Atualizado em 10 de junho de 2026 — por Dr. Welliton Ventura
Você quer número. Aqui está. Logo abaixo tem a tabela com o valor de cada dedo: quanto a perícia considera de incapacidade, quanto dá de pensão por mês e quanto a Justiça costuma pagar de dano moral.
Mas antes, um aviso honesto — porque eu não trabalho com ilusão: essa tabela é ponto de partida, não é o valor final do seu caso. O número muda com o seu salário, com a gravidade da lesão e com o tamanho da culpa da empresa. Dois trabalhadores podem perder o mesmo dedo e receber valores bem diferentes. A tabela te mostra a base. O resto da conta, eu te ensino neste artigo.
Eu sou o Welliton Ventura. Há 15 anos só faço uma coisa: acidente de trabalho. Mais de 3.000 casos, mais de R$ 41 milhões recuperados pra trabalhador. Mão e dedo são onde eu mais atuo — não por acaso: cerca de 60% a 70% dos acidentes graves com máquina no Brasil pegam a mão ou os dedos. Prensa, serra, esmeril, dobradeira. Todo dia.
Este artigo é a versão direto-ao-ponto. Se você quer entender o assunto inteiro, do começo ao fim, leia também o nosso guia completo da indenização por perda de dedo.
1 – Tabela de valores: quanto vale cada dedo
A tabela abaixo usa três informações que a Justiça do Trabalho usa de verdade:
- % de incapacidade — é o número que o perito do processo dá pra cada dedo, com base na tabela oficial que a perícia usa;
- Pensão mensal — calculada pela fórmula que a Justiça aplica (eu mostro a conta no próximo tópico), em dois cenários de salário: R$ 2.000 e R$ 3.000;
- Dano moral típico — a faixa que a Justiça vem fixando em casos parecidos.
| Dedo perdido | % de incapacidade (perícia) | Pensão mensal (salário R$ 2.000) | Pensão mensal (salário R$ 3.000) | Dano moral típico na Justiça |
|---|---|---|---|---|
| Polegar (dedão) | 20% a 25% | R$ 444 a R$ 556 | R$ 667 a R$ 833 | Lesão grave: até 20 salários. Em casos públicos, R$ 35 mil a R$ 60 mil |
| Indicador | 15% | R$ 333 | R$ 500 | Lesão grave: até 20 salários. Casos públicos na faixa de R$ 35 mil a R$ 60 mil |
| Médio, anular ou mínimo | 9% | R$ 200 | R$ 300 | Caso público: R$ 35 mil (anular em prensa, Justiça da Bahia) |
| 2 ou mais dedos | 25% a 30% | R$ 556 a R$ 667 | R$ 833 a R$ 1.000 | Casos públicos: R$ 50 mil (2 dedos, RS) a R$ 100 mil (4 dedos em parte, Campinas/SP) |
| Falange / ponta do dedo | Abaixo do % do dedo inteiro (proporcional) | Proporcional — menor que os valores acima | Proporcional — menor que os valores acima | Menor que a perda do dedo inteiro, mas existe e é devido |
Importante: a pensão da tabela é todo mês, pelo resto da vida — ou paga de uma vez, somando os anos. E ela é só UM dos dinheiros que você pode receber. Tem mais quatro, e eu mostro todos no tópico 7.
📊 Quer ver valor real, não minha palavra? Nossa página de valores por estado mostra os valores que a Justiça vem fixando em cada canto do Brasil — dado público, atualizado.
2 – Como ler a tabela: a conta explicada passo a passo
A pensão mensal não é chute. A Justiça usa uma fórmula, e ela é mais simples do que parece:
Pensão = (salário + 13º dividido por 12 + terço de férias dividido por 12) × % de incapacidade
Vamos fazer a conta juntos, com um exemplo real. Trabalhador que ganha R$ 2.000 e perdeu o dedo indicador (15%):
- Salário: R$ 2.000
- 13º salário espalhado pelos 12 meses: R$ 2.000 ÷ 12 = R$ 167
- Terço de férias espalhado pelos 12 meses: (R$ 2.000 ÷ 3) ÷ 12 = R$ 56
- Base de cálculo: 2.000 + 167 + 56 = R$ 2.223
- Aplica os 15% do indicador: 2.223 × 0,15 = R$ 333 por mês
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R$ 333 parece pouco? Agora soma os anos. Um trabalhador de 30 anos vai receber isso por décadas. Somando tudo ao longo da vida, essa pensão “pequena” vira um valor enorme acumulado. Por isso a empresa briga tanto nesse ponto — e por isso você precisa de quem sabe fazer essa conta.
