Atualizado em 11 de junho de 2026 — por Dr. Welliton Ventura
Vou ser direto, porque é assim que eu trabalho: se você tomou um choque no trabalho, levou um susto e no dia seguinte estava bem — provavelmente isso não vira indenização. Alguns juízes chamam choque sem consequência de “mero aborrecimento”. Não vou te enrolar prometendo dinheiro onde não tem.
Agora, presta atenção na segunda parte, porque ela muda tudo: se o choque te deixou MARCA — queimadura, cirurgia, dedo que não dobra, mão que treme, coração alterado, dias de hospital — a história é completamente outra. Choque elétrico com sequela é um dos acidentes que mais pagam na Justiça do Trabalho. E quem trabalha com eletricidade tem uma vantagem na lei que quase ninguém conhece. Eu já ganhei vários processos de eletricista — e vou te mostrar um deles, com número de processo público: mais de R$ 1 milhão pagos a um eletricista que tomou choque trocando um transformador no Pará.
Meu nome é Welliton Ventura. Há 15 anos cuido só de acidente de trabalho. Somos ULTRAESPECIALISTAS no assunto — mais de 3.000 casos atendidos e mais de R$ 41 milhões recuperados. O caso que você vai ler aqui foi nosso, do começo ao fim.
1 – Tomou choque e ficou bem? A resposta honesta
Todo mês chega gente no escritório dizendo: “tomei um choque na obra, posso processar?”. E a primeira pergunta é sempre a mesma: o que o choque deixou em você?
Se a resposta for “nada, só o susto”, sou honesto: dificilmente vale a pena. A Justiça olha para o dano. Choque que não machucou, não afastou, não deixou marca — em vários tribunais é tratado como aborrecimento do dia a dia, e o processo morre na praia.
Mas se a resposta for qualquer uma dessas, a conversa muda:
- Queimadura na pele — mesmo pequena, mesmo já cicatrizada;
- Dias internado ou afastado do trabalho;
- Cirurgia — enxerto de pele, qualquer uma;
- Dedo travado, mão fraca, tremor que não passa;
- Formigamento permanente no braço ou na mão;
- Coração alterado — arritmia, palpitação;
- Queda do poste, da escada ou do andaime por causa do choque;
- Você não consegue mais fazer o serviço que fazia antes.
Isso é sequela. Sequela é dano. E dano de choque elétrico paga alto. É exatamente o tipo de caso que a Ventura ganha — e vou provar com um caso real, julgado, pago e encerrado.
E olha que o papel do processo conta só uma parte. O Dr. Welliton, que acompanhou o Valdeneis do dia do acidente até o dinheiro cair na conta, viu de perto o resto: a visão comprometida depois da descarga, os nervos atrofiando na perna e nos braços com o passar dos meses, a marca permanente na barriga de onde tiraram a pele pro enxerto. Choque de verdade não machuca um lugar só — ele percorre o corpo inteiro. É por isso que caso de choque com sequela precisa de perícia bem feita e de advogado que saiba PEDIR tudo: cada sequela esquecida no pedido é dinheiro que não volta mais.
2 – O caso real: o eletricista que ganhou mais de R$ 1 milhão (corrigido até o pagamento)
O nome dele é Valdeneis. Eletricista de rede de distribuição no Pará, contratado por um consórcio de energia para trabalhar nas obras do programa Luz para Todos, levando energia para a zona rural. Salário de R$ 2.314,90 por mês.
Em agosto de 2020, ele tomou uma descarga elétrica em cima de um poste. Ficou quase 2 meses internado, passou por duas cirurgias e nunca mais pôde trabalhar como eletricista de rede. A Justiça do Trabalho do Pará condenou a empresa — e também a dona da obra — a pagar:
- R$ 588.910,56 de pensão, em parcela única;
- R$ 50.000,00 de dano moral;
- R$ 50.000,00 de dano estético.
Total: R$ 688.910 na data da sentença (2022) — que, com a correção e os juros correndo até o dia do pagamento em 2024, mais os 15% de honorários que a empresa teve que pagar por fora, passou de R$ 1 milhão. A empresa recorreu ao tribunal — e perdeu de novo. O tribunal manteve cada centavo. O dinheiro entrou na conta dele em 2024.
