Atualizado em 10 de junho de 2026 — por Dr. Welliton Ventura

Você pode processar e receber: um dedo amputado em plataforma, estaleiro ou obra no Rio vale de R$ 60 mil a R$ 120 mil. Queimaduras graves passam de R$ 100 mil — e terceirizado pode cobrar também a empresa grande, inclusive a Petrobras.

Quem trabalha em plataforma de petróleo da Bacia de Campos, em estaleiro de Niterói ou em obra na capital fluminense sabe: mão e dedo são o maior volume de acidente de trabalho do Brasil. Em setor offshore, esse número vem junto com queimadura, queda e esmagamento.

Em abril de 2025, a plataforma Cherne-1 da Petrobras (Bacia de Campos, 130 km de Macaé) pegou fogo com 176 pessoas a bordo — 32 feridos, 14 com queimaduras. Esse é só um exemplo grande. Os pequenos, que acontecem todo dia e nunca viram notícia, são os que mais chegam no meu escritório.

Meu nome é Welliton Ventura, advogado trabalhista há 15 anos com foco em acidente de trabalho. Atuo em todos os 24 TRTs do Brasil e o Rio de Janeiro está entre os estados de maior volume dos meus processos. Este artigo é pra você, trabalhador fluminense de plataforma, naval, refinaria ou obra — e quer entender o que fazer antes de assinar qualquer acordo.


Quanto a Justiça do RJ paga por acidente

Tipo de caso / lesão Valor que a Justiça do RJ vem fixando O que compõe
Um dedo amputado R$ 60 mil a R$ 120 mil Dano moral + dano estético + pensão (polegar paga mais: 25% da função da mão)
Queimadura extensa com sequela estética Chega a R$ 100 mil Dano moral + dano estético na Justiça do RJ
Acidente grave em plataforma com invalidez — Petrobras (caso público, julho/2024) R$ 1 milhão Condenação pública — atividade de risco, responsabilidade da empresa
Perda do ofício (mergulhador, soldador de plataforma, caldeireiro, operador) Pensão vitalícia sobre o salário cheio Pensão mensal pelo resto da vida + dano moral e estético
Referências nacionais (casos públicos) Justiça da Bahia: R$ 35 mil (dedo anular em prensa) · Justiça do RS: R$ 50 mil (2 dedos) · Justiça de MG: R$ 60 mil (dedo decepado em máquina de madeira) · Justiça de Campinas/SP: R$ 100 mil (4 dedos em parte) Dano moral + dano estético fixados pela Justiça do Trabalho

Um dedo amputado: entre R$ 60 mil e R$ 120 mil. Polegar paga mais (25% da função da mão). Indicador vem logo atrás.

Quer ver dedo por dedo? Confira o guia nacional de quanto vale a perda de um dedo e a tabela de valores de indenização dedo por dedo.

Queimadura extensa com sequela estética: dano moral + dano estético chegam facilmente a R$ 100 mil no TRT-1.

Acidente grave em plataforma com invalidez: os valores sobem muito. A Petrobras foi condenada em julho de 2024 a pagar R$ 1 milhão a uma vítima de acidente de trabalho — é precedente público (ConJur).

Perda da capacidade para o ofício: quando você era mergulhador, soldador de plataforma, caldeireiro ou operador e não pode mais voltar à função, a pensão mensal vitalícia é calculada sobre o salário cheio.

> 📊 Quer ver valor real, não minha palavra? Nossa página de valores por estado mostra em tempo real os valores que a Justiça do RJ vem fixando — nº de casos, duração média, taxa de sucesso, valor por tipo de lesão.


Casos e precedentes que valem pro seu caso

Petrobras — indenização de R$ 1 milhão (TST/TRT-1, julho 2024)

Vítima de acidente de trabalho em plataforma da Petrobras recebeu condenação de R$ 1 milhão. Decisão mantida pelo TST. Precedente importante: mesmo com cláusula de exclusividade de função pública, a atividade de petróleo é atividade de risco e gera responsabilidade objetiva.

Incêndio na Plataforma Cherne-1 (abril/2025, Bacia de Campos)

Explosão seguida de incêndio em plataforma a 130 km de Macaé. 32 feridos, 14 com queimaduras. Caso em fase inicial — cada trabalhador tem direito a acionamento individual da empresa contratante, da operadora e da Petrobras (tomadora), com pedidos de dano moral, dano estético, dano material e pensionamento.

