Perdi o polegar no trabalho: por que a indenização é maior?
Perder o polegar no trabalho costuma dar uma indenização maior do que perder qualquer outro dedo. O motivo é simples: sem o polegar você quase não consegue segurar, apertar ou pegar nada. As tabelas usadas na Justiça contam o polegar como 20% a 25% da mão, enquanto um dedo comum vale por volta de 9%. Por isso os valores nesses casos costumam ficar entre R$ 42 mil e mais de R$ 80 mil, podendo chegar perto do teto que costumamos trabalhar, de R$ 100 mil.
Por que o polegar vale mais que os outros dedos?
Pense em qualquer coisa que você faz com a mão: pegar uma chave, abrir uma garrafa, segurar uma ferramenta, escovar os dentes. Quase tudo depende do polegar fazendo “pinça” com os outros dedos. Quando ele some ou para de funcionar, a mão inteira perde força e jeito.
É por isso que as tabelas de invalidez (as mesmas que as seguradoras usam, conhecidas como tabela SUSEP) dão um peso bem maior pro polegar:
- Polegar: 20% a 25% do valor de uma mão
- Dedo indicador: cerca de 15%
- Outros dedos (anular, médio, mínimo): em torno de 9% cada
Ou seja: na conta, perder o polegar pode valer mais que perder dois ou três outros dedos juntos.
Quanto vale a indenização por perda do polegar?
Não existe um valor fixo, mas dá pra ter uma noção pelas faixas que aparecem nos casos reais. A perda de um dedo costuma render algo entre R$ 42 mil e R$ 82 mil. Casos mais graves, com perda de movimento ou sequela maior, chegam à faixa de R$ 72 mil a R$ 155 mil somando tudo (dano moral, dano estético, pensão e despesas).
Como o polegar pesa mais na conta, ele tende a ficar na parte de cima dessas faixas. Num caso julgado pelo TRT da 15ª Região (Campinas), um operador de máquina que teve o polegar decepado recebeu R$ 60 mil só de danos moral e estético, fora os outros valores do processo (veja a notícia oficial do TRT-15).
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O que entra no valor que você pode receber?
Quando o polegar é perdido num acidente de trabalho, normalmente você pode somar mais de um tipo de indenização:
- Dano moral: pelo sofrimento e pela dor de perder parte do corpo.
- Dano estético: pela marca que ficou na mão, que todo mundo vê.
- Pensão: se a mão perdeu força pro seu trabalho, a empresa pode ter que pagar uma pensão (às vezes paga tudo de uma vez).
- Despesas: remédios, cirurgias, fisioterapia, próteses.
O valor final depende do quanto a mão ficou comprometida, de quem teve culpa no acidente e do tamanho da empresa.
O que faz o valor subir ou descer?
Alguns pontos que pesam muito:
- A máquina estava sem proteção? Faltou treinamento? Faltou EPI? Tudo isso aumenta a culpa da empresa.
- Você consegue voltar a trabalhar na mesma função ou teve que mudar de profissão?
- A empresa emitiu a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho)? Se escondeu o acidente, isso pesa contra ela.
Quer entender melhor todos os seus direitos? Veja nosso guia completo sobre acidente de trabalho e a página de valores por estado.
Perguntas frequentes
1. Perdi só uma parte do polegar (a ponta). Tenho direito?
Sim. Mesmo a perda de parte do polegar gera indenização, porque já atrapalha o movimento de pinça. O valor é menor que na perda total, mas existe.
2. O acidente foi um pouco por culpa minha. Ainda recebo?
Na maioria das vezes sim. Se a empresa deixou de cumprir regras de segurança (máquina sem proteção, sem treinamento), ela responde mesmo que você tenha falhado em algo. A culpa dela continua.
3. Já recebo benefício do INSS. Posso processar a empresa também?
Pode. O dinheiro do INSS é uma coisa; a indenização que a empresa paga é outra. Uma não cancela a outra.
4. Quanto tempo tenho pra entrar com o processo?
Não deixe parado. Os prazos correm e quanto antes você procurar um advogado, melhor pra juntar provas (CAT, fotos, laudos).
5. Quanto custa pra começar?
Em geral, nesse tipo de caso você não paga nada pra começar. O acerto é feito sobre o que você ganhar no fim.
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