Isso não é história de propaganda. É processo público: nº 0000182-86.2021.5.08.0103, Justiça do Trabalho do Pará (Vara do Trabalho de Altamira). Qualquer pessoa pode consultar. E o advogado dele, do primeiro papel até o dinheiro na conta, fui eu. Agora deixa eu te contar como o acidente aconteceu — porque a história dele provavelmente parece com a sua.
3 – Como o acidente aconteceu: a chave que não podia ser religada
Naquela manhã, o serviço era trocar um transformador: tirar da rede velha e instalar na nova. Valdeneis fez tudo certo. Antes de subir no poste, desligou a rede, abrindo a chave, e ainda retirou o cartucho — a peça que precisa estar no lugar para alguém religar a energia.
Mas existia uma rede paralela, a uns 5 km dali. E Valdeneis sabia do risco. Ele pediu ao encarregado duas coisas: que desligassem também a outra rede, e que deixassem uma pessoa vigiando a chave desarmada, para ninguém religar a energia com ele lá em cima.
O encarregado negou. Disse que “não havia necessidade de tanto cuidado”.
Valdeneis subiu no poste acreditando que a rede estava morta. Quando soltou o cabo para cortá-lo, o cabo estava energizado. A descarga atravessou o corpo dele. Ele desmaiou ali mesmo, no alto do poste, e veio deslizando, preso pelo cinto de segurança. Os colegas o socorreram desacordado e o levaram para o hospital no carro do encarregado — o mesmo que tinha negado o vigia.
Esse detalhe importa: o trabalhador fez a parte dele. Desligou, tirou o cartucho, pediu o vigia. Quem falhou foi a empresa — e mesmo assim ela alegou que a culpa foi exclusivamente dele. A Justiça rejeitou essa conversa na sentença e de novo no tribunal.
4 – As sequelas que o choque deixou
O choque causou queimaduras de 2º e 3º grau na mão esquerda, no abdome e na coxa direita. E tinha um agravante cruel: Valdeneis é canhoto. A mão queimada era a que ele usava para tudo. O que veio depois:
- Quase 2 meses internado — de 6 de agosto a 23 de setembro de 2020;
- Duas cirurgias: uma para limpar o tecido queimado e outra de enxertos de pele na mão e no abdome;
- Dedo anelar travado em uma deformidade que os médicos chamam de “pescoço de cisne” — o dedo entortou e não dobra mais, atrapalhando o pegar e o segurar;
- Lesão grave nos nervos da mão, confirmada por exame;
- Tremor constante e involuntário no dedo — a mão treme sozinha, o tempo todo;
- Cicatrizes permanentes de queimadura na mão, no abdome e na coxa.
A perita do processo foi categórica: incapacidade definitiva para o trabalho de eletricista montador de rede de distribuição. Nunca mais. Um homem de 41 anos, com a profissão na mão — literalmente — perdeu o ofício para sempre.
5 – Quanto a Justiça mandou pagar, parte por parte
A conta do caso, exatamente como saiu na sentença:
| O que a Justiça mandou pagar | Valor | Por quê |
|---|---|---|
| Pensão (dano material) | R$ 588.910,56 | 60% do salário × 424 meses (até os 76 anos), pago de uma vez só, em parcela única |
| Dano moral | R$ 50.000,00 | A descarga, o desmaio no poste, 2 meses de hospital, a vida virada de cabeça pra baixo |
| Dano estético | R$ 50.000,00 | Cicatrizes de queimadura e dedo deformado — dinheiro SEPARADO do moral |
| Total | R$ 688.910,56 | Mantido pelo tribunal, pago pelas duas empresas, dinheiro na conta em 2024 |
📊 Quer ver valor real, não minha palavra? Nossa página de valores por estado mostra os valores que a Justiça vem fixando — dado público, atualizado.
Como chegaram nos R$ 588 mil de pensão?
A conta é simples. A perícia disse que ele perdeu 100% da capacidade para a profissão de eletricista de rede. O pedido no processo era de 60% — e a Justiça respeitou o pedido. Então:
- 60% do salário de R$ 2.314,90 = a parte do sustento que o choque levou, todo mês;
- Ele tinha 41 anos quando a lesão se firmou; a expectativa de vida do brasileiro é 76 anos = 424 meses pela frente;
- 60% × R$ 2.314,90 × 424 meses = R$ 588.910,56.
E o melhor: a Justiça mandou pagar tudo de uma vez, em parcela única — para a empresa não sumir no meio do caminho deixando a pensão sem pagar. Quer essa conta aplicada ao seu caso? Leia o guia de como calcular a indenização por acidente de trabalho ou vá direto na calculadora gratuita.