Acidente com queda de avião levando petroleiro (TST/TRT-1)

Empresa aérea contratada para transportar trabalhadores de plataforma foi condenada a responder por morte de petroleiro. Precedente firme: em atividade offshore, toda a cadeia responde — operadora, contratante, transportadora, terceirizada.

Plataformas da Bacia de Campos — dados de acidentalidade

Estudo publicado na SciELO mostra taxa de frequência de 17,3 acidentes com afastamento por milhão de horas trabalhadas em plataformas da Bacia de Campos. Isso é muito alto — e é prova estatística de que o setor é de risco, o que gera responsabilidade objetiva automática.


O que mais causa acidente no RJ

Em plataforma (offshore — Bacia de Campos, Bacia de Santos)

  • Queda de tubulação, equipamento ou carga durante içamento
  • Explosão e incêndio por falha de válvula, vazamento de gás, curto
  • Queimadura por vapor ou produto químico
  • Esmagamento de mão em guincho, drilldeck, moonpool
  • Queda de altura em estrutura de plataforma
  • Choque elétrico em painel energizado

Em estaleiro (Niterói, Itaguaí, Angra)

  • Queda de andaime durante construção/reparo de casco
  • Corte por lixadeira ou esmerilhadeira
  • Queimadura por solda
  • Atingimento por peça solta em içamento

Em obra de construção civil (capital e Baixada)

  • Queda de altura (laje, andaime, telhado)
  • Serra circular — campeã absoluta de amputação de dedo
  • Choque elétrico em instalação sem bloqueio
  • Soterramento em valas
  • Atropelamento interno em canteiro por caminhão

NR-12, NR-34, NR-35 — o que a empresa violou

No RJ, quatro normas são especialmente cobradas na Justiça:

NR-12 — Segurança em Máquinas e Equipamentos

Cobre torno, serra, esmerilhadeira, guincho, ponte rolante. Itens mais violados:

  • 12.38 — proteção de partes móveis
  • 12.56 — comando bimanual
  • 12.113 — bloqueio de energia (LOTO)
  • 12.135 — treinamento específico documentado

NR-34 — Construção e Reparação Naval

Específica pro setor de estaleiro. Obriga: sinalização de área de risco, sistema de exaustão em corte/solda, EPI específico pra serviço em espaço confinado, treinamento por equipamento.

NR-35 — Trabalho em Altura

Acima de 2 metros = trabalho em altura. Obriga: análise de risco, cinto paraquedista, talabarte, linha de vida, treinamento com carga horária mínima de 8 horas. Violação gera culpa direta da empresa.

NR-33 — Espaços Confinados

Plataforma, tanque, porão de navio — todo espaço confinado. Obriga monitoramento atmosférico, autorização de entrada, vigia externo. Violações em plataforma são frequentes e geram condenação pesada.

Também aplicam: NR-6 (EPI), NR-18 (construção civil), NR-10 (eletricidade).


EPI, treinamento e técnico de segurança — 3 perguntas

No setor offshore especialmente, responda:

  1. Você recebeu EPI adequado pra serviço em plataforma (macacão retardante à chama, capacete com jugular, óculos ampla visão)?
  2. Teve o curso CBSP (Curso Básico de Segurança de Plataforma) atualizado?
  3. Havia brigada de emergência, vigia de espaço confinado, análise preliminar de risco (APR) do serviço?

Se qualquer resposta for “não”, a empresa violou NR e tem responsabilidade direta.


A empresa te abandonou depois do acidente?

Em setor offshore é ainda pior. Você se acidenta a 100 km da costa, é resgatado de helicóptero, fica no hospital uns dias — e quando sai, a empresa desaparece. Não paga fisioterapia, não paga tratamento psicológico (o que é crítico em vítima de incêndio/explosão), não acompanha cirurgia reparadora.

Isso é ilegal. Art. 19 da Lei 8.213/91 + Código Civil obrigam a empresa a prestar socorro continuado:

  • Tratamento médico integral
  • Fisioterapia e reabilitação
  • Prótese vitalícia (em caso de amputação)
  • Acompanhamento psicológico (pós-trauma é praticamente garantido em sinistro de plataforma)
  • Readaptação pra função compatível
  • Cirurgias reparadoras futuras

Abandono = dano moral majorado por omissão de socorro. TRT-1 valoriza muito essa tese.