Quer entender a conta completa do processo, com todos os pedidos? Está no nosso artigo sobre como calcular a indenização por acidente de trabalho.
3 – Por que o polegar vale mais que os outros dedos
Olha pra sua mão e tenta pegar um copo sem usar o dedão. Não dá.
O polegar é o dedo que faz a “pinça” — é ele que segura ferramenta, martelo, parafuso, caneta, celular. Sem polegar, a mão perde a função principal dela. Por isso a tabela da perícia dá 20% a 25% de incapacidade pro polegar, contra 9% de um dedo mínimo.
Na prática:
- Pedreiro sem polegar não segura colher de pedreiro nem prumo;
- Mecânico sem polegar não segura chave nem aperta parafuso;
- Operador de máquina sem polegar não aciona comando com segurança.
O indicador vem logo atrás (15%), porque é o dedo da precisão: apontar, acionar gatilho de ferramenta, passar linha, digitar. Médio, anular e mínimo ficam nos 9% — menos função individual, mas ainda assim incapacidade real e indenizável.
E se a lesão foi maior que dedo — pegou a mão inteira ou boa parte dela — o cenário muda completamente. Aí o % de incapacidade salta pra outra faixa. Leia nosso artigo sobre indenização por perda de mão no trabalho.
4 – Perdi só a ponta do dedo. Tenho direito mesmo assim?
Tem. E muita empresa usa exatamente esse argumento pra te convencer do contrário: “foi só a pontinha, não dá nada”.
Mentira. A perda de uma falange (a ponta ou um pedaço do dedo) entra na tabela da perícia como incapacidade proporcional — menor que a do dedo inteiro, mas existente. O perito mede quanto da função daquele dedo foi perdida e fixa o percentual.
E tem um detalhe que quase ninguém te conta: ponta de dedo esmagada em máquina é o acidente mais comum do Brasil. Prensa que desce, engrenagem sem proteção, serra sem anteparo. Se a máquina não tinha a proteção que a norma federal exige (falo disso no tópico 8), a culpa da empresa está desenhada — e a indenização sobe.
Além da pensão proporcional, a ponta do dedo amputada gera dano estético (a marca fica pra sempre) e dano moral (a dor, o susto, o trauma). Esses dois não dependem do tamanho do pedaço perdido — dependem do que você passou.
5 – Casos reais: o que a Justiça já mandou pagar
Tabela teórica é uma coisa. Sentença é outra. Aqui vão casos reais, públicos, decididos pela Justiça do Trabalho — em linguagem simples:
| Caso real | O que aconteceu | Quanto a Justiça mandou pagar |
|---|---|---|
| Justiça da Bahia | Prensa amputou o dedo anular do trabalhador | R$ 35 mil (R$ 20 mil de dano moral + R$ 15 mil de dano estético) |
| Justiça do Rio Grande do Sul | Trabalhador perdeu 2 dedos | R$ 50 mil |
| Justiça de Minas Gerais | Dedo decepado em serra de madeira | R$ 60 mil |
| Justiça de Campinas/SP | Perdeu 4 dedos em parte | R$ 100 mil |
Repara numa coisa: nenhum desses valores inclui a pensão mensal. É dano moral e estético. A pensão vem por cima, todo mês. É por isso que olhar só “o cheque” engana — o caso vale mais do que parece.
E repara em outra: os valores mudam de estado pra estado. A Justiça de cada região tem o seu padrão. Confira o seu na nossa página de valores por estado.
6 – O que a tabela NÃO mostra (e que pode multiplicar o seu valor)
Essa parte é a mais importante do artigo. Lê com calma.
A tabela do topo mostra a base. Mas três situações tiram o seu caso da tabela e jogam ele pra cima:
Dano estético: a marca que ficou
Mão com dedo faltando chama atenção pra sempre. No aperto de mão, na praia, na foto. A lei paga por isso, separado do dano moral. No caso da Bahia que mostrei acima, foram R$ 15 mil só de estético — quase metade do total.
Perda do ofício: quando o dedo era o seu ganha-pão
Aqui a conta muda de patamar. Se o dedo que você perdeu era essencial pra sua profissão, a Justiça não olha só pro dedo — olha pra sua vida profissional inteira destruída.