6 – A vantagem do eletricista: a lei joga a responsabilidade no patrão
Agora vem a parte que quase nenhum trabalhador de elétrica sabe — e que vale centenas de milhares de reais.
Na maioria dos acidentes, o trabalhador precisa mostrar que a empresa errou: faltou proteção, treinamento, EPI. Mas para quem trabalha com eletricidade, a lei nem exige provar que o patrão errou. Energia elétrica é atividade de risco — risco maior que o de qualquer pessoa comum. E quando a atividade é de risco, o risco da atividade já joga a responsabilidade em cima da empresa. Aconteceu no serviço? Ficou sequela? A empresa responde. Ponto.
Foi assim no caso do Valdeneis. A empresa gritou em todas as instâncias que a culpa era dele. Não adiantou. A Justiça do Pará disse com todas as letras: eletricista de rede trabalha exposto a um risco que os outros não correm, então a empresa responde — sem nem discutir de quem foi a culpa. E o tribunal confirmou.
E ainda tem mais: quem tem que provar segurança é a empresa
No processo, a empresa não conseguiu provar qual era a voltagem da rede em que o Valdeneis trabalhava, nem que os EPIs entregues eram os adequados. E a Justiça decidiu que esse era um problema dela — porque quem tem a obrigação de provar que o ambiente era seguro é a empresa, não o trabalhador.
Grava isso: se a empresa não consegue mostrar papel, ficha de EPI, certificado de treinamento — cada papel que falta pesa contra ela. Falta de EPI adequado é um dos caminhos mais fortes para a indenização.
7 – NR-10: a norma federal que protege quem mexe com eletricidade
Existe uma norma federal de segurança para trabalho com eletricidade, a NR-10. Não é sugestão, é obrigação — e cada item descumprido vira prova de culpa no processo. Em linguagem simples, a NR-10 obriga a empresa a garantir:
- Rede desligada de verdade (desenergização) — não basta abrir a chave; tem procedimento completo para garantir que não há energia no circuito antes de alguém encostar;
- Bloqueio e etiqueta na chave — a chave desligada tem que ser travada e sinalizada, para ninguém religar sem saber que tem gente na rede;
- Vigia ou controle da chave — exatamente o que o Valdeneis pediu e o encarregado negou;
- EPI próprio para eletricidade — luva isolante testada, calçado adequado, capacete classe B, vestimenta contra arco elétrico. Luva de raspa comum NÃO protege de choque;
- Treinamento específico — curso de segurança em eletricidade, reciclagem em dia, autorização formal.
Faz o teste: no dia do seu choque, quantos desses itens existiam de verdade? Cada um que faltou é um tijolo no seu processo. E se o acidente foi com máquina (painel, exaustor, bomba), entra também a NR-12, a norma de segurança de máquinas — outra arma poderosa.
8 – EPI, treinamento e técnico de segurança: as três perguntas que derrubam a empresa
Quando pego um caso de choque, faço sempre três perguntas ao trabalhador:
1. Você chegou a ver o técnico de segurança no serviço? Não no escritório — no campo, na obra, no poste, acompanhando o trabalho de risco. Na imensa maioria dos casos, a resposta é não.
2. Você recebeu treinamento de verdade para aquele serviço específico? Assinar uma folha na contratação não é treinamento. Treinamento é curso, com carga horária, prova e reciclagem. Para eletricidade, é obrigatório.
3. Você ganhou o EPI certo, novo e testado — ou uma luva velha qualquer? EPI de eletricista tem validade, teste de isolação e ficha de entrega. Luva furada, bota gasta, capacete errado: é a empresa economizando na sua pele.
Se respondeu “não” para qualquer uma, a empresa está em falta. O Valdeneis até tinha certificados de treinamento — e mesmo assim a empresa perdeu, porque negou o vigia e não provou o EPI adequado. Imagina no seu caso, em que talvez nem o treinamento exista.
9 – Sequelas de choque elétrico que valem caso
Choque machuca de formas diferentes — e cada uma abre portas de indenização. Veja se você se encaixa:
Queimadura com enxerto ou cicatriz: o dano estético é dinheiro separado
A corrente elétrica queima por dentro e por fora. Queimadura de 2º e 3º grau costuma exigir cirurgia de enxerto — tiram pele de uma parte do corpo para cobrir a outra. Ficam cicatrizes permanentes. E aqui está um direito que quase ninguém cobra: cicatriz paga dano estético, indenização SEPARADA do dano moral. No caso do Valdeneis: R$ 50 mil de moral MAIS R$ 50 mil de estético. Dois cheques, não um.