Perda do ofício — a tese que multiplica a indenização

Era mergulhador de saturação, soldador de alta pressão, caldeireiro naval, operador de perfuração? E hoje não pode mais?

A Justiça olha pra sua vida profissional inteira destruída. Redução de capacidade fixada em 100% pro ofício original = pensão mensal cheia, vitalícia.

São os casos que mais fechamos contrato e melhor resultado entregamos — exatamente porque o trabalhador offshore tem salário alto, então a pensão cheia representa muito dinheiro por mês, pelo resto da vida.

E quando o acidente leva a mão inteira — esmagamento em guincho, içamento, prensa de estaleiro — o caso sobe de patamar: veja o guia de indenização por perda de mão no trabalho.


Cidades do RJ onde atuamos

Capital e Grande Rio: Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São Gonçalo, Niterói, São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis.

Norte Fluminense (onde tá o offshore): Macaé, Campos dos Goytacazes, Rio das Ostras, São Fidélis.

Baixada Fluminense: Magé, Itaboraí, Maricá.

Serrana: Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo.

Sul Fluminense (CSN, metalurgia): Volta Redonda, Resende, Barra Mansa.

Região dos Lagos: Cabo Frio, Armação dos Búzios, Arraial do Cabo.

Atendimento 100% online. Presença obrigatória só no dia da audiência e da perícia.


Quanto tempo dura o processo no TRT-1

  • Primeira instância: 10 a 20 meses
  • Com recurso: 2 a 3 anos
  • Acordo na primeira audiência: 3 a 6 meses

Em casos graves (amputação, queimadura extensa, invalidez, morte), a gente pede antecipação de tutela logo na inicial. Começa a receber a pensão em 60-90 dias.


Perguntas que a gente mais ouve

Trabalho em plataforma da Petrobras mas sou terceirizado. Posso processar a Petrobras? Pode. Em atividade de risco (petróleo, offshore), a Petrobras responde solidariamente junto com a terceirizada. Precedente firme no TRT-1 e TST.

Sou estrangeiro ou de outro estado trabalhando no RJ. Tenho os mesmos direitos? Sim. O critério é onde o trabalho aconteceu, não onde você mora. O TRT-1 é competente.

A empresa alegou que eu estava fora do turno no momento do acidente. Mesmo em folga a bordo de plataforma, o trabalhador está sob ordem da empresa. Tudo o que acontece em plataforma conta como acidente de trabalho. Precedente pacífico.

Perdi a audição por barulho constante em plataforma. É acidente? Sim — é doença ocupacional equiparada a acidente. PAIR (Perda Auditiva Induzida por Ruído) é muito comum em offshore e naval. Gera indenização igual a acidente típico.

O CBSP vencido é culpa minha? Não. É responsabilidade da empresa manter os trabalhadores com certificação em dia. Se ela te mandou pra plataforma sem CBSP válido ou treinamento atualizado, a culpa é dela.

Como sei se o valor que me ofereceram é justo? Consulte a página de valores por estado. Compare com o que a Justiça tem fixado.


Próximo passo

Três coisas pra fazer hoje:

  1. Vê o valor real que a Justiça do RJ está fixando na página de valores por estado.
  2. Simula o valor do seu caso na calculadora de indenização.
  3. Entende a conta por dentro em como calcular a indenização por acidente de trabalho — passo a passo, sem juridiquês.
  4. Entende todos os seus direitos na página Acidente de Trabalho.

Depois disso, se o caso se encaixa, a gente leva pro TRT-1. Há 15 anos é isso que a gente faz.


Leia também

📌 Perdeu a capacidade de exercer sua profissão? Quando o acidente reduz de forma permanente sua capacidade de trabalhar no que sempre fez, existe uma indenização específica por Perda do Ofício — cumulativa com INSS, verbas trabalhistas e dano moral. Casos costumam ficar entre R$ 500 mil e R$ 2 milhões. Ver detalhes e calcular →

Sofreu um acidente de trabalho?

Calcule agora quanto você pode receber. Grátis, sem compromisso.

Calcular indenização
Dr. Welliton Ventura

Dr. Welliton Ventura

ULTRA Especialista em Acidente de Trabalho

Advogado com atuação exclusiva em acidente de trabalho e doenças ocupacionais. Mais de 3.000 casos atendidos, 85% de vitórias e nota 5.0 no Google. Atendimento humanizado, 100% digital e sem custo inicial.