Operador de prensa que não opera mais prensa. Pedreiro que não pega mais ferramenta. Costureira que não passa mais linha. Nesses casos, a incapacidade pro SEU ofício é de 100% — e a pensão deixa de ser um percentual e passa a ser calculada sobre o salário cheio. Em vez de R$ 333 por mês, R$ 2.223 por mês. Pelo resto da vida.
Esse é o pedido que mais muda o resultado de um processo de dedo, e é o que a maioria dos advogados esquece de fazer. Entenda em detalhe no nosso artigo sobre perda do ofício no acidente de trabalho.
Abandono depois do acidente: isso aumenta a indenização
Você conhece o roteiro. A empresa te leva pro hospital, paga a primeira consulta, emite a CAT, te afasta pelo INSS — e depois some. Não acompanha o tratamento, não paga fisioterapia, não liga, não cuida de readaptação.
Isso não é só sacanagem. Isso é prova. A Justiça enxerga o abandono pós-acidente como agravante e majora o dano moral por causa dele. Guarda as mensagens sem resposta, os pedidos ignorados. Cada silêncio da empresa vale dinheiro no processo.
7 – Os 5 dinheiros que se somam no caso de dedo
A tabela mostra dois (pensão e dano moral). O caso completo tem cinco:
- Dano moral — pela dor, pelo trauma, pelo que você passou. É a coluna da direita da tabela.
- Pensão mensal — o percentual do salário, todo mês, pelo resto da vida (ou de uma vez). É a conta do tópico 2. Se houve perda do ofício, vira salário cheio.
- Dano estético — pela marca permanente na mão. Separado e somado ao moral.
- Danos materiais — tudo que saiu do seu bolso: remédio, consulta, fisioterapia, transporte pra tratamento. Com nota, a empresa devolve.
- Estabilidade de 12 meses — depois de voltar do INSS por acidente, a empresa não pode te demitir por 1 ano. Se demitiu, paga o ano inteiro.
Na minha experiência de 15 anos: caso de dedo bem montado, com os cinco pedidos no lugar, fica em geral na faixa de R$ 60 mil a R$ 100 mil — mais a pensão mensal correndo por fora. Acima disso existe, como você viu nos casos públicos, mas aí depende da gravidade e do caso concreto.
8 – Culpa da empresa: a NR-12 muda tudo
Se o seu dedo foi pego por máquina, guarda esse nome: NR-12.
É uma norma federal de segurança de máquinas que obriga a empresa a ter, em TODA máquina:
- Proteção fixa nas partes que se movem — grade, tampa, anteparo;
- Parada de emergência ao alcance da mão;
- Sensor ou dispositivo que impede a máquina de operar com a mão na área de risco;
- Treinamento específico pra aquela máquina — de verdade, com carga horária, não “o colega te mostra como faz”;
- Manutenção e inspeção documentadas.
Se faltava UM item desses na máquina que pegou o seu dedo, a culpa da empresa está provada. E culpa provada faz duas coisas: garante a condenação e empurra o dano moral pra cima. Quase nenhuma máquina de chão de fábrica no Brasil cumpre a NR-12 inteira. Por isso quem processa com prova ganha.
Se puder, consiga foto da máquina — sua ou de um colega. Foto de prensa sem proteção é a prova mais forte que existe num caso de dedo.
9 – EPI, treinamento e técnico de segurança: as 3 perguntas que valem dinheiro
Responde mentalmente, agora:
- Você chegou a ver o técnico de segurança no chão de fábrica? Ou ele só existia no papel?
- Recebeu treinamento de verdade pra operar aquela máquina específica? Ou te colocaram nela no segundo dia?
- Ganhou o EPI certo, novo? Ou uma luva velha furada que já era de outro?
Cada “não” dessas três perguntas é mais um tijolo na culpa da empresa. EPI vencido, treinamento que não houve, técnico de segurança fantasma — tudo isso vira prova e aumenta o valor do dano moral.
E atenção: se o acidente aconteceu porque faltou o equipamento de proteção, o caso tem um caminho próprio. Leia nosso artigo sobre acidente de trabalho por falta de EPI.
10 – Salário maior = pensão maior (e carteira assinada não é obrigatória)
A fórmula do tópico 2 deixa claro: a pensão é um percentual do seu salário. Quem ganha R$ 3.000 recebe 50% mais de pensão que quem ganha R$ 2.000, pro mesmo dedo. Por isso a tabela tem duas colunas.