Nervo lesado: mão fraca, tremor, dedo travado
A descarga destrói nervos no caminho. As consequências aparecem na mão e no braço: perda de força, formigamento que não passa, dedo que trava ou entorta, tremor involuntário. Tem exame que comprova (a eletroneuromiografia, o exame dos nervos — peça ao médico). Foi esse exame que confirmou a lesão grave do Valdeneis. Se a sua lesão é na mão ou no dedo, veja quanto vale a indenização por perda de um dedo e a tabela de valores de indenização por dedo.
Coração alterado: arritmia depois do choque
A corrente atravessa o corpo e pode desorganizar o ritmo do coração. Palpitação, arritmia, alteração no eletrocardiograma — tudo pode ter ligação direta com o choque. Regra de ouro: todo choque forte merece um eletrocardiograma no mesmo dia. Esse exame vale ouro no processo.
Queda do poste, da escada ou do andaime por causa do choque
Muitas vezes o estrago maior não é a queimadura — é a queda. O choque derruba o trabalhador do poste, da escada, do telhado. Fratura, traumatismo, lesão na coluna: tudo entra na mesma conta, porque a causa foi o choque. O Valdeneis só não despencou porque estava de cinto.
Amputação: o caso mais grave
Queimadura elétrica profunda pode matar o tecido do dedo ou da mão a ponto de exigir amputação. É a sequela mais devastadora — e a que gera as maiores indenizações, porque soma queimadura, perda do membro, dano estético e, quase sempre, o fim da profissão. Leia sobre indenização por perda da mão no trabalho.
“Fiquei aparentemente bem, mas piorou depois”
Acontece muito: a pessoa passa no atendimento, vai pra casa, e meses depois aparecem formigamento, tremor, fraqueza, arritmia. Lesão de nervo demora a dar as caras. Não desista por causa do tempo. Procure um médico AGORA, faça os exames e documente a ligação entre o choque e a lesão. Mesmo acidente de anos atrás pode virar processo — veja a página de acidente de trabalho antigo.
10 – Os 5 dinheiros que se somam num caso de choque com sequela
Trabalhador acha que indenização é um valor só. Errado. São cinco dinheiros diferentes, que se somam — e o caso do Valdeneis demonstra:
| Dinheiro | O que é | No caso do eletricista do Pará |
|---|---|---|
| 1. Pensão | A parte do salário que a sequela levou, todos os meses até os 76 anos — ou tudo de uma vez | R$ 588.910,56 em parcela única (60% do salário × 424 meses) |
| 2. Dano moral | O sofrimento: dor, hospital, medo, vida quebrada | R$ 50.000,00 |
| 3. Dano estético | Cicatriz, deformidade, marca no corpo — separado do moral | R$ 50.000,00 |
| 4. Gastos | Remédio, fisioterapia, transporte — tudo que saiu do seu bolso, com nota | Cobrável em todos os casos com comprovante |
| 5. INSS | Auxílio acidentário (e aposentadoria por invalidez nos casos graves) | Corre POR FORA — não desconta da conta da empresa |
Repara: o benefício do INSS não substitui a indenização da empresa. São bolsos diferentes. A empresa adora confundir o trabalhador — “você já recebe do INSS, não tem mais nada pra receber”. Mentira. A conta completa está no guia de cálculo da indenização por acidente de trabalho.
11 – Perda do ofício: quando o choque acaba com a profissão
O caso do Valdeneis é exemplo perfeito de perda do ofício — um dos argumentos que mais aumentam indenização.
A perícia não disse que ele perdeu 60% da capacidade de “trabalhar em geral”. Disse que perdeu 100% da capacidade de ser eletricista de rede de distribuição — a profissão que pagava as contas. Eletricista com a mão dominante queimada, dedo travado e tremor constante não sobe mais em poste. Nunca mais.
A Justiça não olha só para o dedo — olha para a vida profissional inteira que foi destruída. Operador de prensa que não opera mais prensa. Pedreiro que não segura mais ferramenta. Eletricista que não pode mais encostar em rede. Quando o ofício original morre, a capacidade perdida para aquele ofício é total, e a pensão é calculada em cima disso. É a diferença entre uma indenização pequena e uma que sustenta a família pelo resto da vida.
