Torneiro mecânico é a profissão técnica clássica de metalurgia. Você opera o torno, a fresa, a furadeira de coluna. Trabalho de precisão, com a peça girando em alta rotação, ferramenta avançando, mãos perto do que está em movimento.
Em segundos, distração, peça solta, castanha sem proteção — e o dedo foi pra dentro do equipamento. Amputação. CID S68 (dedo) ou S68.4 (mão).
Esse acidente é dos mais bem cobertos pela NR-12 — e dos que pagam mais alto na Justiça. Aqui eu explico por que e quanto.
NR-12 e o torno: as 5 obrigações da empresa
1. Proteção fixa da castanha (item 12.38) — barreira física que impede o acesso da mão durante a rotação.
2. Sistema de freio rápido (item 12.85) — botão de emergência que para a peça em segundos.
3. Treinamento documentado anual (item 12.135) — mínimo 8 horas, com presença comprovada.
4. EPI específico (NR-6) — luva mecânica adequada (NÃO luva de raspa de couro genérica perto de torno; ela engata).
5. Manutenção registrada (item 12.55) — programa de manutenção preventiva.
Em metalúrgicas brasileiras, raramente os 5 pontos estão atendidos. A falta de qualquer um deles ativa responsabilidade objetiva.
Por que torneiro tem indenização alta
Três motivos:
1. Profissão qualificada — salário acima da média (R$ 2-4 mil), o que aumenta o cálculo da pensão vitalícia.
2. Perda do ofício certa — torneiro sem 1+ dedos da mão dominante perde precisão; geralmente é considerada perda do ofício total ou parcial relevante.
3. NR-12 facilmente provada — equipamentos antigos, sem documentação de treinamento, geralmente sem proteções adequadas.
Resultado: indenização total facilmente passa de R$ 150-300 mil.
Casos reais conduzidos no escritório
• Torneiro 38 anos, amputação dedo indicador mão direita em torno SBR-360 sem proteção da castanha — R$ 187 mil em acordo, 8 meses do ajuizamento.
• Torneiro 52 anos, esmagamento de 3 dedos em fresa universal — R$ 320 mil em sentença, perda de função da mão dominante.
• Torneiro 29 anos, amputação polegar — R$ 245 mil em acordo, perda do ofício total, pensão vitalícia em parcela única.
Provas que blindam o caso
1. Foto do torno tirada por colega ou pelo próprio em dia anterior ao acidente.
2. CAT (você emite no Meu INSS).
3. Laudo médico com CID e descrição da amputação.
4. Ficha de função, treinamentos comprovados ou ausentes (pedir cópia ao RH ou requerer judicialmente).
5. Programa de manutenção da máquina (se a empresa não tem, é prova contra ela).
6. Testemunhas do setor, principalmente do encarregado e dos colegas que viram o acidente.
O que fazer agora
O primeiro passo é simples. Calcule sua indenização na calculadora (2 minutos) ou fale comigo direto. Para ver quanto a Justiça vem condenando no seu estado, consulte os valores por estado.
Perguntas frequentes
E se a empresa diz que eu “removi a proteção” pra trabalhar mais rápido?
Argumento clássico de defesa, e perde quase sempre. A NR-12 exige que a proteção impeça operação sem ela (intertravamento — máquina não liga sem a proteção encaixada). Se você conseguiu remover e operar, é falha do equipamento. Empresa responde.
Trabalho na metalúrgica há 25 anos. A perda do dedo agora me aposenta?
Em geral, sim. Aposentadoria por invalidez (B92) se a perda for severa, ou aposentadoria por tempo de contribuição com adicional. Independente disso, a indenização da empresa é separada e cumulativa.
E se a empresa fechou ou faliu?
Sócios respondem pessoalmente (desconsideração). Grupo econômico responde junto. Em terceirização (você era de empreiteira), a contratante responde. Caminhos sempre existem.
Estou aposentado mas o acidente foi quando trabalhava. Ainda dá?
Sim. O prazo é de 5 anos contados do acidente, não da aposentadoria. Mesmo aposentado há 4 anos, ainda cabe ação.
Quanto tempo até receber?
Tutela de urgência pode liberar 30-50% em 60-120 dias se você ficou sem renda. Acordo em 6-12 meses, sentença em 14-24 meses. Em casos com NR-12 clara e perda de ofício, empresa frequentemente acorda rápido.
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