Três detalhes que jogam a seu favor:
- Hora extra habitual entra na base. Se você fazia hora extra todo mês, ela engorda o salário de cálculo — e a pensão.
- Salário “por fora” entra também — se der pra provar (transferência, testemunha, anotação). Muita empresa paga parte por fora justamente pra encolher essas contas.
- Dano moral e estético não dependem do salário. Quem ganha pouco não sofre menos. Os R$ 35 mil da Bahia, os R$ 60 mil de Minas — nada disso foi calculado sobre salário.
Ou seja: salário baixo diminui só uma das cinco verbas. As outras quatro continuam inteiras.
11 – Como transformar a tabela no SEU número
A tabela te deu a base. Agora falta o que só o seu caso tem: seu salário real, seu dedo, sua profissão, a culpa da sua empresa, o abandono que você sofreu.
Pra isso eu montei uma calculadora. Você responde perguntas simples — qual dedo, qual máquina, qual salário, como a empresa agiu — e ela te devolve a estimativa do SEU caso, com a mesma lógica que eu uso no escritório.
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12 – Perguntas frequentes sobre a tabela de valores por dedo
A tabela vale pra carteira assinada e pra PJ?
A tabela de incapacidade da perícia vale pra todo mundo — o dedo é o mesmo. Mas o caminho do processo muda: com carteira assinada, o caso corre na Justiça do Trabalho com todas as cinco verbas. PJ e informal também podem processar e receber, só que a montagem do caso é diferente e exige provar a relação real de trabalho. Não desista antes de perguntar.
Perdi o dedo há 4 anos. A tabela ainda vale pra mim?
Em muitos casos, sim. O prazo pra processar conta de um jeito que surpreende: em regra, são 2 anos depois de SAIR da empresa — não 2 anos depois do acidente. Se você ainda trabalha lá, o prazo nem começou. Veja sua situação no nosso artigo sobre acidente de trabalho antigo.
O INSS paga além disso?
Paga, e é separado. O auxílio-acidente do INSS é um benefício próprio, que não desconta nada da indenização da empresa. Você pode receber o benefício do INSS E todas as verbas da tabela ao mesmo tempo. Um não anula o outro.
A pensão é paga todo mês ou de uma vez?
Pode ser dos dois jeitos. Todo mês, pelo resto da vida, ou de uma vez só, somando os anos numa parcela única (com um redutor). Somando tudo ao longo dos anos, o acumulado de uma pensão pode passar muito do valor do dano moral — por isso ela é a verba que a empresa mais briga pra derrubar.
Perdi a ponta do dedo, não o dedo inteiro. Recebo menos?
Recebe proporcionalmente menos de pensão, porque o % de incapacidade é menor. Mas dano moral e estético não encolhem na mesma proporção — o trauma e a marca existem do mesmo jeito. Ponta de dedo dá caso, sim.
E se eu perdi mais de um dedo?
Os percentuais sobem pra faixa de 25% a 30% — e, dependendo dos dedos, a mão pode perder a função de pinça inteira, o que aproxima o caso de uma perda de mão. Veja nosso artigo sobre indenização por perda de mão. Nos casos públicos: 2 dedos saíram por R$ 50 mil no RS e 4 dedos em parte por R$ 100 mil em Campinas.
O valor da tabela é garantido?
Não — e desconfie de quem garantir. A tabela é a base que a perícia e a Justiça usam, mas o resultado depende da prova, da culpa da empresa e do seu caso concreto. O que eu garanto é o método: 15 anos só nisso, mais de 3.000 casos, e a conta feita do jeito certo, com as cinco verbas no lugar. Pra profundidade total, leia o guia completo da indenização por perda de dedo.
Foi no seu estado? Veja a página da sua região
A Justiça do Trabalho funciona um pouco diferente em cada estado — valores, setores que mais machucam e tempo de processo. Temos guias específicos:
- São Paulo: perdi o dedo na máquina, como faço o patrão pagar
- Minas Gerais: perdi o dedo na mina ou na siderúrgica
- Paraná: perdi o dedo na serra ou na máquina
- Rio Grande do Sul: perdi o dedo na serra-fita ou na prensa
- Rio de Janeiro: acidente em plataforma, estaleiro ou obra
O próximo passo é seu
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