12 – A empresa te leva no hospital — e depois some
O roteiro é sempre o mesmo: a empresa te socorre, paga a primeira consulta, emite a CAT, te encosta no INSS — e desaparece. Não liga, não paga fisioterapia, não acompanha tratamento, não oferece readaptação. Quando o afastamento acaba, ainda dá um jeito de te mandar embora.
O Valdeneis viveu isso: depois da alta, ficou em casa fazendo fisioterapia por conta própria, sem receber benefício nenhum — e a empresa o demitiu. Um homem que quase morreu no poste da empresa, descartado como ferramenta quebrada.
E aqui vai o que joga a seu favor: esse abandono AUMENTA a indenização. O juiz vê a empresa que largou o trabalhador na própria sorte e pesa a mão no dano moral. Guarde tudo: mensagens não respondidas, boletos de fisioterapia. Cada prova de abandono vale dinheiro na sentença.
13 – “A empresa diz que a culpa foi minha”
É a defesa número 1 em caso de choque: “ele mexeu onde não devia”, “ele não seguiu o procedimento”. A empresa do Valdeneis disse que ele foi negligente porque “não percorreu toda a rede para verificar se existia ligação clandestina”. Percorrer quilômetros de rede, sozinho, para compensar o vigia negado.
A Justiça não engoliu. Primeiro, porque ele fez tudo que estava ao alcance dele. Segundo: como a atividade era de risco, a empresa responde mesmo sem se discutir culpa. Nem a tese de “culpa dividida” colou — o tribunal afastou as duas.
Se o RH está dizendo que a culpa foi sua, respira: quem organiza o serviço, compra o EPI e treina (ou não treina) a equipe é a empresa. O risco do negócio é dela. Se ela lucra com o serviço perigoso, paga pelo acidente do serviço perigoso.
14 – Duas empresas no processo: a empreiteira E a dona da obra pagam juntas
Outro detalhe que pode valer muito no seu caso: Valdeneis processou duas empresas ao mesmo tempo — o consórcio que o contratou e a gigante de energia dona da obra do Luz para Todos.
A dona da obra espernou: “eu só contratei a empreiteira, a obrigação é dela”. A Justiça respondeu que não funciona assim: todas as empresas que se beneficiam do trabalho respondem juntas pela segurança dele. Ela confessou em audiência que nem mandava engenheiro de segurança acompanhar o serviço. Resultado: as duas condenadas a pagar tudo, juntas — na prática, você pode cobrar o valor inteiro de qualquer uma das duas.
Para o trabalhador, isso é segurança de receber. Empreiteira pequena pode quebrar e sumir; a dona da obra — concessionária, indústria, construtora grande — tem patrimônio. Se você é terceirizado ou contratado de empreiteira, o processo pode (e geralmente deve) mirar as duas.
15 – Como provar o choque e a sequela: o passo a passo
- CAT — a empresa tem 24 horas para emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho. Se não emitir, você mesmo emite, de graça, no site do INSS. No caso do Valdeneis, a CAT da própria empresa virou prova central contra ela;
- Atendimento médico no dia — pronto-socorro, mesmo que você “esteja bem”. Peça eletrocardiograma: choque pode alterar o coração horas depois;
- Fotos — da queimadura, do local, do fio, da chave, do EPI velho. Tire antes que a empresa “conserte” tudo;
- Testemunhas — o colega que viu, que socorreu, que ouviu o encarregado negar o pedido de segurança;
- Todos os papéis — atestados, receitas, exames, notas de remédio e fisioterapia. Mesmo o atestado de 1 dia;
- Exames de sequela — eletroneuromiografia para os nervos, eletrocardiograma para o coração, laudo de cirurgia, fotos das cicatrizes.
E o que NÃO fazer: não aceite acordo do RH sem orientação — empresa oferece R$ 2 mil “pelo transtorno” para quem tem caso de centenas de milhares; não assine pedido de demissão sob pressão; não jogue fora nenhum papel.
16 – Quanto tempo você tem para entrar com a ação
Regra geral: até 2 anos depois de sair da empresa. Saiu, o relógio começa a correr. Dentro do processo, dá para cobrar os direitos dos últimos 5 anos.
