeu e garante a pensão.
- Não jogue fora laudo, atestado, receita. Tudo vira prova.
Veja quanto vale o seu caso
O valor depende do quanto de visão você perdeu, da sequela, do tempo de afastamento, do seu salário e do estado. Antes de aceitar qualquer oferta da empresa, calcule.
Valores médios por estado
O valor das indenizações varia bastante de um estado pra outro. Veja a tabela de indenização por acidente de trabalho por estado em 2026, com base nos casos reais que acompanhamos.
Perguntas frequentes
1. Eu não estava usando o óculos na hora. Perco o direito?
Não. A empresa é obrigada a dar o óculos certo, exigir o uso e fiscalizar. Se ela deixou você trabalhar sem, a culpa é dela.
2. Perdi a visão de um olho só. Vale a pena processar?
Vale, e muito. Perder a visão de um olho é sequela permanente, paga pensão vitalícia e indenização alta. Casos do escritório passaram de R$ 80 mil.
3. Foi luz de solda e a visão melhorou depois. Ainda tenho direito?
Tem. Mesmo que tenha melhorado, houve afastamento, dor e dano moral. E luz de solda repetida deixa sequela escondida na vista. Faça o exame.
4. O estilhaço entrou faz tempo e só agora a vista piorou. Dá?
Dá. Sequela no olho pode aparecer ou piorar com o tempo. O acidente entra como causa, mesmo passados meses. Procure médico e guarde o laudo.
5. Quanto tempo tenho pra entrar com a ação?
Até 2 anos depois de sair da empresa. Dentro desses 2 anos, dá pra cobrar os últimos 5 anos de direitos.
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