Mas choque tem uma particularidade: a sequela pode se firmar muito depois — e em muitos casos o prazo conta da ciência da lesão, não do dia do choque. O Valdeneis se acidentou em 2020, entrou com a ação em 2021, ganhou na sentença e no tribunal em 2022 e recebeu em 2024. Se a sequela apareceu agora, não enterre o caso sem analisar — veja acidente de trabalho antigo antes de desistir.
E nos casos mais trágicos, em que o choque mata — eletrocussão é uma das principais causas de morte no trabalho no Brasil —, a família tem direito próprio: pensão, dano moral dos familiares, despesas.
17 – Perguntas frequentes sobre indenização por choque elétrico no trabalho
Tomei choque mas não fiquei com nada. Tenho caso?
Dificilmente. Sem sequela, sem afastamento e sem marca, muitos juízes tratam o choque como mero aborrecimento e negam indenização. Minha orientação honesta: faça eletrocardiograma e exame dos nervos para ter certeza de que não ficou nada escondido. Se vierem limpos, siga a vida — mas guarde os papéis, porque sequela de nervo pode aparecer depois.
Trabalho com eletricidade sem registro em carteira. Vale a pena processar?
Vale. O processo pode reconhecer o vínculo de emprego e a indenização ao mesmo tempo. Trabalhar sem registro é mais uma irregularidade da empresa — ela não pode usar a própria fraude para escapar de pagar. Testemunhas, mensagens, comprovantes e fotos no serviço provam o vínculo.
A empresa diz que eu deveria ter conferido a rede. Perco o direito?
Não. Quem garante a segurança é a empresa: desligamento, bloqueio da chave, vigia, EPI, treinamento. No caso real deste artigo, a empresa usou essa defesa — e perdeu na sentença e no tribunal. Para atividade de risco como eletricidade, a empresa responde mesmo sem discussão de culpa.
Sou terceirizado. Cobro da minha empresa ou da empresa onde o choque aconteceu?
Das duas, no mesmo processo. A que te contratou e a dona da obra ou tomadora respondem juntas. No caso do Pará, a empreiteira e a dona da obra foram condenadas a pagar a conta inteira juntas — o que aumenta muito a garantia de receber.
O choque me derrubou da escada e quebrei o braço. Isso entra na indenização?
Entra tudo. A queda foi consequência do choque, então a fratura, o tratamento e as sequelas da queda entram na mesma conta: pensão se ficou limitação, dano moral, dano estético se ficou cicatriz, e os gastos do tratamento.
Fiquei com cicatriz de queimadura. Isso paga separado mesmo?
Paga. Dano estético é indenização própria, somada ao dano moral. No caso deste artigo foram R$ 50 mil de moral MAIS R$ 50 mil de estético pelas cicatrizes e pela deformidade no dedo. Quem não pede o estético separado deixa dinheiro na mesa.
Tomei choque há 3 anos e a mão começou a tremer agora. Ainda dá tempo?
Pode dar. Sequela de nervo aparece tarde, e em muitos casos o prazo conta de quando você tomou ciência da lesão, não do dia do acidente. Procure um médico, faça a eletroneuromiografia e busque análise do caso imediatamente — o prazo de 2 anos depois da saída da empresa continua valendo como regra.
Recebo auxílio do INSS. A empresa ainda me deve indenização?
Deve. O benefício do INSS é um direito seu junto à Previdência; a indenização é uma dívida da empresa. Um não desconta do outro. O Valdeneis nem chegou a receber o benefício direito — e a empresa foi condenada mesmo assim.
18 – Choque com sequela é caso para ultraespecialista
Eu não pego divórcio, batida de carro nem cobrança. Há 15 anos faço uma coisa só: acidente de trabalho. Foi assim que aprendi onde a empresa erra, o que a perícia precisa ver e como transformar um eletricista abandonado com a mão queimada em um homem com mais de R$ 1 milhão recebido. Já fizemos isso mais de 3.000 vezes — mais de R$ 41 milhões recuperados em todo o Brasil, como o eletricista Edvaldo, que perdeu 3 dedos em um exaustor em Pernambuco e ganhou R$ 146 mil.
Se o choque te deixou marca, o caminho é este, nesta ordem:
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O eletricista do Pará quase aceitou que aquilo “fazia parte do serviço”. A Justiça disse que não fazia — duas vezes. Se aconteceu com você, descubra agora quanto vale o seu caso.
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